Confiar - Capítulo 12

terça-feira, maio 07, 2013


Ei, Princesas *-*
Dois posts hoje :D
Bom, aí está mais um capítulo de Confiar, espero que sejam abençoadas!
Boa Leitura!

Thaís Oliveira ;**

Capítulo 12



Acordar e não ter a mínima ideia do que havia acontecido não fazia parte dos planos de Pedro, ele queria saber o que havia feito na última noite, o que teria aprontado, como havia se sentido o rei das situações, mas nada passava pela sua cabeça, já deveria estar acostumado esse era um dos efeitos de um usuário de drogas, não se lembrar de nada que fez enquanto “viajava”.

Ele olhou a sua volta e viu um quarto de hospital, não havia ninguém com ele ali, olhou para a porta e viu um policial cercando a entrada, a lembrança de ter ameaçado Sophia e seus amigos de morte não estava nem um pouquinho próxima de seu consciente, assim como também não imaginava o que o seu melhor amigo havia aprontado.

Pedro tentou mexer o corpo, para descobrir onde doía e talvez assim lembrar-se de tudo o que aconteceu, mas quando ele tentou mexer as pernas nada aconteceu. Assustado tentou mais uma vez, novamente nada se mexeu, desesperadamente ele começou a chorar, chamando a atenção dos seus pais que estavam fora do quarto.

Ouvir que você está paraplégico não é bom, nada bom. O médico disse que o tiro havia lesionada sua coluna vertebral, deixando assim ele sem o poder de andar, ou se quer sentir as pernas, também disse que ele iria se adaptar a nova vida, que seria capaz de levar uma vida quase normal, mas Pedro não queria saber como ele sobreviveria, queria mesmo era ter suas pernas de volta. Segurou a mão da mãe procurando por ajuda, e notou no fundo dos olhos dela uma tristeza profunda, que ia além do motivo dele ter se tornado paraplégico.

O médico saiu do quarto e o Pedro ficou sozinho com os pais, ele estava desesperado,  porém não tinha tempo para reagir como criança, precisava saber o que tinha acontecido, necessitava de saber, só poderia chorar por não andar mais se fosse digno de choro.

- Mãe, o que foi que eu fiz? – Indagou Pedro, com o um medo martelando seu coração. Temia a resposta.

– Parece que você estava drogado, não estava em si...  – Sem coragem para continuar, Lídia foi interrompida pelo marido.

– Você ameaçou atirar na Sophia e nos amigos dela ontem à noite, mas algum anjo os livrou desse terrível fim e quem acabou baleado foi você. – Renato disse asperamente.

– Eu tentei matar a Sophia? Impossível! – Pedro disse sorrindo, realmente não conseguia se lembrar do que havia acontecido.
– Não ouse sorrir, Pedro! – Disse Renato em tom severo. – Você realmente tentou matar aquelas crianças, você pode não se lembrar agora, mas eles se lembram de tudo e com certeza vão querer acabar com você.

– Renato... – A mãe de Pedro tentou acalmar o temperamento de Renato, mas falhou. Após um longo olhar em direção ao marido, ele se retirou deixando mãe e filho a sós.

– Mãe, eu juro que não consigo lembrar de nada. – Pedro disse com lágrimas descendo pelos olhos.

– Filho, infelizmente você tem que se lembrar... Se lembrar para se desculpar com aquelas pessoas e para descobrir quem atirou em você!

Pedro fechou os olhos com toda força, tentando voltar ao passado. Será que seria possível se lembrar? Era necessário.

O quarto ficou em silêncio por um longo tempo, até que abruptamente Pedro abriu os olhos e gritou:

– Não!

– O que foi, querido? Você se lembrou? – Perguntou Lídia assustada.

– O Lucas mãe, foi ele quem atirou em mim. Eu achei que ele ia me ajudar, mas ele foi lá para me impedir...

– Meu Deus! – Lídia ficou paralisada. Ela saiu do quarto para chamar o marido.

Enquanto Pedro esperava pela mãe, ouviu seus pais brigando.

– Não pense que desta vez eu vou permitir que você passe a mão na cabeça dele. Seu filho tentou matar pessoas e você fica apavorada porque o melhor amigo dele atirou nele? Sinceramente, eu não conheço o Pedro e muito menos você! De onde vocês são?

– Você não pode por a culpa em mim...

– Não posso? Quem cuidou dele? Era obrigação de quem educar os filhos? Sua! – Ele esbravejou. – Mas até nisso você falhou, você educou um drogado assassino!

Pedro começou a chorar incessantemente, as palavras de seu pai perfuraram seu coração, causando um estrago imensurável.

Depois da última frase do pai, ele não conseguiu mais ouvir a voz dele, também não viu sua mãe. Se reconfortou com o silêncio, precisava de paz.

Após algum tempo em silêncio ele pensou em Sophia, se lembrou do quão linda ela estava ontem e do ciúme que sentiu ao ver ela do lado daquele garoto. O seu ódio havia levado ele a quase matar a única garota que ele gostou de verdade, não era justo com ela.

“Como ela estaria?” Ele começou a pensar, queria vê-la e pedir perdão, melhor queria voltar no tempo e não ter feito nada de mal para ela. Mas não havia uma máquina do tempo, não tinha como ele apagar todas as lembranças ruins que ela carregaria dele para sempre, seria impossível fazer com que ela gostasse dele novamente.

“Sophia, me perdoe!” – Pedro pensou.



S2


Sophia acordou e ficou intrigada quando eu seus pensamentos ela disse:

“Eu perdoo você...”.

Sem jeito ela se levantou, jogando os cabelos para trás se lembrou dos últimos acontecimentos. Viu que tinha dormido na cama dos pais, mas não se lembrava nem como havia pegado no sono.

Ela se ajoelhou próxima a cama e começou um oração.

– Senhor, muito obrigada por aquele grande livramento, eu clamei e o Senhor me ouviu... Sei que o que aconteceu foi resultado das escolhas erradas que fiz, e mais uma vez peço perdão por isso, mas hoje não quero ficar remoendo o passado ou angústias, quero agradecer, pois se hoje estou de pé foi porque o Senhor me deu mais uma oportunidade. – Sophia parou, limpando as lágrimas que escorriam por sua face. – Ontem me tirastes o medo, enquanto Pedro apontava para nós aquela arma eu não temi, pelo contrário senti o Senhor ali e de alguma forma sabia que tudo acabaria da melhor maneira possível. Pai, não deixe que aquela fé se vá, não deixe que os acontecimentos futuros me afastem de Ti. – Sophia parou novamente.

– Ah, Paizinho, eu sei que devo perdoar o Pedro, e me ajude a fazer isso, me ajude a olhar para ele e não sentir raiva ou ódio. Senhor, não permita que ele morra, que ele possa ter a chance de escolher o Senhor, que ele possa ter uma segunda oportunidade.  Senhor guarda a vida dele... Em nome de Jesus, amém.

Sophia foi até o banheiro de seu quarto, escovou os dentes e logo depois desceu, encontrou os pais na cozinha.

– Bom dia, querida. – Ana disse puxando a filha para um abraço.

– Oi, mãe. Oi pai! – Gustavo também se aproximou amaçando a filha.

– Você conseguiu dormir? – Perguntou Gustavo.

– Acho que é impossível não conseguir dormir entre os pais. – Sophia disse sorrindo. – Eu dormi bem pai.

– É bom ver você sorrindo. – Ana disse feliz.

– Vocês sabem alguma coisa sobre o Pedro? – Estrela perguntou.

– Sabemos sim, ele chegou a tempo no hospital e foi atendido, mas o tiro atingiu a coluna vertebral e acabou causando lesões, parece que ele ficou paraplégico... – Gustavo parou, esperando a reação da filha.

Sophia não soube o que sentir, estar feliz por ele não ter morrido ou ficar triste porque mesmo ele estando bem, acabou perdendo a capacidade de andar.

– Filha, não precisa ficar lutando para definir o que você está sentindo. Você pode ficar triste por ele ter perdido a capacidade de andar ou estar feliz por ele estar vivo e ter uma nova oportunidade. O que o Pedro fez ontem é culpa dele e ele precisará aprender que consequências vem de todas as nossas decisões. – Disse Ana.

– Eu sei mãe...

– O Tiago já ligou para saber como você está. – Disse Gustavo.

– Nossa! – Sophia disse levando as mãos à cabeça. – Eu me esqueci completamente dele e da Jú, como é que eles estão?

– Parece que o Tiago está bem, na medida do possível. Ele é muito corajoso, não é a primeira vez que defende você.

– Não, não é a primeira vez. – Disse estrela.

– Já a Júlia, bom ela está muito abalada. Ela se faz de durona, e de uma grande jovem, mas ainda é uma menina medrosa, palavras da Luciana. – Disse Ana. – Ela também disse que a Jú vai ficar bem.

– Espero que sim. – Sophia disse apresentando um sorriso fraco.

– Vocês terão que ir depor contra o Pedro...

– Não estou preparada ainda para isso, pai.

– Eu sei, o delegado virá até aqui amanha fazer umas perguntas. É necessário querida.



Depois do café, Sophia se sentou com a mãe para conversar.

– Mãe, eu já tenho que perdoar o Pedro?

– Querida, ficar guardando raiva não é nada bom... Não digo que é possível perdoar alguém no mesmo momento, mas é necessário o perdão, não demore a tomar essa decisão, sua vida pode mudar por ter tantos ressentimentos ruins por uma pessoa.

– O pior é que eu não tenho quase nenhum sentimento ruim, eu não sou apaixonada por ele ou nada desse tipo, é só que o meu coração sabe que deve perdoá-lo e é isso.

– Eu sei, mas você deve tomar cuidado para não manter a raiva escondida em você, às vezes isso acontece, você a esconde por muito tempo e depois ela explode causando sérios danos, se você tiver com raiva deixe-a sair e você irá superá-la ao nosso lado e com o Senhor.

– O.K. mãe, se ela estiver aqui vou encontra-la.

– Promete pra mim?

– Eu prometo.

– Sophia, telefone para você. – Disse Gustavo apontando para a sala.

– Quem é? – Perguntou Sophia.

– É o Tiago.

Sophia se levantou e foi até ao telefone, sentou-se no braço do sofá.

– Oi.

– Olá, moça.

– Você está bem? – Sophia mudou seu tom de voz para um ar preocupado.

– É, estou. Nunca pensei que você pudesse ter namorado com um cara tão louco.

– Isso eu também não sou capaz de imaginar. Nunca pensei que isso aconteceria com a gente...

– O delegado já foi na sua casa?

– Ainda não, papai disse que ele virá amanha.

– Hum, sim. Ele já veio aqui na minha casa e fez muitas perguntas. Mas eu fiquei tipo, sem o que dizer, em momentos assim você não raciocina direito.

– Sei bem como é, não tenho a mínima ideia do que dizer. Uma hora eu o vi chegando, na outra ele já tinha uma arma apontada para nós, e depois apareceu aquele outro homem, que nos salvou... É tudo tão confuso! – Sophia disse frustrada.

Houve um silêncio na linha, apenas o som da respiração de ambos.

– Você já falou com a Jú? – Perguntou Sophia.

– Ainda não, liguei pra casa dela, mas a tia Luciana disse que ela estava dormindo. Parece que não conseguiu dormir a noite, só agora de manha.  

– É complicado, mas nós estaremos juntos com ela, certo?

– Uhun.

– E fica tranquila, ela é mais forte do que você imagina! – Houve mais um silêncio na linha. Até que Tiago falou novamente. – É... Como é que você está de verdade?

Sophia pensou, queria formar palavras para se definir, mas não sabia como.

– Olha só para constar não estou apaixonada ou odiando ele, estou triste pelo que aconteceu e estou triste por ele ter perdido a capacidade de andar. Espera, você já sabia dessa informação?

– Não, não sabia, obrigada por informar.

– Então, eu não devo estar triste, mas estou e não estou com raiva nem ódio, ah, sei lá estou confusa!

– Percebi. Mas relaxa, as pessoas mais interessantes são as loucas e confusas.

Sophia riu.

– Tirou esta informação de onde?

– Não revelo as minhas fontes, não mesmo. – Tiago sorriu. – Vai ficar tudo bem, eu garanto.

– Eu sei.



S2



– Eu quero ver a Sophia. – Pedro falou.

– Você não pode ver a garota que você quase matou. Ela que tem que querer ver você e isso só poderá acontecer depois que você for à delegacia. – Disse o advogado de Pedro.

– O Lucas já foi preso?

– Não, ele está foragido. Você sabe onde ele pode estar? Você não pode esconder nada agora, o culpado desta história é ele.

– Não, fui que pedi a arma, ele não quis me dar, então eu bati nele e o deixei inconsciente, o que ele fez foi a única forma possível de me impedir de cometer o maior erro da minha vida. 

– Olha, isso tudo está muito confuso. Você precisa de uma boa história para sair disso tudo.

– Sair? Uma boa história? – Pedro disse indignado. – Eu preciso dizer a verdade e pronto! Já fiz mal a muita gente, preciso pagar por isso.

– Você é apenas um você inconsequente, se ousar contar toda a verdade também irá se enrascar. Não andar mais já é uma consequência das boas, seu pai não me enviou aqui para te ajudar a dizer a verdade, ele me enviou para não deixar que você seja preso.

Pedro não acreditou no que estava ouvindo, não queria acreditar no que seu pai estava armando. Ele tinha errado, e o pai deveria estar ali para puni-lo, ensiná-lo, mas havia pulado do barco e mandado alguém para limpar os rastros.  

– Me empresta o seu celular? – Perguntou Pedro.

– Para que? Eu quero falar com o meu pai, por favor.

– Para o seu pai.

Pedro pegou o celular, mas não foi o número do pai que ele discou. Ele esperou ansiosamente que o telefone fosse atendido. E então ouviu a voz inesquecível.

– Alo?

– Oi.

– O que você quer Pedro? – Perguntou Sophia, com a voz estremecida.

– Apenas saber se você está bem?

– Como você quer que eu esteja bem depois de tudo que você fez?

– Eu sinto muito. Muito. Muito mesmo.

– Como você está? Eu soube da perna. Sinto muito.

– Estou bem, mas não é como eu estou que importa. Preciso de um favor.

– Precisa?

– É, preciso. Neste momento um advogado está na minha frente, e quer que eu minta sobre tudo que aconteceu. Eu preciso dizer a verdade, e preciso que você me diga que é isso que eu devo fazer. Você sempre disse que a verdade deve sobrevir.

– Você deve dizer a verdade, não perca seu sono se arrependendo de ter levado a verdade trancada com você. É mais fácil superar livre da mentira.

Carlos o advogado tentou pegar seu celular de Pedro, mas as tentativas foram em vão. Pedro podia estar paraplégico, mas seus braços tinham um gingado incrível.

– Obrigada.

Pedro desligou sem ouvir mais o som da voz de Sophia.

–Você sabia que não podia ter ligado para ela. Ah, eu desisto. – Disse o advogado, indignado.  – Você só dará problemas! Arrume um novo advogado.

Havia muitas vozes naquele quarto, vozes boas e ruins. Como falei antes, o Mestre nos pediu que ajudasse a Pedro tomar a decisão correta, e nós tentamos, fizemos tudo que podíamos, desde falando até impedindo que ele conseguisse a arma, mas a vontade de um homem pode se tornar uma fúria e o que você escolhe nós não podemos mudar.

 Às vezes é necessário um susto para os humanos aprenderem, não que o Mestre queira que seus filhos aprendam com a dor, muito pelo contrário, Ele tenta ensiná-los através do amor, desde pequenos, pela bíblia, pelos mais velhos, pelas situações mais simplórias Ele ensina, o Espírito Santo está presente em cada um, para ajudar a encontrar e distinguir o bem e o mal.

 Pedro ouviu a voz do bem, ouviu os anjos que estavam presentes ali, ele decidiu falar a verdade. Pequenas atitudes, pequenas decisões podem mudar toda uma história.






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8 Comments

  1. A cada vez melhor em! *--*
    Só não entendi esta parte: – O Tiago já ligou para saber como você está. – Disse Tiago.
    Me explique, kk

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    Respostas
    1. Que bom que gostou *---*
      kkkkk , foi erro de digitação ;//
      Me perdoa :D
      Estou indo corrigir .

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    2. Tudo bem amor *--*
      Está tudo perfeito, viu!

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    3. awwn *-*
      Obrigada pelo carinho, My.

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  2. Thaís Esta maravilhoso esse capitulo, cada vez melhor³ rsrs... Mas acho que ouve outro erro de digitação, não é critica mais só para ajudar mesmo.. Nesse trecho aqui: (não seria o Tiago está bem em vez de Pedro?)

    – O Tiago já ligou para saber como você está. – Disse Gustavo.

    – Nossa! – Sophia disse levando as mãos à cabeça. – Eu me esqueci completamente dele e da Jú, como é que eles estão?

    – Parece que Pedro está bem, na medida do possível. Ele é muito corajoso, não é a primeira vez que defende você.

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    Respostas
    1. Que bom que está gostando, Princesa *-*
      E claro é ótimo saber que vocês estão ligadas, e obrigada pela ajuda.
      Me perdoe pelo, é muita correria ;/
      Deus te abençoe.

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