Uma aventura à dois #3

quarta-feira, agosto 06, 2014



Oi meninas! Que a paz e o amor do Senhor sejam com vocês. Como estão? Espero que bem! Há três semanas comecei a postar a fanfic Uma aventura à dois, que foi inspirada nos pedidos das minhas amigas/leitoras, se você ainda não viu pode conferir o 1° capítulo aqui e o 2° aqui. Um dos propósitos do blog sempre foi compartilhar as histórias que escrevo com você e desde o ano passado não fazia isso, então estou amando reviver essa experiência e o carinho que tenho recebido de vocês! Muito obrigada *-*



Capítulo 3

 A noite tinha sido melhor do que Ariel podia ter imaginado, mesmo tendo voltado tarde para casa de Camila, às 8:00 da manha já estava acordada suspirando com os ocorridos da noite passada. Eles não haviam se beijado, mas passaram horas conversando o que tornou aquele momento inesquecível. Felipe segurou a mão dela o tempo todo e eles tiraram os sapatos e caminharam pela areia gelada durante um tempo.

Ela não tinha apenas ganhado um amigo na noite passada, mas sim um parceiro para as suas futuras aventuras. Aquele sentimento que vivera no seu coração há tantos anos, aquele desejo de ir além, de conhecer lugares e pessoas, de viver histórias que nem os livros seriam capazes de contar, não estava mais tão distante, parecia que a chegada de Felipe era uma porta para a realização desses desejos. Felipe era apenas o combustível para esse efeito avassalador que crescia no seu peito.

Naquela manhã Ariel esqueceu-se de orar e se quer perguntou a Deus se Felipe era realmente uma boa companhia, estava ocupada demais pensando no presente que a vida tinha trazido.

Ficou na casa da amiga apenas até depois do almoço, porque sua mãe tinha ligado dizendo que os novos vizinhos iriam fazer uma visita a sua casa mais tarde, parece que seu pai havia convidado o pai de Felipe para um churrasco ou coisa parecida, e é obvio que a garota não perderia sua chance. O pai de Ariel era dono do jornal da cidade e embora quase não houvesse o que ser publicado sobre a pequena e acolhedora Valadares, o pai era responsável pela edição de mais três jornais de cidades vizinhas e ter um bom contato com Marcelo Medeiros, o novo dono da fábrica de papel, seria ótimo para os negócios.

Em momentos como esse Ariel se sentia uma filha tão especial quanto as pequenas irmãs, porque o pai adorava apresentar sua mais inteligente e linda filha, futura universitária. E aquele encontro teria algo ainda mais especial.

Ela correu para casa e assim como no dia anterior foi levada até o quintal pelos gritos da mãe. Diferente da tarde anterior não havia nem sinal de que brinquedos faziam parte daquela casa e o jardim estava mais lindo do que nunca. A mesa que ficava próxima a cobertura da área de churrasco estava impecavelmente arrumada e Mel e Ana estavam brincando como gente grande num balanço de ferro que havia no finzinho do jardim.

- Que bom que você chegou querida, vá logo se vestir que nossos convidados vão logo chegar! – Clarice estava vestida com um vestido florido de margaridas que destacava os cachos ruivos.

- Mãe, você está linda! – Ariel deu um beijinho na bochecha da mãe e foi correndo para o quarto.  
Depois do banho, escolheu vestir uma blusa florida, uma saia branca de renda e um casaquinho salmão, com os cabelos soltos, rimel, um pouco de blush nas bochechas e uma melissa rasteira estava pronta e ansiosa. Voltou para o andar de baixo para ver se a mãe precisava de alguma coisa, qualquer coisa que a distraísse por um tempo e não deixasse que ela ficasse tão presa ao mundo da lua. Infelizmente não havia muito o que fazer, seu pai havia contratado uma pequena equipe de churrasqueiros profissionais que já estavam acostumados a cuidar desses pequenos eventos da família e a mãe já havia dado conta da bagunça rotineira da casa, a única coisa que sobrou foi manter as meninas sentadas em frente a tv vendo mais um irritante filme da Disney enquanto as visitas não chegavam.

De todas as princesas a favorita de Ariel era a Bela, diferente das outras ela não vivera a maior parte do tempo a espera do amor da sua vida nem estava presa ao conto de amor à primeira vista, e mesmo Ariel estando com essa ansiedade para ver Felipe ela sabia muito bem que não estava apaixonada por ele. Ariel acreditava que precisava viver muita coisa ao lado de alguém, para depois descobrir que a amava de verdade. Bela passou um tempo precioso no castelo, ela conheceu quem estava por traz daquela fera, ela viveu aventuras naquele mundo estranho e era assim que Ariel queria descobrir que amava alguém.

A campainha tocou enquanto Ariel obrigava a pequena Mel permanecer sentada no sofá, seu pai caminhou até a porta e a abriu recepcionando os novos vizinhos. Sua mãe logo chegou a sala chamando as três meninas para se reunirem no hall de entrada.

- Esta é a minha esposa, Clarice. E as nossas moças, Ariel, Melissa e Ana. – Richard falou com seu sotaque americano.

Paula, mãe de Felipe, era uma mulher linda, seus cabelos eram negros e os olhos tão verdes quantos os do filho mais velho, além de ser muito simpática. O pai, Marcelo e o filho mais novo, que Ariel acabou de descobrir que se chamava Mateus, eram muito parecidos tinham os cabelos num tom de mel e as mesmas covinhas que davam aos dois um ar eterno de meninos.  

Enquanto eles se cumprimentavam Felipe piscou para Ariel e sorriu como se ambos estivessem escondendo de todos o maior tesouro do mundo. Além de Felipe, Mateus parecia muito interessado nela também e sempre que olhava na direção dele deparava com os azuis dele presos nele, mas não havia malícia nele era como se ele quisesse apenas conhecê-la, seu rosto demonstrava a mesma doçura da primeira vez que eles se viram.

Os pais logo se acomodaram na mesa no jardim e entraram nos assuntos tediosos de adultos, as meninas começaram a correr próximas ao balanço de ferro e Ariel, Felipe e Mateus ficaram sem o que fazer ou o que falar. Na verdade havia muita coisa para ser descoberta, mas Ariel não conseguia conversar com Felipe tão intimamente com o irmão dele do lado.

- Conta pra a Ariel sobre o que você está esperando, Mateus! – Felipe quebrou o silêncio que pairou entre eles durante alguns minutos.

- Contar o que Felipe? – Mateus perguntou com ar sério. Ariel olhou para Felipe que piscou e compartilhou um sorriso de criança travessa.

- Conta pra Ariel que como você não sabe lidar com garotas você escolheu esperar pela garota certa escondido no seu quarto enquanto fica lendo aqueles livros velhos... – Felipe ria como se a atitude de 
Mateus fosse a coisa mais engraçada do mundo.

- Não vou entrar nessa de novo. – Mateus corou e olhou para Ariel. – Com licença, Ariel.
Ele se afastou e sentou num banco de madeira próxima a cerca branca que separava o quintal da areia da praia.

- Funciona sempre! – disse Felipe. Eles se sentaram em cadeiras próximas as rosas de sua mãe. Ariel se identificou com a arte da implicância com os irmãos mais novos.

- Você está servindo ao exército? – Ariel perguntou.

- Infelizmente sim, não sou muito patriota sabe? Acho que desde sempre quis ser nômade e estou me programando pra isso, mas enfim estou quase acabando só falta mais uns dois meses de serviço. Daqui a pouco vou ter que me preparar pra ir aliás.

- Ah. – Ariel fez um bico de tristeza e ficou um pouco triste mesmo, queria passar mais tempo com ele. Felipe deu um beliscão de leve no braço dela implicando com sua carinha de tristeza.

- O que você normalmente faz num domingo?

- Vou a igreja de manhã e nos domingos quentes acabo aproveitando para pegar um sol ou nadar, em dias mais frios ou mais atarefados acabo lendo, estudando ou escutando música. Os meus pais acabam saindo na maioria das tardes de domingo, eles vão pro sítio que meu pai acabou de comprar, acabo ficando em casa porque detesto fim do mundo.

- Amanha eles vão pra esse sítio? – Felipe parecia intrigado, pensativo.

- Acho que sim, por quê?

- Fiquei sabendo que há uns quinze minutos daqui tem uma praia excelente pra pegar ondas, a gente podia ir pra lá amanha... – ele sorriu como última tentativa para convencer Ariel.

- Eu não sei surfar.

- Eu te ensino! Se você não quiser ir escondida deles, eu peço o seu pai. Peço agora mesmo se quiser!

- Ta bom! Mas não precisa pedir agora, vou ver depois se eles vão mesmo sair amanha, se forem é melhor você não pedir, porque eles não iriam deixar mesmo...

- Então ta! Tenho que ir vestir minha farda agora. – Ele se levantou e deu um beijo na testa dela. – Tchau! – ele se afastou parando na mesa onde os pais estavam sentados para se despedir, só depois que ela viu ele entrar pela casa foi que Ariel prestou atenção no tempo, o sol já estava se pondo dando um brilho angelical a casa, Ariel sorriu com a ideia de passar um dia tentando aprender a surfar ao lado de Felipe.

Ela nem percebeu a presença da sua mãe a seu lado.

- Querida, por que você não vai chamar o Mateus? Ele parece tão solitário sentado lá. Vá chamá-lo. – Ariel viu a gentileza da mãe e pensou na mentira que teria que contar a ela para viver o dia seguinte, seu coração apertou por um instante.

- Está bem. – ela se levantou e caminhou até onde Mateus estava. Ele estava com os olhos pregados no kindle, lendo algo muito interessante porque nem prestou atenção na chegada da garota. – Mateus, você não quer ir pra lá?

Ele tirou os olhos do kindle e Ariel viu que ele estava lendo As Crônicas de Nárnia de C.S. Lewis.

- Acho que daqui a pouco. - Ele sorriu enquanto Ariel sentava ao seu lado, parecia um pouco confuso tentando encontrar palavras. Ariel decidiu quebrar o silêncio.

- Está lendo qual crônica? – ela apontou para o kindle.

- Estou relendo O sobrinho do Mago, é a minha favorita. – Ele ficou olhando a tela se apagar. – Você acha que estou velho pra ficar lendo Nárnia enquanto deveria estar me socializando no churrasco? – ele perguntou inseguro e confuso de verdade.

- Não, não mesmo. Também leio C.S. até hoje e adoro o jeito como Digory e Polly se aventuram por Nárnia, é uma leitura simples e deliciosa, pra qualquer idade. – Ariel se lembrou das noites que sua mãe ficava sentada em sua cama lendo as obras de C.S. pra ela, era de longe um dos seus livros favoritos.

- Sobre o que o meu irmão disse mais cedo... – Ariel assentiu querendo demonstrar que aquilo não importava. – Eu sou um pouco sem jeito com as garotas, mas não é porque tenho medo delas ou coisas assim, é que pra mim não faz sentido viver dias ao lado de alguém que você não ama nem se vê convivendo no futuro. – ele parou olhando para mar um instante. – Pode parecer loucura, mas minha mãe e meu pai sempre me ensinaram isso e sempre achei que valeria a pena escutá-los.

- Não acho loucura, Mateus, é lindo na verdade. São poucos garotos e garotas que decidem isso hoje, mas com certeza valerá a pena.

- E você? Escolheu esperar também? – ele perguntou olhando nos olhos de Ariel.

- Embora os meus pais tenham um bom casamento, eu vi muita gente quebrando a cara por aí... Acho que eu tenho mais medo do amor do que de outra coisa. Medo de ter o coração quebrado, medo de amar alguém que não me ama, medo do amor não estar mais dentro das pessoas, sabe? – Ariel se surpreendeu com a facilidade com que se abriu com Mateus, ela nunca tinha contado isso pra ninguém.

- Eu entendo, é difícil acreditar em amor, sonhos, em sentimentos de verdade nesse mundo tão louco. O mundo é falho, as pessoas são falhas e do mesmo jeito que hoje acreditam amanha se tornam completamente ateus em relação a algumas coisas... É por isso que prefiro continuar confiando em Deus, Ele não falha, não tarda, vem no tempo certo com a coisa certa, na caso pessoa certo. – ele sorriu e se levantou, sua insegurança havia ido embora e agora Ariel via um rapaz decidido e cheio de sonhos. Ele esperou que Ariel se levantasse e juntos caminharam até a mesa onde seus pais estavam sentados.


Durante toda aquela noite as palavras de Mateus ficaram rondando sua cabeça, ela se lembrou da menina que era, a menina que olhava para a lua e as estrelas e sonhava com um amor de verdade, uma menina que tinha tudo pra acreditar no amor, mas que por ver o sofrimento dos outros preferiu se fechar e sonhar apenas em viver aventuras... Talvez Deus tivesse um plano maior para ela do que ela mesma.

Gostaram? Espero que sim!
Não deixem de depositar suas opiniões nos comentários *-*
Beijos :*

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7 Comments

  1. Aaaaaaah eu sabia que gostaria mais do Mateus! Genteeeee, que menino fofo! Posso pedir um desses pra mim? :3
    Esse Felipe... Não sei não. Acho que ele ainda vai meter a Ariel em encrenca antes de ela se dar conta de quem ele é. Espero que o Mateus a tire dessa, realmente amei ele!
    Eu estou pirando nessa história, Thais! Ta demais! Continue logo, please :3

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    1. Ah, eu amo seus comentários cara kkk Até eu quero um Mateus desse *-* Não vou falar nada do Felipe pra não dar spoilers kk
      Vou continuar, vou :D

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  2. Mateus, seu lindo!! kkk
    Continua Thais, continuaa.. ><

    Beijinhos
    hora-de-acordar.blogspot.com.br

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    Respostas
    1. Kkkkk vou continuar *-*
      Obrigada pelo carinho de sempre. Jamily ><

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  3. Ta na cara q esse Felipe no é coisa boa né?!kkkkk
    Mateus :3

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  4. Taynara-
    Thais eu amei o enredo e toda semana venho conferir se tem mais um capitulo.
    Menina, quando vai sair o proximo?

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