Confiar - Capítulo 13

terça-feira, maio 21, 2013

Olá meninas *-* 
Depois de alguns longos dias consegui finalmente postar um novo capítulo de Confiar. Espero que vocês gostem e sejam abençoadas. Deixem suas opiniões sobre Sophia, ela está chegando em uma fase muito importante da história! ;]
Beijinhos & fiquem com Papai do Céu :**




Sophia estava deitada com as pernas para o alto balançando-as freneticamente, enquanto levantava hipóteses sobre a ligação de Pedro, não conseguia entender como ele havia tido coragem para ligar, se ela fosse ele, com certeza não teria ligado. Mas nem havia tanto problema assim, já que ele havia pedido um conselho, certo? Talvez, calculava Sophia.

O celular começou a tocar tirando Sophia de seu mar de dúvidas, era Jú, como ela havia se esquecido de ligar para a Júlia? Estava agora brava com si mesma.

- Oi, Jú!

- Ei, moça. Você está bem? - Perguntou Jú.

- Uhun, estou bem, intrigada, mas bem. E você?

- Estou levando e por que você está intrigada?

- Você nem imagina quem acabou de ligar pra mim. - Sophia disse deixando Jú curiosa.

- Quem? 

- O Pedro! 

- Como? Por que? - Jú abandonou seu tom de voz curioso dando lugar a raiva.

- Como eu não sei, o pouco que eu sei é que ele está internado em um hospital e por falar nisso, ele está paraplégico... - Ouve uma pausa na linha, um peso de pena, até que Sophia voltou a falar. - Mas, então, eu fiquei tão surpresa com a ligação que não consegui perguntar muitas coisas, embora agora essas perguntas estejam furando o meu crânio. 

- Entendo perfeitamente. O que ele queria?

- Queria um conselho. 

- Ele te ligou para pedir um conselho? Quem liga para uma pessoa pedindo conselho depois de tentar matá-la? É um imenso absurdo, você não acho? - Jú indignada.

- É, eu acho um absurdo, mas não é tão ruim, melhor do que se ele estivesse me ameaçando de novo... E dar um conselho não mata, né? 

- Literalmente espero que não. 

Sophia sorriu. 

- Também espero.

- Ele queria conselho sobre o que? - Júlia deixou sua raiva de lado, optando pelo caminho da curiosidade. 

- Oh, Pandora! Agorinha estava brava, agora já está curiosa! - Estrela disse rindo. 

- Pandora? Eu não sou curiosa como ela, acho que você é muito mais! - Jú parou para rir. - Para de me enrolar e responde!

- Okay. Bom, ele queria saber se deveria dizer a verdade sobre o que aconteceu, ele disse que tinha um advogado na frente dele e que esse cara queria inventar um desculpa sobre os acontecidos... E eu disse que ele deveria dizer a verdade, é o melhor para seguir em frente. 

- Dizer a verdade... - Jú repetiu, pensativa. - Estou com muita, muita, muita raiva dele, tipo no nível 10. 

- Deixa eu ver, esta é a sua verdade? - Perguntou Estrela.

- Exato, e eu passei a metade da noite odiando o que ele fez, tendo mais raiva dele a cada segundo. 

- Você sabe que não pode ter raiva, né? Tem que entregar nas mãos de Deus e deixar que Ele leve essa dor de você. - Estrela disse calmamente, com amor e paciência. 

- Eu sei, mas ainda não dá para assimilar as coisas, preciso de mais tempo... 

- Só não perca tanto tempo fazendo isso, promete? 

- Prometo. E você está com raiva? 

- Raiva? Não, mas estou curiosa, de fato. Preciso saber de alguma forma o porque disso tudo, tenho que saber a versão dele... 

- E você vai dar um jeito para descobrir isso? 

- Vou sim. 

- Estranho.

- O que? 

- Você deveria estar triste e desolada com isso.

- Quem disse que eu não estou? Eu gostei daquele cara, Jú, abandonei tudo o que eu era por ele, me perdi e pequei, mas graças à Deus consegui me recompor, mas dói sabe, dói saber o que ele fez, e mais ainda o que poderia ter sido de mim se tivesse ao lado dele. Eu não gosto dele como gostava antes, mas ele é uma parte do meu passado, uma parte da minha história e estou triste pelo que ele fez e pelo o que ele teve como resposta aos seus atos. 

Houve uma longa pausa na linha, enquanto uma lágrima rolava pela face de Sophia. 

- Entendo, e você ainda pensa em querer saber a história toda? 

- Eu não posso seguir em frente tendo como único pensamento que o garoto por quem eu me apaixonei era um monstro, todos possuem um segunda chance e quero ver se ele está disposto pela dele. Você lutou por mim, mamãe e papai lutaram por mim, alguma coisa aqui dentro está me dizendo que devo lutar mesmo que um pouquinho por ele, sabe? 

- A Estrela que eu conheci pequenininha está voltando. Só não se fere no meio disso tudo, ? Toma cuidado. 

- Pode deixar. 

- Tenho que ir agora. Beijinhos, fica com Deus e muito juízo, hein menina!? 

- Isso é o que eu mais tenho. Fica com Ele também, beijos. 

Sophia continuou deitada, mergulhando eu seu mundo, queria soluções, queria escrever, queria muitas coisas ao mesmo tempo, só não queria levantar para fazer. Ela se virou ouvindo uma batida na porta, seguindo de uma de suas vozes preferidas. 

- Querida, posso entrar? - Perguntou Ana. 

- Claro que sim, mamãe. 

Ana disse sorrindo, entrou e se jogou sobre a cama, agarrando a filha em um abraço de urso.

- Você está bem? 

- Cheia de pensamentos e com um pedido um pouquinho diferente. 

- Cheia de pensamentos é normal, mas um pedido diferente? O que exatamente? 

- Deixe eu te contar um acontecimento recente primeiro. 

Sophia contou a mãe sobre a ligação de Pedro, sobre a sua curiosidade sobre tudo o que aconteceu e sobre querer respostas dele. Disse do seu desejo de ajudá-lo, deixando a mãe curiosa e preocupada.

- Eu sei que agora sim você está voltando a ser a Sophia de antes, que se preocupa ao extremo com as pessoas, que deseja ajudar e se auto ajuda muito rápido, estou vendo que a sua vontade de fazer perguntas está aumentando e que em breve verei você escrever muito. 

- Verá eu escrever muito? Eu nunca parei de escrever. 

- Escrever apenas no seu diário não vale, cadê seus manuscritos? Suas histórias, seus textos? É disso que estou falando, mas enfim... 

- Ei, espera, Anne Frank ficou conhecida pelo seu brilhante diário! 

- E eu posso publicar seu diário? Ele também é brilhante? - Ana disse sorrindo. 

- Não, não pode, porque ele não é tão brilhante assim. 

- Então trate de voltar a escrever mocinha, preciso publicar você. 

- Eu vou voltar. 

- Mas, enfim, sem que você me interrompa novamente, eu não sei se é uma boa você ir conversar com o Pedro, primeiro ele tentou matar você, pode estar arrependido, mas ainda sim não deixa de ser perigoso. Sabe, meu lado mãe racional não permite uma coisa dessas? 

- Mãe, e o seu lado escritora? Você é uma jornalista curiosa e vive das respostas que consegue para as suas perguntas, a senhorita precisa de histórias para viver, eu sei disso. E eu também preciso das minhas respostas. 

- Você precisa logo dessas? Nós podíamos tirar uns dias de folga e você encontraria muitas respostas interessantes em cidades históricas? Que tal Petrópolis ou Ouro Preto? Você ama história, coisas antigas e tudo mais, poderia fazer muitas perguntas e ter muitas respostas. 

- Eu gostaria muito disso, muito mesmo e não vou deixar essa sugestão se apagar da minha memória, mas primeiro eu preciso ouvir as respostas do Pedro. 

- Sophia...   


Ana não deu uma resposta imediata a Sophia, primeiro teria que conversar com Gustavo e juntos chegar a uma conclusão, e depois ver com a advogada deles se isso seria possível, o desejo de Sophia não deveria ser comum, não nessas circunstâncias, mas a moça nunca havia sido comum, assim como Ana sabia que jovens escritores são cheios de perguntas. 

Você teria a coragem de Sophia? Talvez sim, talvez não. Ela não estava apenas sendo motivada por suas perguntas, por sua curiosidade, dentro dela havia uma chama dizendo que Pedro iria mudar e ela queria ajudar. Não era uma obrigação dela, mas ela estava disposta a ajudar na missão. 

Em algumas análises Pedro seria considerado um inimigo, pelos desejos humanos deveria ser banido, rejeitado, odiado, mas por um filho de Deus deve ser respeitado, querido e amado. Jesus disse que não se deve odiar o inimigo, pelo contrário, deve-se amá-lo, deve-se interceder pela vida dele (Mateus 5:43). É tão fácil para Sophia amar Júlia, amar os pais, amar a Tiago, mas será que é tão fácil assim amar as antigas amigas, Carol, Paula e Bella? É fácil olhar para Pedro e não sentir ódio, depois de tudo o que ele fez? 

Te garanto que não é nada fácil, e na mente de Sophia há um desejo de odiá-los e nunca mais olhar para eles, mas ela sabe que deve perdoá-los, que deve orar, ela aprendeu que ser uma princesa, ser filha do Rei significa perdoar e amar aqueles que se podem ver, para que assim se possa amar Aquele que não vos é visível aos olhos. 



s2

Naquele domingo Sophia foi com a família à igreja. 

- Precisamos agradecer a Deus por você e seus amigos estarem bem, e qual maneira melhor do que ir a casa Dele e adorá-Lo?!

O culto realmente foi maravilhoso, mesmo a mente de Sophia querendo arrastá-la para pensamentos da noite anterior, e desejando pela resposta de sua mãe ao pedido que ela fez, conseguiu se desligar de tudo e agradecer a Deus a cada segundo daquela noite. 

Ao término do culto, enquanto saía pelo corredor da igreja, ela encontrou Tiago. Ele estava sorrindo para ela e tinha um embrulho nas mãos. 

- Olá. - Disse ele sorrindo. 

- Ei, sr. Você está bem? 

- É, eu estou  e a senhorita? 

- Bem também. 

- Eu trouxe isso para você. - Tiago com seu sorriso entre covinhas entregou para Sophia o pacote que segurava. 

- Um presente? - Curiosa foi logo abrindo. Ele não respondeu mais nada, apenas continuou sorrindo. Sophia abriu o presente e se deparou com um lindo diário, ele tinha uma capa antiga, como se tivesse sido extraído de um velho livro. De cor marrom, ele possuía um coração dourado com uma pequena fechadura vinda de uma aba que o mantinha fechado. Peculiar e perfeito, Sophia não poderia estar mais contente, ela ficou pasma durante alguns instantes. 

- Não vai falar nada? Nem um mísero obrigada? - Tiago perguntou. 

- Palavras me faltam neste momento, onde você achou isso? É perfeito, Tiago! - Sophia disse pulando de alegria. 

- É antiquado, há alguns dias me recordei do quanto você gostava de coisas antigas, acabei encontrando um livro bem antigo e resolvi fazer um trabalhinho nele, com as minhas mãos mágicas o transformei no seu novo diário. - Ele parou de falar enquanto Sophia o abraçava. Ele ficou encantado com a felicidade da amiga. - Eu pensei que o seu diário deve estar recheado das últimas histórias tristes que aconteceram e sei que você deseja virar estas páginas, e já que está começando uma história nova é necessário um novo diário.

- Muito, muito, muito obrigada! Eu realmente precisava de um diário novo. 

- Acho que este será um bom amigo para você, ele sempre estará disposto a te ouvir, assim como eu. 

- Ah, que gracinha. - Estrela disse sorrindo. 

Segurando a mão dela, ele a conduziu até o carro onde Ana e Gustavo a esperavam. 

- Boa noite, Sr. Gustavo e Sra... - Tiago foi interrompido por Ana. 

- Não ouse me chamar de senhora, Tiago. - Ana disse Sorrindo. 

- Ah, não farei novamente. - Tiago disse corando. 

- Está na hora de ir. - Gustavo disse.

- Até mais! E muito obrigada de novo.

- Nada.

O carro se foi enquanto Sophia sonhava com seu novo diário. 

Enquanto o mundo dorme o coração de Sophia desperta, desejando a presença do Mestre, em meio a madrugada, ao luz do luar que penetrava a sua janela, ela se pôs de joelhos e orou ao Senhor.

- Mesmo que eu ande pelo vale da sombra da morte o Senhor continua comigo, mesmo que eu peque, seja infiel, não desistes de mim, ah Senhor, eu não tenho palavras para agradecer todo esse amor, só peço que me ajude a não me afastar dele. Todos esses acontecimentos foram resultados de escolhas ruins, escolhas que eu procurei tomar sozinha, hoje sei que não posso sozinha, que meu julgamento é falho e o mundo só quer me afastar da Tua presença, hoje eu sei que só o Senhor tem o melhor para a minha vida. 

"Te entrego a minha vida, entrego os meus sonhos e objetivos, cuida da sua filha, Pai, faça  a Tua vontade sobre mim... Eu sei que devo perdoar e seguir em frente, realmente estou destinada a isso, mas o Senhor sabe o quanto um coração é falho, o quanto a carne quer odiar certas pessoas, por favor Pai não me deixe odiá-los, me ensine a amá-los e ajuda-los. Eu quer ser melhor, eu desejo ser a filha que o Senhor merece. Muito obrigada por todo o Seu amor, muito obrigada por tudo. Em nome de Jesus, amém!" 

Sophia voltou até sua cama e abraçou o velho ursinho que havia sido dela quando criança, ela não sabia, mas naquele instante Jesus sentou em sua cabeceira e alisou seus cabelos até que ela pegasse no sono. Olhando carinhosamente para a filha de seu Pai, Jesus sorriu e sussurrou:

"Nós estamos aqui..."

Sophia despertou toda animada, sem ter que ir a escola, ela acordou disposta a cantar, a orar e até mesmo a pregar. Um novo alvorecer surgiu permitindo a ela começar um novo capítulo da sua história.

- Sophia! - a voz de Ana ecoou pela casa. 

- Já vou, mãe. -  descendo as escadas Sophia seguiu até a cozinha, cantarolando. 

- Hoje alguém acordou tão animada... - Ana disse sorrindo. 

- É acho que sim. 

- Excelente! 

- Você não tinha que ir trabalhar hoje? - Sophia perguntou curiosa. 

- E a senhorita se esqueceu que hoje provavelmente tem um encontro importante? 

- Encontro importante? 

- A policia virá aqui hoje conversar conosco. 

- Ah, sim. tinha me esquecido dessa parte. - pensativa, Sophia ficou alguma segundos sem falar. - Mãe, o que eu vou falar? Não tem muita coisa para ser dita.

- O policial fará algumas perguntas querida e você apenas irá responder. Fique tranquila, tudo irá dar certo. - Ana deu uma piscadela para a filha. 




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Sentada no balanço que havia no jardim de sua casa, Sophia anotava versos em seu novo diário, imersa em pensamentos criativos não percebeu quando a campainha foi tocada, só voltou para a terra quando Ana se aproximou e a chamou.

- Filha, eles chegaram. 

Sophia assentiu, levantando-se, caminhando ao lado da mãe cruzou o pequeno jardim que a fez trasbordar de paz tantas vezes. 

- Olá, Sophia. - Disse um policial, com um rosto simpático.

- Oi. - ela disse cumprimentando-o.

- Então... Eu tenho algumas perguntas para fazer à você relacionadas ao acontecimento de sábado.

- Ok.

- Sophia, com quem você estava naquela noite? 

- Com os meus amigos, Tiago e Júlia. 

- E vocês estava lá fora, certo? 

- Isso.

- E o que aconteceu? - Ele perguntou atentamente. 

- Eu tinha entrado para pegar sorvete, minha mãe pediu que entrássemos, quando fui chamá-los acabamos emendando em uma nova conversa e de repente o Pedro apareceu. 

- E quando ele chegou perto de vocês disse alguma coisa? Ou vocês disseram alguma coisa a ele? 

- Ele chegou e não disse nada, então o Tiago perguntou o que ele queria, com uma voz sombria ele disse: "O que eu quero?" e de repente apontou a arma em nossa direção. - Sophia terminou de falar e firmemente segurou a mão da mãe.

- E como ele estava? Depois de apontar a arma o que ele fez exatamente? 

- Ele não tomou nenhuma atitude, apenas ficou ali apontando ela para nós. Tremia muito e suava também, ele demonstrava em sua face fúria, mas também carregava uma certa ironia como se estivesse tendo o controle de toda a situação, o que ele realmente tinha até aquela outra pessoa aparecer... 

O policial assentiu.

- Você conseguiu ver a outra pessoa? 

- Não, ele estava na parte escura da rua, só dava para ver a sua mão segurando uma arma. 

- E logo que ele chegou a arma foi apontada para quem? 

- Para a minha direção e o Pedro estava tão ocupado tentando se manter de pé, que não percebeu a pessoa chegando. 

A conversa foi longa, o policial pediu a Sophia todos os detalhes, buscando entender o angulo dela da situação, ao terminarem a conversa Sophia ansiava por ouvir a resposta ao pedido que havia feito a mãe. 

- Sua mãe me informou do seu pedido, você quer ver o Pedro, certo? 

- Certo. 

- É uma situação inusitada, mas adolescentes são sempre surpreendentes... 

- Então? - Sophia perguntou apressada.

- Então, ele está sendo vigiado e se você seguir algumas regras não haverá  problemas. 

- Claro, quais regras? 

- Ele ainda não falou nada a polícia, não a história toda, parece que ouve um problema com advogado e enfim, nós gostaríamos que você conversasse com ele e talvez obtivesse algumas respostas.

Sophia olhou para a mãe, ela balançou a cabeça para o lado, demonstrando dúvida e deixando a Sophia a oportunidade de tomar a decisão. 

- Ok, eu aceito as regras. 











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2 Comments

  1. Ai meu Deus, sempre acaba na melhor parte, kk *--*

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  2. Ansiocissima para o próximo capítulo,
    Está cada vez melhor.
    *---*

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