Uma aventura à dois #6


Oi moçada linda! Como combinado no domingo passado, a fanfic Uma aventura à dois, será atualizada todo domingo (pulos de alegria pra quem ainda não sabia haha). Como uma garota eficiente que está aproveitando as férias para colocar suas responsabilidades em dia, aqui vai mais um capítulo (sem atrasos!). Espero que vocês gostem e não deixem de me contar o que estão pensando da história, viu? É muito importante receber um retorno de vocês! E muito obrigada a todas aquelas que tem deixado palavras incentivadoras, de cobrança rs e de amor, dá um gás maior pra trabalhar e conforta o meu coração. Dedico à vocês meninas! 

"Ariel tem 17 anos, está terminando o 3º do ensino médio, é cristã, cresceu dentro da igreja, mas jamais deixou que Deus crescesse dentro do coração, ela passa a maior parte do tempo sentada em frente ao mar sonhando com o dia que começará a viver aventuras de verdade. Hospitais, escritórios, salas de aula, tudo parece muito pequeno para esta menina que sonha em conhecer o mundo, mas tudo a sua volta pode mudar mais cedo do que ela imagina. Com a chegada de dois vizinhos, Felipe e Mateus, Ariel descobrirá dois mundos totalmente diferentes e ambos mudarão sua vida para sempre." 

Capítulo 6

Os pais demoraram chegar, já estava tão tarde e as gêmeas tão cansadas que não foram à igreja, apenas prepararam um jantar e assistiram mais um filme infantil enquanto as meninas ainda estavam acordadas. Os pais se orgulharam de terem encontrado a filha mais velha estudando na escrivaninha, ela era uma moça muito exemplar e eles tinham sorte. Foi o que disseram pra ela, enquanto ela mentia dizendo que não conseguiu sair do quarto o dia todo, porque estava focada demais nos estudos.

Os pais insistiram para que ela saísse do quarto, mas ela apenas jantou e subiu correndo de novo. Eles disseram que ela precisava deixar os cadernos um pouco, talvez assistir um daqueles seriados que tanto gosta ou apenas ver TV por alguns minutos, apenas para distrair. Ariel disse que preferia ver o mar e desceu para a praia com o consentimento dos pais:

- Não demore, querida. – disse a mãe.

- E nem vá muito longe. Fique em frente a nossa casa. – o pai disse enquanto se preparava para subir as escadas.

- Leve o celular. Nós vamos nos deitar, mas qualquer coisa você pode nos ligar. – a mãe que estava na frente do pai já estava subindo os degraus da velha escada de madeira.

- Calma gente! Tô indo pra frente da nossa casa. – Ariel disse rindo.

- Nunca se sabe. - disse o pai.

Assim que Ariel saiu pela porta da cozinha, as luzes da casa foram apagadas e ela mandou uma mensagem pra Felipe dizendo que estava livre. Como o quarto dos pais era de frente para a rua e não para a praia, eles provavelmente não os veriam, mas em todo caso Ariel arrastou a velha cadeira de madeira para a areia, que impediria os pais de vê-la, mas assim eles saberiam que ela estaria nela, caso a procurassem. Já era um costume da garota.

O jardim da casa de Ariel era todo fechado por uma cerca de madeira e foi logo atrás dela que Felipe e a namorada se sentaram. Ali não seriam vistos nem incomodados. Enquanto estava nos braços de Felipe sendo beijada e ouvindo palavras de carinho sussurradas, Ariel não se lembrou do que Mateus dissera mais cedo, a sensação de estar fazendo algo errado parecia muito mais saborosa do que ficar em casa fazendo a coisa certa ou esperando pela oportunidade de fazê-la.

A hora passou voando e Ariel só teve noção disso quando sentiu o celular vibrar ao seu lado. Era uma mensagem do pai pedindo que ela subisse porque já estava tarde. Foi só ai que ela percebeu o que estava quase fazendo, eles começaram a se beijar sentados, mas agora Ariel já estava deitada e Felipe por cima dela. Durante minutos ou segundos, Ariel não tinha certeza, as mãos dele correram pela cintura dela como um namorado não poderia fazer, ele estava agindo como um homem que deseja uma mulher. Ela acabava de ser salva pelo pai, se ele não tivesse mandado mensagem justamente agora, algo que ela se arrependeria depois, provavelmente estaria acontecendo neste momento.      

Ela começou a se levantar, mas Felipe a pressionou para continuar deitada.

- Tenho que ir, Felipe! Meu pai já mandou mensagem, se demorar a entrar ele vai vir aqui fora ver o que está acontecendo. – Ariel sussurrou.

- Vai nada. Só mais cinco minutinhos, vai. – ele fez carinha de triste e quase convenceu Ariel. Ele se aproximou rapidamente e a beijou mais uma vez.

- Mais nenhum minuto, senhor Felipe. Se meu pai pega a gente aqui, acaba tudo! – ela o empurrou e se levantou. Viu que o pai não estava na varanda e correu para casa.

Antes de deitar viu uma mensagem de Felipe que acabara de chegar:

“Você estava ainda mais linda hoje. Que tal termos o mesmo encontro amanha? Não consigo parar de pensar em você!”

Naquela noite Ariel foi dormir decidida a não ter mais nenhum encontro semelhante ao desta noite. Ela não queria cometer o erro de se entregar totalmente para ele. Sabia que isso não teria mais volta. E o que poderia acontecer se o pai descobrisse? E no fundo ainda era uma menininha, ainda.

***

Ariel não acordou tão decidida como estava quando fora dormir, talvez ela pudesse se controlar e controlar a Felipe, ou talvez fosse melhor não se verem novamente tão a sós assim... A melhor maneira de ignorar o assunto era sair logo para a escola e fingir que não estava acontecendo nada, e na arte de fingir Ariel estava ficando muito boa.

Eram apenas 6:10 da manhã e Ariel já estava no centro de Valadares, sentada na van que a levaria para a escola. Ariel estudava numa cidade vizinha que ficava aproximadamente a uns 45 minutos de casa, era uma cidade bem maior que a sua, talvez dez vezes maior, mas não tão grande como São Pedro. Em Esperança havia uma grande escola particular, tradicional e muito bem equipada, que Richard fez questão de avaliar e ver se realmente educaria a filha.

Ariel estava lá desde o jardim de infância e estava bem acostumada com todos os colegas de turma, eram mais como amigos de infância, embora ela não conseguisse se abrir inteiramente com eles. Conversava, se divertia, marcava encontros no cinema com algumas colegas, mas não podia chamá-los de amigos, não conseguia confiar inteiramente em nenhum deles.

Camila e Gabriel eram seus amigos mais chegados, mas eles não estudavam na mesma escola que ela, eles estudavam em uma escola pública de Valadares e só se conheciam porque frequentavam a mesma igreja. E Pedro, Ariel sempre confiou demais nele, mas ele foi embora e nunca mais dera sinal de vida. Ariel não queria mais perder nenhum melhor amigo, e para manter-se assim o único remédio era não fazer mais nenhum amigo.

Aquele foi mais um dia cansativo na escola, ela estudou, estudou e estudou. Durante o recreio tentou ignorar as mensagens de Felipe, ele continuava perguntando se ela queria encontrá-lo essa noite, e embora tivesse acordado indecisa, agora já voltava a pensar que não era uma boa ideia. A Ariel de antes não faria isso. Talvez Mateus tivesse razão, ela estava mudando. Mas como ele sabia disso? Ele não a conhecera antes.

Durante todo o percurso para casa Ariel foi pensando em uma resposta para dar a Felipe.

“Tinha que ter estudado mais neste fim de semana. Fiquei atrasada com alguns conteúdos, preciso aproveitar essa noite pra estudar.” Ele iria rir disso.

“Meus pais vão sair esta noite e vou ter que cuidar das gêmeas. Eles não tem hora pra voltar. Não vou poder sair de casa.” Ele provavelmente veria nisso uma ótima oportunidade pra ir escondido até a casa dela.

“Por que não posso apenas dizer não? Nunca tive medo de dizer não antes...” Mas no fundo ela também queria vê-lo, seu coração procurava por ele e já tinha se acostumado com a companhia dele.
Antes que percebesse já estava de volta ao centro de Valadares e desceu da van. Assim que pisou na calçada da cidadezinha notou que Camila estava sentada no ponto de ônibus, com dois copos de isopor nas mãos.

Café. E um pedido. Ariel concluiu.

- Oi amiga! – Camila disse se levantando e entregando um copo a Ariel.

- Oi, Camila. Em que posso ajudá-la, hoje? – Ariel bebericou o café. Estava quente.

- Nossa! Sou tão interesseira assim? – Camila fez biquinho, o dela tremia como de uma criança de 5 anos que está prestes a chorar.

- Não, você é transparente. – Ariel começou a caminhar em direção a praça, queria se sentar no  gazebo que ficava bem no centro da cidadezinha.

- Ok. Vou fingir que isso não foi mais uma crítica. Minha mãe quer porque quer que eu vá na igreja hoje à noite. Anunciaram no culto de ontem que hoje teria um culto de jovens, e imagina!? justamente ontem minha mãe resolveu aparecer na igreja! Ela acha que Deus vai estalar os dedos e resolver todos os problemas dela e do meu pai. Assim ó! – Camila apertou os dedos, como se Ariel já não conhecesse a mãe dela.

- E o que tenho haver com isso tudo? Meus pais não foram na igreja ontem, eles não sabem desse culto. Não tenho que ir, aliás tenho que estudar um montão de coisa! – Ariel bebeu mais um pouco do café enquanto se sentava.

- Ei! Nada disso. Você passou o dia todo na praia beijando seu homem porque quis! – Camila falou um pouco alto demais.

- Cala essa boca, Camila! – Ariel puxou a amiga para que se sentasse também.

- Quando se começa a namorar alguém, não pode mudar nem um pouquinho, lembra? Essa é a regra número 8 que compõe o nosso pacto de amigas. E você está descumprindo! Você tem que me ajudar, poxa!

- Caramba! Não mudei nada, continuo a mesma. – Ariel se estressou. Lembrou de Mateus, foi suficiente. Depois de uns 20 segundos de silêncio voltou a falar. - Você não podia pedir alguma coisa mais fácil?

- Você sempre foi a igreja. Não é tão difícil assim ir até lá e colocar esse traseiro no banco. Basta ficar sentada, 1 hora e meia no máximo e pronto você está livre! Por favor?

- Ok. Mas você vai ficar me devendo uma! E das grandes!

- Pago sem problemas! Às 19:30 na frente da igreja, fechado? – Camila sorria, feliz.

- Fechado. – Ariel estava chateada. Pelo menos tinha uma desculpa para Felipe.

Caminhou até em casa e subiu os degraus da frente correndo. As meninas estavam vendo Frozen, este ainda era novo e Ariel gostava dele, ela se jogou no sofá e largou a mochila no chão. Ana do filme e a Ana sua irmã estavam cantando a canção enquanto saiam do castelo, Anas encontrando o mundo pela primeira vez. Ariel encontrando o mundo pela primeira vez...

Ela se levantou do sofá pegou sua réplica de Ana e a tirou do chão, começou a cantar e dançar com as irmãs, rodando a imensa sala. Assim que a música acabou elas se jogaram no chão e começaram a rir, amo essas pequenas, Ariel pensou. Foi só ai que viu a mãe encostada no batente da porta, ela ria das meninas, como se ver as três juntas e se divertindo não fosse uma cena tão comum, e na verdade não era mesmo.

Assim que Ariel se recuperou se levantou do chão quando a mãe a chamou com o dedo. A mãe foi caminhando na frente e logo estavam na cozinha.

- Vai ter culto jovem hoje na igreja, sabia? – a mãe perguntou enquanto arrumava o almoço das gêmeas.

- É, a Camila acabou de me falar. – Ariel lavou as mãos na pia e secou no pano de prato que estava em cima da mesa. A mãe detestava isso.

- A pastora Fernanda ligou pra cá, perguntou por que você está tão sumida e te convocou para ir hoje. – a mãe passou um prato para ela. – E estava pensando aqui comigo, seu pai e eu temos faltado demais aos cultos, consequentemente você também. Precisamos trocar os passeios dos domingos para os sábados, para que possamos ir todos juntos.

Ariel não queria isso. Estava bom demais ir aos cultos durante as terças-feiras, não queria ter que parar de sair aos domingos.

- Mas, mãe... As meninas gostam tanto de ir para o sítio! – Ariel deixou o prato em cima do balcão da cozinha e cruzou os braços olhando diretamente para a mãe.

- Sim, elas gostam, mas todos nós precisamos ir à igreja. E não ir para ficar passeando por aí não parece muito justo. Nós não gostaríamos que Deus se esquecesse de nós, certo? E temos coisas demais para agradecer.

- Certo... – Ariel sussurrou.

- Ei. – a mãe deixou os pratos no balcão e olhou gentilmente para Ariel. – Por que seus olhos me dizem que essa ideia é tão ruim? Até uns 3 anos atrás precisava te arrancar na marra da cama nos domingos de manhã, mas você ia. agora parece não fazer diferença se você vai ou não na igreja. O que está acontecendo, filha? – a mãe prendeu uma mecha de cabelo que cobria um dos olhos de Ariel.

- Nada mãe. – Ariel olhou nos olhos dela, para parecer que estava dizendo a verdade.

- Isso tudo está longe de ser nada. Você cresceu lá, deveria amar ir aquele lugar, primeiro porque é casa de Deus, segundo porque lá nós temos uma família também. Você deveria ter outras amigas além da Camila, amigas que poderiam te incentivar a participar dos grupos de teatro, coreografia ou louvor...

- Mãe, nem vem! Você sabe que estou muito bem com os amigos que tenho. E além do mais, o que adianta começar a participar desses grupos agora se vou embora ano que vem? Não vou conseguir pegar nada e acabar atrapalhando os demais integrantes.

- Muitas coisas podem acontecer dentro de 9 meses, filha. Muitas coisas. – Clarice voltou a arrumar os pratos das gêmeas. – Você pode não querer participar dos grupos hoje, mas vai ao culto jovem. Esteja pronta as 19:00. Vou te levar a igreja e sem desculpas.

A mãe saiu da cozinha levando os pratos, deixando Ariel sozinha enquanto arrumava o seu. Sem clima para se sentar na sala, ela subiu as escadas e colocou um episódio de Castle para rodar, assim que terminou de assistir mandou uma mensagem para Felipe dizendo que teria que ir a igreja e que não poderia se encontrar com ele. Jogou o celular debaixo do travesseiro e desceu as escadas para levar o prato para a cozinha. Subiu instantes depois e enfiou a cara nos livros mais uma vez, estava atrasada de verdade e ficou tão absorta nos estudos que ignorou as mensagens de Felipe que chegavam no celular.

***

Ariel só se levantou da escrivaninha às 18:00 hrs, tomou um longo banho e foi até o closet para escolher uma roupa. Pegou uma calça jeans, uma blusa com o rosto da Minnie Mouse e uma sapatilha preta. Penteou os cabelos e os deixou solto, passou uma maquiagem muito leve, apenas com rímel, pó e gloss.

Pegou a bíblia que estava guardada dentro de uma das gavetas da escrivaninha e sentiu falta do tempo que se sentava com a mãe toda tarde para ler algum trecho, às vezes o pai chegava cedo do trabalho e participava também. Mandando as lembranças embora, se olhou no espelho mais uma vez e desceu as escadas. Nem se lembrou de pegar o celular, ele permaneceu debaixo do travesseiro. Segundo o relógio da cozinha eram 18:40 e a mãe preparava mistos quentes para as meninas.

- Sem atrasos, que gracinha! – a mãe disse enquanto colocava um prato e um copo cheio de suco de laranja no balcão. – Lanche e deixe para jantar quando chegar em casa, ta bom?

- Só pra constar estou adiantada. – Ariel se sentou.

- Só se não fosse comer nada. – a mãe sorriu.

- Mamãe! Quero uma blusa igual da Riel! – Mel disse apontando o dedo para a irmã mais velha. 

- Eu também! – Ana gritou na cozinha.

- Quantas blusas da Miney vocês tem mesmo? – Ariel perguntou e depois mordeu o misto.

- 1 milhão! – disse Ana.

- Bem grande, ó! – Mel abriu os braços.

- Então vocês querem uma igual a da irmã por que? – perguntou Clarice tentando não rir do milhão grandão.

- Porque a gente que ficar bunita que nem a Riel. – a Mel disse.

- Uhun!! – Ana concordou com a irmã.

A mãe e Ariel riram e as meninas ficaram perguntando qual era a graça. Os 20 minutos que Ariel tinha sobrando passaram voando e logo a mãe estava pegando a chave do carro e colocando as três meninas para fora de casa.

Mel e Ana estavam sentadas em suas cadeirinhas no banco de trás, cantando um cd infantil da Aline Barros e a mãe acompanhava a cantoria das pequenas. Ariel tampava os ouvidos quando elas desafinavam demais e quando a mãe a deixou em frente a igreja, menos de 10 minutos depois, Ariel desejou que a igreja fosse um pouquinho mais longe, para que elas passassem pelo menos alguns minutos a mais juntas.

Quando desceu do carro viu no painel que eram apenas 19:15 e Camila ainda não tinha chegado.  Ariel ficou aos pés da escada que levava à porta da igreja, viu alguns jovens na porta recepcionando outros jovens que chegavam e ela não quis entrar lá sozinha. Era cedo demais e provavelmente eles iriam ficar perguntando por que ela andava faltando tanto. Ficou bem quietinha ali, torcendo para que a amiga chegasse logo.

Os minutos pareciam não passar ou estavam passando rápido demais e isso significava que Camila estava atrasada. Levou à mão ao bolso da calça para ver que horas eram, mas o celular não estava ali. Sentiu um certo pânico. Ele estava sempre ali. Será que tinha caído quando saíra de casa? Ou quando desceu do carro? Saiu de onde estava e começou a procurar pelo caminho onde havia passado. Nada dele ali. Talvez tenha deixado ele em casa. Se alguém o achasse e visse sua conversa com Felipe! Estava perdida.

Foi então que sentiu uma mão tocar seu ombro.

- Oi, Ariel! – era a voz da pastora Fernanda. Ariel se virou e sorriu.

- Oi, pastora.

- O culto já vai começar, vamos entrar?

- Posso ficar aqui fora mais um pouco? A Camila pediu pra esperar por ela.

- Já são 19:40, a Camila está atrasada. Entre, quando ela chegar ela te procura lá dentro. – ela estendeu uma mão para a Ariel convidando-a para subir as escadas. Ariel foi e ao chegar a porta foi abraçada por duas garotas que conhecia desde sempre, mas só agora percebeu que não sabia  ser quer os nomes delas.

Ela foi muito bem recebida, ninguém ficou perguntando o por que dela estar faltando, apenas disseram que ela fazia muita falta e que ela podia tentar vir mais aos cultos, e quem sabe poderia participar de algum dos grupos da igreja? Até que Ariel se sentiu acolhida com tudo isso. Ela disse que tentaria sim vir mais vezes, não prometia participar dos grupos, porque estava estudando muito, mas tentaria.

A igreja não ficava tão cheia em cultos de jovens, Ariel sabia que não havia mais que uns 30 jovens na igreja, que realmente frequentavam, mas esta noite a igreja estava muito cheia, deveria ter uns 150 jovens, mais ou menos.

Ariel não se sentou lá na frente, ficou na última fila, na cadeira do corredor e deixou a bíblia ao lado, para guardar um lugar para Camila.

Desde que entrara não tinha mais visto a pastora Fernanda, mas agora ela já estava no púlpito convidando a todos para se colocarem de pé e fazerem uma oração para agradeceram a oportunidade de estar ali. Ariel não se sentiu muito confortável durante a oração, se lembrou do quanto estava mentindo para os pais e do que isso significava para Deus, embora não mentisse diretamente para Ele, e Ele soubesse de tudo o que estava acontecendo, ela sentia que estava O enganando também.
Ariel se sentiu distante. Mais ainda quando a pastora perguntou se os jovens já estavam sentindo a presença de Deus ali no templo, muitos jovens gritaram em adoração, outros começaram a chorar, enquanto Ariel cruzou os braços e não sentiu absolutamente nada.

O ministério de louvor começou a cantar e de repente Ariel se sentiu atraída, pela música, ou por Deus, ela não sabia ao certo, mas começou a sentir um conforto. Cantou do fundo do seu coração a canção Sobrenatural, da Fernanda Brum, e se lembrou de tudo o que Deus fez durante a gravidez da mãe.

Médicos os desenganaram, disseram que a mãe deveria se preparar para uma escolha, ela ou os bebês. Ariel não sabia ao certo qual era a doença que caíra sobre a mãe, nem os médicos pareciam compreender de verdade, só se lembrava da mãe dizendo que ou Deus fazia um milagre ou ela morreria para que as filhas ficassem vivas... Foram dias escuros, exaustivos e demasiadamente tristes. O pai chamara os pastores da igreja para irem até a casa deles e oraram durante dias. A fé não parecia algo distante e invisível, Ariel sentia ela andando pela casa naquela época.

O parto foi ainda mais difícil do que os 8 meses de gravidez, ninguém sabia quem sairia vivo daquela sala de cirurgia, mas o pai tinha fé e durante toda a espera segurou a mão da filha e disse que a história deles estava nas mãos de Deus. Ariel acreditou e algumas horas mais tarde estava vendo as irmãs na incubadora e a mãe, cansada mas bem, no quarto. Os meses seguintes foram delicados e complicados, mas vencidos. As meninas são preciosas demais e talvez seja por isso que os pais passem tanto tempo com elas.

Assim que a canção acabou e Ariel abriu os olhos ela viu um garoto parado ao seu lado, no corredor. Ela estava com a cabeça abaixada, então a primeira coisa que viu foi um par de All Star vermelhos, levantou a cabeça rapidamente e preparou o melhor sorriso, na expectativa de que fosse Felipe, mas não era, era apenas o Mateus.

Ele não tinha vergonha na cara? Com tanto lugar, por que tinha que ficar logo perto dela? E onde estava Camila? Ela disse que viria!      

- Oi. – Mateus disse.

Ariel ignorou, continuou olhando para frente, para o púlpito, na espera que o ministério de louvor cantasse mais uma canção.

- Eu disse oi. – Mateus repetiu.

- Não sou surda, só não quero falar com você. – Ariel se quer olhou para ele.

- Ei, irmã! Estamos na igreja nada de raiva aqui, lembra? – ele sussurrou.

Ariel apontou o dedo para o peito dele e disse:

- Ninguém mandou você se meter na minha vida. – Ariel sussurrou com raiva.

- Já disse que não era a minha intenção, mas não é por isso que estou aqui. A pastora Fernanda pediu pra que eu te chamasse pra você sentar lá na frente com a gente. Só isso. – Mateus disse levantando as mãos em redenção.

- Estou bem aqui. Não preciso ir lá pra frente. – Ariel segurou firme na cadeira a sua frente, queria se manter ali, como queria.

- Tem certeza que quer que eu diga isso a ela? Ela me disse pra não aceitar um não como resposta. Disse que se chegasse lá com um não, ela mesma viria te buscar.

Fernanda era mesmo desse tipo, principalmente quando achava que alguém precisava ser ajudado. Para evitar uma cena, Ariel pegou a bíblia e deixou que Mateus caminhasse na frente.
Não esperava vê-lo ali. Ele não era o grande estudioso dos Medeiros? O que estava fazendo ali? Em plena segunda-feira?

- Ah, que bom que você disse sim. – a pastora Fernanda disse. Ela havia guardado um lugar bem do lado dela para Ariel e Mateus se sentaria do lado esquerdo. O que você me arruma, Camila? Ariel pensou furiosa.

Mais duas canções foram cantadas que colocaram todos os jovens para dançar em adoração, no início Ariel ficou retraída, não gostava de dançar, não sabia dançar, mas a pastora Fernanda segurou a mão dela e a incentivou a pular junto, e logo Mateus segurava a outra mão dela. Naqueles minutos Ariel sentiu algo diferente, ela se esqueceu de todos os problemas, de Felipe, do seu sonho de ir para os Estados Unidos, da raiva por Mateus, tudo... E foi envolvida por uma alegria e uma euforia gostosa. Ela queria rir e chorar também. Sentia como se estivesse em casa fazendo o que sempre fora chamada para fazer.

Logo depois do ministério de louvor, o grupo de teatro apresentou uma peça e as meninas da coreografia uma dança, um grupo visitante de louvor também cantou mais duas canções e só depois a pastora Fernanda entregou a oportunidade para um pastor, o Gabriel, que também viera de outra igreja para pregar. 

Um novo slide apareceu no datashow, não era mais sobre as canções ou avisos da igreja, era uma montagem com o título da pregação. Na imagem estava um rapaz em pé em uma longa estrada, em sua mão havia uma mala e a frase dizia: “Qual viagem você quer fazer, jovem?”

O pastor começou a apresentar várias opções de viagens, pedindo que os jovens levantassem a mão naquelas que realmente queriam fazer. Perguntou quantos queriam ir a Disney, à Nova York – Ariel levantou dessa vez -, à Amsterdã, Berlim, Japão e por ai foi, não teve um na igreja que não levantasse a mão pelo menos duas vezes.

- E o que vocês desejam ver nessas viagens? – o pastor perguntou e deixou que os jovens pensassem por alguns instantes. Tudo ué, Ariel pensou. - Lugares históricos? Pôr do sol incríveis? Neve? Parques de diversão? Pessoas novas e talvez torná-las intimas? – ele piscou, brincando. – Não estou aqui para dizer que vocês não podem viajar. É claro que podem. Cruzar o oceano é maravilhoso! Eu mesmo sonhava com isso antes mesmo de saber que Estados Unidos e França não ficavam no mesmo continente! – a igreja inteira riu e Ariel começou a gostar daquele pastor, ele parecia ser um pouquinho como ela.

- Volto a dizer: o problema não está em ir viajar, mas no que vocês vão fazer por lá. Uma viagem a Terra Santa pode os aproximar do Senhor, ou não. Uma viagem à África do Sul pode fazer com que vocês conheçam várias espécies diferentes de animais e lugares extraordinários, e embora cresçam nessa viagem de alguma forma, podem não amadurecer espiritualmente nadinha por lá. Mas não estou aqui para os impedir de viajar nem melar os passeios de vocês. Na verdade, estou aqui para convidá-los para uma viagem, vocês topam? – todos falaram sim e o pastor os convidou para abrir a bíblia em Mateus.

- Gosto demais do Novo Testamento, quando lemos o Velho Testamento encontramos as profecias sobre aquele Filho que mudaria a história da humanidade, já no Novo encontramos o Próprio Filho! A partir daqui podemos nos aventurar pelos dias de Jesus, sobre quem Ele é, o que fez e o que ainda pode fazer por nós. Quando leio Mateus, Marcos, Lucas e João, viajo no tempo. Ao ler todos aqueles ensinamentos e milagres me imagino entre a multidão, ali pertinho de Jesus ouvindo cada uma das suas palavras e guardando cada uma delas em meu coração. A viagem que tenho a oferecer pra vocês hoje é esta: que tal imaginarmos que estamos passando um dia com Jesus? Voltamos no tempo. Há mais de dois mil anos atrás. Sem celular, sem TV, sem computador, sem se quer a bíblia. Fechem os olhos e imaginem comigo.

“Estamos descendo um alto monte. Jesus caminha à frente e todos os seus discípulos estão ao Seu lado. Ele acabou de nos ensinar sobre o homem sensato e o insensato, aquele que segue os mandamentos de Seu pai é como um homem que constrói uma casa sobre a rocha. Ela será balançada, haverá tempestades, mas nada a derrubará, porque sua fundação é sólida. Já o homem que anda de acordo com os dizeres do mundo, aquele que ouve a palavra do Mestre, mas escolhe caminhar longe delas, esse constrói sua casa na areia, e como não tem nenhuma fundação será levada na primeira tempestade... Isso não é maravilhoso? – Ariel abriu os olhos, assim como todos a sua volta, e todos sorriam, todos podiam sentir como aquilo realmente era maravilhoso. Ariel queria construir sua casa na rocha. – Fechem os olhos mais um pouco, vamos voltar ao passado...

“Nós acabamos de descer o monte, todos estão sorrindo, felizes por poderem caminhar tão pertinho do Filho de Deus, e não há como Aquele não ser quem diz ser, Ele foi profetizado e está ali, com você! Com a gente! Todos estamos tão felizes! De repente um leproso se aproxima de Jesus, por um momento acreditamos que os discípulos vão tirar aquele homem impuro de perto de Jesus, mas ninguém faz nada. Jesus apenas olha para ele com amor. O homem se põe de joelhos e começa a adorar dizendo: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me!”

Jesus sorri e estende a mão, Ele não tem medo, porque Ele é Filho de Deus, Jesus toca no rosto daquele pobre homem e diz: “Quero. Seja purificado!” Imediatamente a lepra daquele homem some, seu rosto que antes era tomado por machucados e verrugas, está limpo e o homem tem força para se erguer novamente. Ele começa a adorar a Jesus como nunca! E toda a multidão o acompanha! O Filho de Deus curou, o amor dEle tudo pode!

Você começa a se perguntar como seria estar ao lado de Jesus todos os dias, quem sabe não poderia 
ser um discípulo dEle? Imagina, ver milagres assim acontecerem todos os dias! Olhar para aqueles olhos santos e ver todo aquele amor, bem de pertinho, dia após dia! Seu coração queima, você deseja mais, mais de Jesus, mais do Senhor, mais daquela presença gostosa que invade todos aos pés daquele monte...”

O pastor para de falar e a igreja toda está em silêncio. Ariel quer ouvir mais, quer viajar assim mais vezes, quer conhecer mais esse Jesus, embora saiba de tudo o que Ele fez, ela nunca se sentiu tão perto dEle!

- Essa é uma viagem que vale a pena, né pastora Fernanda? – o pastor perguntou e Fernanda aos choros disse que sim, todos estavam amando aquela viagem. – Vocês não precisam de dinheiro, passaporte, assinatura dos pais, não precisam falar inglês, espanhol ou alemão... Tudo o que precisam para esta viagem é a bíblia e ter um coração puro! Garanto que vocês não vão se arrepender.

“O mundo tem uma cesta cheia de pratos para oferecer a vocês. Pratos que aparentemente são maravilhosos! Qual o problema de beber apenas um copo de cerveja? Você não vai ficar doidão com isso. Qual o problema de vestir um short curtinho, hein meninas? O corpo é de vocês, não é mesmo? E todo mundo vive dizendo que o que é bonito, deve ser muito bem mostrado! Dançar na festinha na casa daquela amiga não tem nada de errado, né? Sua mãe não está vendo, ninguém vai contar para os seus pais, para o seu pastor... É como se nada tivesse acontecido. Mas se você anda fazendo coisas assim dentro de casa, imagina o que vai fazer lá em Las Vegas? Imagina quantas cervejas seriam mostradas pra você em Amsterdã e quantas boates, hein? Já pensou em dançar em uma moça?” – ele parou de falar por alguns instantes e Ariel se perdeu em pensamentos.

Se ela estava mentindo para os pais em casa, imagina o que faria quando chegasse ao Estados Unidos? Longe de todos aqueles que poderiam realmente opinar em sua vida...

- Cuidado, jovem! Você está construindo sua casa na rocha ou na areia? Quem tem sido seu alicerce? Jesus ou o mundo? E se você fosse fazer uma viagem de verdade imediatamente? Sem os seus pais, sem a sua bíblia, do jeito que você está hoje. Será que você veria a Jesus na sua viagem? Será que nos lugares onde você tem desejo de entrar, Jesus poderia entrar com você? Espero desesperadamente que sim! Espero que nas viagens que você for fazer encontre ao Senhor. Na verdade, que você encontre o Senhor todos os dias.

O pastor falou mais um pouco e depois fez o apelo para quem gostaria de aceitar Jesus naquela noite. Alguns jovens foram lá na frente e aceitaram fazer aquela viagem com Jesus todos os dias. Por alguns instantes as pernas de Ariel tremeram e o seu coração ficou lhe perguntando se ela não queria ir lá na frente, mas ai ela ficou se lembrando que já aceitara Jesus, desde sempre na verdade, já era batizada e tudo mais... Sentou para que as pernas parassem de tremer e só se levantou para a oração de encerramento. Logo que o culto terminou os jovens começaram a se cumprimentar e Mateus não perdeu a oportunidade, ele sorriu para ela e estendeu a mão.

Ariel não estava mais com raiva, ela sorriu para ele também e o cumprimentou. Ele era chato, mas não merecia que ela tivesse raiva dele, e nem ela merecia carregar algo ruim de uma pessoa assim no peito, principalmente por ter se originado por algo tão bobo. Ariel foi abraçada por mais alguns jovens da igreja e quando estava pronta para ir ao corredor e caminhar para fora da igreja, sentiu aquela mesma mão tocar o seu ombro.

- Ariel, posso falar com você um instante? – a pastora Fernanda perguntou.

- Sim. – Ariel disse sorrindo.

- Vem cá. – enquanto os jovens iam saindo da igreja e outros ainda cantavam no altar, a pastora Fernanda voltou a sentá-la na cadeira onde estava poucos minutos atrás. – Sua mãe me disse que você anda estudando muito, que está se dedicando a escola, porque este é o seu último ano, e entendo isso muito bem... – ela parou de falar alguns instantes e segurou uma das mãos de Ariel entre as suas. – Mas algo aqui dentro do meu coração insiste dizendo: Chama ela, Fernanda. Chama, ela. Sei que isso não é de mim, princesa. Sei que não é coisa da minha cabeça. Há algum tempo venho escutando isso, quando estou com o grupo de teatro ou de coreografia, ou com o ministério de louvor, sempre me lembro de você e vejo que tem um lugar pra você ali, mas cadê você? Está distante.

Ariel olhou bem nos olhos de Fernanda, será que era Deus que estava falando com ela? Será que Ele queria que Ariel fizesse parte de algum daqueles grupos? Mesmo quando ela não queria?

- Não sei se você vai acreditar em mim, talvez pense que isso é coisa da minha cabeça, mas não é Ariel. Sinto que seu lugar é dentro da casa do Senhor e não posso estar errada quanto a isso.
Ariel percebeu o mesmo brilho dos olhos de Mateus, nos olhos de Fernanda, era como se pudesse ver Deus através deles, ou como se Deus disse: “Ei, Estou aqui. Habito nessa casa.” Ariel queria ter aquele brilho também, mas não sabia se era forte o suficiente para pagar o preço para recebê-lo.

- E se você escolhesse pelo menos um dos grupos e viesse pelo menos uma vez? Só pra ver como funciona e como sua cabeça reage a tudo isso? – Fernanda tinha um jeitinho de mãe, além do brilho nos olhos, ela transmitia amor através deles. Ariel se lembrou de Jesus.

- Está bem.Venho em um deles esta semana. – Fernanda sorriu, satisfeita. E tirou da bíblia uma folha com o horário de todos os grupos e os dias da semana em que eram os ensaios.

- Ah, tenho certeza que Deus vai ficar muito feliz! E nós também, com a sua linda presença! – Ariel sorriu enquanto colocava o papel dentro da bíblia, ela se levantou e antes que pudesse fazer qualquer coisa foi abraçada por Fernanda. – Vá com Deus, querida. E qualquer coisa pode me ligar, está bem?

- Uhun. Fica com Deus também. – Ariel saiu pelo corredor e quando chegou do lado de fora se deparou com vários círculos de jovens rindo e brincando. Aqueles que tinham acabado de aceitar Jesus estavam sendo parabenizados pelos outros jovens da igreja e ouvindo centenas de frases carinhosas.

Ariel viu que a mãe já tinha chegado, ela estava do lado de fora do carro, conversando com outras mães que também vieram buscar suas filhas. Ariel desceu as escadas e se aproximou da mãe cumprimentou as outras mães.

- Vamos mãe? – perguntou.

- Vamos sim. Antes chame o Mateus? A Paula pediu para darmos uma carona pra ele. – a mãe disse rindo e logo começou a se despedir das outras mães.

Ariel subiu as escadas de novo e começou a procurar por Mateus, haviam tantos círculos que ficou meio confusa, ficou lá, no meio de todo mundo girando que nem barata tonta até que viu ele conversando num cantinho com uma garota. Ele prestava tanta atenção no que a garota dizia que nem notou quando ela chegou.

- Mateus? – Ariel chamou sua atenção.

- Oi. – ele se virou pra ela enquanto a garota olhava pra Ariel. Ela não se lembrava de já a vira antes.
- Minha mãe mandou te chamar, porque a sua mãe pediu pra você ir embora com a gente. – a garota desconhecida sorriu pra Ariel e ela sorriu de volta.

- Ah, sim. Okay. Peraí, não sou mal educado. – ele disse rindo. – Ariel essa é a Ester. Ester essa é Ariel. – Ester era simpática e cumprimentou Ariel com um aperto de mão.

Ester era um dez centímetros mais baixa que Mateus, era mal do Medeiros serem altos demais. Ela tinha cabelos castanhos que mais pareciam chocolate e seus olhos eram azuis. Tinha apenas uma covinha e seu sorriso era gentil, como se o seu dom fosse a gentileza.

- Tenho que ir Ester, mas nos falamos logo, né? – ele olhou pra ela e se esqueceu de Ariel mais uma vez.

- Claro. – Ester sorriu pra ele, apenas para ele e deu um tchau muito fofo. Ariel ficou um pouco sem graça de estar ali quebrando o romantismo dos dois, como se fosse uma irmã chata. Mateus retribui o tchau e disse para ela ficar com Deus. Ariel deu um tchau para Ester e se afastou.

Quando estavam descendo as escadas e longe o suficiente para Ester ouvir, Ariel perguntou:

- Você engana direitinho! – Ariel disse rindo. – Não parecia estar esperando em Deus quando estava conversando com Ester. – Ariel deu um empurrão no braço dele.

- Ei! – Mateus corou e já ia dar uma resposta a Ariel, mas ela foi mais rápida.

- Tenho o direito de meter na sua vida pelo menos uma vez, você se meteu na minha primeiro! – Ariel pontou o dedão pra ela e Mateus sorriu, se entregando.

- Okay, você está certa. Pode se meter um pouquinho dessa vez! Só pra constar, não estou enganando ninguém, não tem nada entre mim e a Ester, nós só temos muito em comum. Ela acabou de chegar a cidade, também não conhecia ninguém na igreja e está no último ano do ensino médio, coisa que nós três temos em comum. – parecia que ele tinha que provar a Ariel que não tinha nada acontecendo entre ele e Ester.

- Tá bom, Mateus. Não precisa fazer listinha, eu vi o jeito que você olha pra ela e como ela olha pra você.

- E como é, hein? Dona sabe tudo! – eles já estavam chegando no carro de Clarice, antes de abrir a porta da frente Ariel sussurrou:

- Como se vocês fossem as únicas pessoas que estivessem no mundo, como se não precisassem mais de ninguém. – Ariel abriu a porta do carro sorrindo, como se realmente entendesse das coisas. Mateus entrou e cumprimentou Clarice gentilmente


Durante o percurso de 10 minutos de volta para casa, Mateus e Ariel contaram animados como havia sido o culto, e Clarice estava tão empolgada em saber cada detalhe que Ariel se sentiu como uma criança de novo, uma criança que tem necessidade de contar cada detalhe do seu dia para a mãe.  

2 comentários:

  1. Ai meu Deus, não sei se vou conseguir aguentar até próximo domingo, haha! Adoro seus textos, Deus sempre fala comigo através dele. Beijos
    http://nascida-de-novo.blogspot.com.br/

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    1. Ah, que linda *-*
      Fico feliz por isso, muito mesmo!
      Obrigada pela visita!

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