O Conto da Princesa - Quem Eu Sou?

segunda-feira, setembro 02, 2013

Olá, Meninas *--*, à Paz de Cristo! Como vocês estão?
Nessa última semana eu fiquei bem enrolada e nem postei muito aqui, peço minhas desculpas quanto a isso, mas para recompensá-las decidi postar esse conto que Deus vem colocando no meu coração. Estarei postando-o durante as segundas-feiras e espero que Deus abençoe a vocês através dele *--*
Boa Leitura ;**

O Conto da Princesa - Quem Eu Sou? 



Sentada na velha cadeira de balanço que ocupava um espaço em frente a janela de seu quarto, Elise se mantinha no monótono ritmo da cadeira, enquanto seus pensamentos voavam assim como as estações. Os últimos meses haviam sido extremamente difíceis, era como se o inverno não tivesse um fim, o sol já não mais brilhava, a brisa gostosa de fim de tarde não agitava mais seus cabelos.
Desde que começara a ouvir ofensas, a conhecer apenas as versões que as pessoas criavam dela mesma, Elise foi se perdendo, esquecendo de quem ela era e do porque existia. Os terríveis boatos sobre a vida de Elise começaram assim que o pai se separou da mãe, indo embora de casa após se envolver com uma garota mais nova, a cidade inteira começou a criar histórias maldosas como se fossem uma grande revista de fofoca. Na escola a garota começou a sentir os reflexos das conversas que os colegas tinham em casa, se o pai era um traidor, imagina o que ela poderia ser.
Eram histórias idiotas e totalmente sem fundamento, mas em uma cidade pequena como Olympia, qualquer coisa poderia virar uma imensa novidade, o que antes era fácil de ser ignorado, rapidamente foi encontrando solo fértil no coração da garota e as lágrimas se tornaram mais comuns que os sorrisos.
Ao 14 anos, Elise não estava preparada para lidar com as mentiras alheias. Ver o pai indo embora, sabendo que havia traído a mãe já era demais para ela. Seu referencial, seu herói, aquele que havia jurado amor eterno a uma mulher tão dócil, simplesmente estava se fazendo ausente agora, abrindo mão da história que haviam criado, esquecendo a filha que tinha, abrindo mão do mundo que pertencia a eles, a Elise, para ir conhecer o mundo...
Era exatamente assim que Elise enxergava aquele momento, cada dia sentia mais raiva do pai, mais ódio pela escolha que ele havia feito, por fazer a sua mãe sofrer, por fazê-la sofrer...
Enquanto olhava um forte vento levar as folhas das árvores e carregar as fortes nuvens para outras regiões, Elise decidiu que era hora de despregar a bunda daquela velha cadeira.
- Que tal explorar um pouco? - Ela se perguntou.
Descendo as escadas, ela só parou para pegar o velho casaco pendurado próximo a porta, e abaixando-se para calças as velhas botas amarelas.
- Talvez o mundo tenha uma novidade melhor para mim! - Ela disse enquanto girava sobre os calcanhares e dava ao mundo o primeiro sorriso daquele dia.
A casa de Elise era a última de uma rua bem pequenininha, ali todas as casas possuíam um grande quintal, fazendo com que cada uma delas fosse um pouco distante. Logo atrás de sua casa, havia uma imensa mata, com grandes pinheiros e tantas outras diferentes que Elise nunca conseguiu decorar a lista que o pai lhe passara.
Olhando para o relógio, a moça viu que ainda faltava algumas horas para a mãe chegar em casa, e mesmo que andar sozinha pela floresta não fosse permitido, ela tinha tempo de sobra para ir e voltar sem que a mãe se quer desconfiasse. Seguindo em direção a velha trilha feita pelo pai, Elise se dirigiu ao inesperado.
- Uma aventura. Talvez seja disso que eu estou precisando. Ficar sentado naquele quarto o dia todo não vai adiantar muito. O pessoal da escola vai continuar inventando coisas sobre mim, as minhas "ex-s" amigas vão continuar me ignorando, o mundo não vai mudar... Mas eu posso fazer uma coisa diferente, posso andar por essa trilha, descobrir alguma coisa, ou dar um fim para essa dor... Muitas coisas! - Elise disse, numa tentativa de parar os fortes sentimentos que assombravam seu interior.
Vazio. Ela se descobriu sentindo mais uma vez. Um vazio daqueles que levam toda a alegria, toda a razão, toda a crença no lado bom da vida. Um vazio tão grande que a fez recordar de um grande penhasco que havia no final daquela floresta. Ela havia sumido até ele com o pai uma vez. Pai! Ela se encheu de raiva quando pensou nele mais uma vez. Ela chutou uma pedra, com toda a força que tinha, enquanto se direcionava para o caminho que levava os penhasco.
Após caminhar 1 hora inteira, Elise já estava com fome e sentindo cansaço, mas nem suas necessidades físicas conseguiam espantar o vazio que ocupava o seu coração, correndo, ela desejou chegar logo ao lugar que poderia por um fim a sua dor.
Depois de mais algum tempo caminhando, Elise chegou a uma encruzilhada, que não se lembrava de ter visto da última vez que estivera ali. Duas setas posicionadas para lados distintos chamaram a atenção da garota.
Linda Vista - Perigosa, Mantenha Cuidado. Dizia a placa que apontava para a esquerda.
Enquanto a placa da direita dizia o seguinte: Rua Himmel.
A primeira placa era daquelas amarelas que nós vemos nas beiras das estradas, estava velha, toda pinchada, haviam plantas agarradas nela, nada cativante, mas era o local que ela queria ir, então não poderia ficar desfazendo. Porém, a outra placa, aquela que trazia a palavra Himmel, havia chamado sua atenção, Elise conhecia aquela palavra, só não se lembrava de onde. E a placa era tão bem cuidada, estava pintada de azul e a palavra havia sido desenhada como se fossem nuvens, era como se a placa recebesse cuidado especial todos os dias, não havia uma planta sequer agarrada a ela e ela simplesmente havia chamado a atenção da garota.
Embora seu vazio a inclinasse para o penhasco, sua curiosidade de menina queria saber aonde aquela bela placa levava. Afinal, ela não se recordava de uma rua ali e não havia visto uma pessoa sequer na trilha, se tinha algo diferente ali, ela poderia ver, poderia dar uma olhadinha e depois ia ver a vista perigosa. Não deveria haver algo naquela rua que fossem tomar tanto tempo dela.

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