Uma aventura à dois #8

domingo, fevereiro 08, 2015



Oi gente! Eu sei, eu sei, disse que não postaria capítulos atrasada, mas me enrolei ontem e não consegui um tempinho no computador pra postar. Hoje é segunda, mas vou postar como domingo, okay? Semana que vem não falho! Espero que gostem do capítulo.

O relógio não colaborou muito com Ariel, os ponteiros estavam mais devagar do que nunca, principalmente durante a última aula, de sociologia. A matéria era incrível e tudo mais, mas a parte detestável envolvia o professor que não possuía habilidade alguma para prender a atenção dos alunos e desenvolver o assunto. Na maioria das vezes voltavam os problemas apresentados em sala para a influência em redes sociais, como se o professor tivesse doutorado na área.

Tudo que Ariel queria era sair daquela sala, colocar seus fones de ouvido e fugir da realidade por alguns instantes. A música sempre fora sua válvula de escape e tudo estava tão confuso dentro dela. A conversa que tivera com o pai mais cedo começara a se chocar com a realidade do seu coração. Será que seria uma boa ideia sentar para conversar com os pais? E se eles perguntassem quando que ela começou a perceber que estava se afastando de Deus? E o que andava fazendo que ela ficasse distante?

A culpa não era de Felipe, a culpa era dela. Foi ela quem deixou a bíblia de lado e parou de orar. Foi ela quem apagou todas as músicas cristãs do celular e preencheu todas as playlists com MPB, rock, folk... Não que ouvir músicas seculares fosse um grande problema, a questão se girava em torno do que andava enchendo Ariel, ultimamente ela se enchia mais do mundo do que da fé, e isso definitivamente era um problema.

Seria muito mais simples se ela tivesse tentado resolver tudo sozinha, ela própria podia buscar a Deus e chegar a uma conclusão do que faria com Felipe. Eles poderiam se ver desde que criassem algumas regras. É. Isso daria certo, não há como não dar. Mas ele ia embora, né? O coração de Ariel não queria pensar muito nisso.

Ela tentava pensar em outras coisas, foi isso que fizera durante toda a manhã, sempre que se lembrava dele mandava as lembranças embora, conversava qualquer coisa com alguma das colegas da escola, fazia os deveres de casa durante os intervalos das aulas e até se arriscou em um jogo de futebol na aula de educação física, tudo para não deixar-se levar por Felipe. Mas mesmo com todos os esforços ele foi a primeira pessoa que veio a sua mente quando saiu da escola.

Ela queria pelo menos uma mensagem dele, mas ele não enviara nenhuma. Ariel não tinha garantia de que era importante na vida de Felipe, ele nem deu mais uma olhada para ela ontem. Ele a chamava de raio de sol e tudo mais, mas no fundo o que queria era passar algum tempo com ela. Estavam juntos há pouco tempo, mas ele já deveria ter dito alguma coisa importante, né? Alguma coisa que fizesse Ariel flutuar, sair de órbita por alguns instantes.

Mas ela também não poderia culpá-lo, ele já havia dito que no quartel não podia ficar mexendo no celular. O aparelho ficava guardado e ele não tinha muito tempo livre. Ariel precisava ser menos menininha, e mais racional.

Sentada na van a caminho de Valadares Ariel desbloqueou o celular e abriu o Spotify, estava pronta para colocar a mesma playlist que ouvira com Felipe no dia que se beijaram pela primeira vez, com as canções de Nando Reis preferidas dos dois, mas ela não estava a fim de sofrer por paixão, amor ou qualquer outra coisa que se encaixasse no quadro. Fechou o programa e abriu o bloco de notas do celular, sempre havia anotado ali alguma banda nova ou uma canção, e dessa vez a primeira da lista era Bethel Music, a banda que seu pai indicara hoje de manhã.

Ariel se sentia mais leve a cada música, as letras doces e recheadas de fé alcançaram seu coração e acalmaram o mar de questões que a inundavam, perdida entre as músicas a menina nem percebeu que já tinha chegado à Valadares. Assim que desceu da van e começou a cruzar o centro da cidadezinha Ariel ouviu Camila gritando seu nome da padaria barra sorveteria barra lanchonete do senhor Miguel. Ariel acenou para a amiga e esperou que ela chegasse até ela.

- Oi. – Camila sedentária disse arfando.

- Oi, Ca. Tudo bem?

- Tudo. Desculpe por ter furado segunda, tá? Vovó passou mal e minha mãe quis que eu fosse com ela.

- Já disse, não tem problema. Mas sua vó melhorou?

- Sim! Foi só um susto de velho. – Camila sorriu.

- Ata. – Ariel sorriu também.

- Que tal fazermos um passeio a quatro neste fim de semana?

- Não dá, o Felipe teve que ir pro quartel. O tempo de serviço dele está acabando e ele terá que passar mais tempo lá agora. Só vai voltar daqui duas semanas.

- Ah, que chato. Não sei o que eu faria se o Gabriel ficasse duas semanas longe! – Camila se arrepiou só de imaginar e Ariel achou graça do drama que as garotas podem fazer por causa de um garoto.

- Nem é tanto tempo assim, Camila. E pensando bem, nem sei de verdade o que nós temos.

- E tem mesmo que significar alguma coisa? O importante são os momentos que vocês passam juntos, o significado vem depois.

- Foi assim com você e o Biel? Não significava nada antes?

- Por aí. Nós começamos a ficar por diversão, sabe? Depois a gente descobriu que se gostava.

- E não foi estranho ficar com alguém que você não sentia nada?

- Se você viver pensando assim nunca vai fazer nada nessa vida, Ariel. Você acha significado e importância nas suas aulas de matemática? Creio que não, mas ainda sim você tem que fazer. Se ficar esperando o momento certo de fazer isso e aquilo nunca fará nada.

- Só que eu também não acho graça ficar fazendo uma coisa que não tem sentido, sabe? Ou, temo que passe a ter sentido só pra mim, vai que pro Felipe nunca faça sentido algum?

- Você precisa deixar essa mania de ser calculista de lado, pelo menos um pouco. Viva o hoje, Ariel. Estar com ele não é bom? Vai me dizer que você não adora quando ele te coloca naquela moto e vocês se aventuram por aí? Aventura foi o que você sempre quis, não foi?

Aventura foi o que eu sempre quis. Ariel deixou que aquelas palavras alcançassem seu coração. Mas a aventura tem que ser necessariamente ao lado de um garoto? Antigamente eu era mais feminista.
Ariel se despediu da amiga sem dizer muita coisa e logo que começou a andar colocou Come To Me para tocar de novo, aumentou o volume e escapou da realidade mais uma vez.

Nos cinco minutos de caminhada até em casa Ariel começou a se perguntar se o pai já havia conversado com a mãe, se ela já sabia, será que iria querer ter uma conversinha com Ariel? A garota ainda não estava emocionalmente preparada para um momento assim, principalmente se a mãe a olhasse com aqueles olhos azuis gentis, que pareciam ler a alma de Ariel. Ela provavelmente não se conteria e contaria tudo à mãe.   

Quando chegou em casa viu que o carro da mãe não estava estacionado na garagem, ela deveria ter saído para resolver alguma coisa. Ariel entrou e foi direto para a cozinha, havia um bilhete da mãe na geladeira, dizendo que ela havia ido para Esperança porque as gêmeas tinham uma consulta médica.
Ariel preparou o almoço e agradeceu aos céus pela mãe não estar em casa, ainda não estava pronta para uma conversa séria. Almoçou na varanda dos fundos deixando que a sua música favorita tocasse, o barulho das ondas. Assim que terminou de almoçar, Ariel voltou à cozinha e pegou a bíblia que estava dentro da mochila, retornou a varanda e desceu as escadas que davam no quintal. Assim como na frente da casa havia um balanço, nos fundos havia um desses balanços de ferro, bem embaixo de uma velha árvore. Ariel se sentou no balanço e abriu sua velha bíblia. Caiu aleatoriamente em Cântico dos Cânticos:

“Como um lírio entre os espinhos é a minha amada entre as jovens.” (Cântico dos Cânticos 2:2)
Ariel não conhecia muito sobre Cântico dos Cânticos, mas não precisava de muito para entender que a amada deste rapaz se destacava entre todas as outras. Ela era uma flor entre um mundo de espinhos. Ela se destacava e o amado via isso. Ela era uma boa pessoa, uma pessoa que provavelmente buscava ser melhor todos os dias, não pelos outros, mas por ela mesma, e o seu amado vira isso.

Será que Ariel estava sendo um lírio ou um espinho? Como Felipe a via? Como as outras pessoas a viam? E como ela realmente era? O mais importante não era o que os outros andavam vendo, mesmo quando se é uma excelente pessoa, dessas que se encaixam no hall de melhores pessoas do mundo, sempre tem alguém que possui uma visão equivocada de você, Ariel não queria saber quem estava sendo pelos outros, mas por si mesma. Será que ela era um lírio para si? E quanto a Deus, quem Ele andava vendo?

Ariel segurou a bíblia com uma das mãos e segurou o balanço com a outra, pegou impulso e de repente estava voando no velho balanço.

- Como é ser um lírio? – Ariel sussurrou para si. – Como?

“Comece a confiar em Mim.” Uma voz sussurrou dentro da garota, como se viesse do coração.

 - Eu confio. Quero confiar. Me ensina a confiar. – Ariel disse com toda convicção olhando para os céus. Ela queria voltar a confiar nAquele Deus de todo coração, queria sentir a fé correndo por suas veias e deixar que Deus agisse em cada área da sua vida. Entre uma ida para frente e outra para trás, Ariel se lembrou de uma velha frase da mãe: “Por que caminhar sozinha, quando você tem um Melhor Amigo?”

Ariel queria ver a Deus como seu melhor amigo e estava pronta para começar essa aventura.

***

Depois de 1 hora e meio estudando, Ariel escutou o carro da mãe ser estacionado na garagem, ainda receosa quanto a mãe saber das suas dúvidas, ela não desceu, continuou sentada em sua escrivaninha perdida entre os livros.

Uma hora mais tarde, escutou a voz de Mateus lá em baixo, ele estava conversando com sua mãe. Ariel se levantou e foi até o espelho ajeitar o rabo de cavalo, trocou o pijama de ursinhos por um short jeans e uma regata cor de rosa, enquanto terminava de vestir a blusa escutou a voz de sua lhe chamando. Desceu as escadas e logo viu Mateus sentado ao lado das gêmeas, eles estavam assistindo um episódio de Pinguins de Madagascar.

- Oi. – Ariel se aproximou do sofá.

- Oi. – Mateus disse sem desgrudar os olhos da televisão.

- Você veio aqui em casa pra ver desenho animado ou pra conversar comigo? – Ariel cruzou os 
braços.

- A gente pode fazer os dois! – Mateus disse com seu sorriso de menino.

- Não tenho tempo para ver desenho animado. – Ariel se afastou, indo em direção a cozinha. Mateus se levantou prometendo as meninas que voltaria logo e seguiu Ariel. Eles desceram as escadas da varanda e se sentaram no velho balanço.

- Em que área você deseja meus serviços de psicologia? – Ariel disse enquanto começava a dar vida ao balanço.

- Tá bom, vou tentar explicar doutora... Lembra da Ester?

- Claro que lembro. – Ariel parou o seu balanço, para ficar bem próxima de Mateus, já que ele andava concentrado demais em seus pensamentos e provavelmente havia esquecido do que um balanço era capaz de fazer.

- Acho que estou gostando dela.

- Também acho isso. – Ariel disse sorrindo. – Você acha que ela também gosta de você?

- Não sei... Vocês garotas são estranhas. – Mateus coçou os cabelos, como se estivesse tentando resolver um grande dilema.

- Nós não somos estranhas, vocês que nunca entendem nada. Acho que ela gosta de você, lembra do que disse sobre os olhares de vocês? – Mateus assentiu. – Não estava brincando, vocês se olhavam como se não houvesse mais ninguém no mundo todo. – Ariel sorriu com confiança. – Os livros de romance diriam que isso é sinal de paixão, ou amor.

- Você e meu irmão tiveram isso? – Mateus perguntou meio sem graça, ele se lembrara da promessa que ela havia feito na noite anterior e Ariel também.

- Você disse que não ia se meter! Quer levar um chute?

- Não, não é isso Ariel. Só quero saber se você sabe mais do que os livros do Nicholas Sparks te dizem. Experiências são mais úteis que livros de romance.

Ariel respirou profundamente.

- Seu irmão e eu não tivemos tempo disso, foi tudo rápido demais. Nós não tivemos tempo de gostar um do outro antes de começarmos a sair juntos sabe?

Mateus assentiu.

- Comece devagar, acho que esse é o segredo. – Ariel disse enquanto começava a se balançar mais uma vez. – O que você sente quando está com ela?

- Tudo fica esquisito, desde que comecei a conversar com a Ester parece que todo dia tem arco-íris, ouço o canto dos pássaros e até tenho mais vontade de ver o pôr do sol...

- Ah, por isso que você estava na praia aquele dia que se intrometeu na minha vida né? – Ariel disse rindo, zombeteira.

- É. E é bom, sabe? É um sentimento que não tive com ninguém. Quero vê-la logo, quero conversar com ela. Se estou lendo um livro e acho algo interessante logo penso nela, é pra ela que quero contar. Se escuto uma música romântica penso nela. Penso nela o dia todo, Ariel! Ontem até parei de estudar para assistir aquele filme “Um amor para recordar”.

- Acho que é grave Mateus! Muito grave. – Ariel disse rindo. – Não acredito que você parou tudo para assistir um filme romântico sozinho. – Ariel continuou rindo.

- Para! – Mateus empurrou o balanço dela e agora ela balançava de lado.

- Você não precisa pirar com isso, como já disse leve as coisas devagar. Acho que faz o tipo da Ester também. Começa a ser amigo dela, conversem, descubram um ao outro e deixe que o amor conduza vocês.

- Nossa, se fosse uma garota estava fazendo carinha de gato do Shrek e batendo palminhas! Foi muito romântico isso! – Mateus ria.

- Você veio pedir ajuda ou rir da minha cara?

- Ajuda. Desculpa. Então o segredo é ser manso.

- Sim. E conquistá-la durante esse tempo, só uma coisa, você deve saber na teoria, mas praticá-la é muito difícil: apenas seja você.

- Sem dúvida, doutora.

- Ah, mais uma coisa: não leve ninguém ao primeiro encontro de vocês, ninguém merece ter que segurar vela, nem vocês tem a liberdade de serem vocês com um bando de amigos doidos do lado, não quando estão apenas começando. 

- Tudo guardado. – Mateus começou a se balançar, o mais forte que podia e Ariel o acompanhou.     

- Mateus? – Ariel diminuiu o ritmo do balanço.

- Sim? – Mateus parou seu balanço.

- Uma vez você me disse que não queria estar ao lado da pessoa errada... – Mateus assentiu. – Então você sente que a Ester é a garota certa?

- Sim. Algo aqui dentro me diz que sim. – Mateus fitou uma pedra até que a chutou, estava corando e não queria que Ariel visse.

- Como você pode saber isso?

- Porque quando estou perto dela não sinto nada de ruim, apenas sinto paz, calmaria. E uma vez li que onde há paz Deus está.

- Então você acredita mesmo que Deus está envolvido nos romances...

- Tenho certeza, Ariel.

***

Mateus não demorou ir embora, deixando Ariel mais uma vez perdida entre livros e canetas, ela aproveitou o comecinho da noite para fazer uma redação. Estava pensando em soluções para o uso demasiado de automóveis e consequentemente a emissão de gases poluentes quando Felipe sobrevoou a sua mente, desde a volta da escola ainda não havia parado para pensar nele.

Ariel fechou os olhos e pode sentir as mãos dele segurando sua cintura, sentiu os lábios dele tocando sua testa enquanto a água gelada da praia passava por eles. Ela se sentia atraída por ele, gostava dele, mas estar com ele significava mentir para os pais, ela tinha que ser diferente.

É verdade que ela sempre quisera se aventurar por ai, ela queria conhecer o mundo, queria sair daquela praia que estava acostumada, daquele quarto com paredes azuis, mas sempre fora medrosa, costumava se aventurar apenas pela imaginação.

Talvez eles dessem certo se ela tivesse feito diferente, se ela não tivesse ido para praia com ele sem os pais saberem, se não tivesse marcado tantos outros encontros escondidos... Ela não sentia paz quando estava ao lado de Felipe, por mais que se divertisse, por mais que risse e beijasse, tinha medo dos pais descobrirem, tinha medo das consequências que sua escolha poderia trazer.

Mateus dissera que sentia paz ao estar com Ester, e para ele isso era sinal de que Deus estava entre eles, talvez era isso que faltava, a presença de Deus.

Cansada de navegar entre suas dúvidas Ariel caminhou para o banheiro e tomou um banho, desceu logo depois para jantar. Ariel ajudou a mãe a colocar a mesa e chamou as gêmeas para jantar, o pai já havia chegado e estava ajudando a mãe a preparar uma salada, assim que terminaram a salada todos se sentaram a mesa e desfrutaram do jantar.

Depois que terminaram as meninas sentaram na sala para assistir o último desenho animado do dia e Richard expulsou Clarice da cozinha para que ela descansasse um pouco. A mãe se sentou na sala para assistir desenho com as meninas, ficando Ariel com o pai na cozinha.

- Não esqueci do que conversamos hoje de manhã.- Richard piscou para Ariel. – Sua mãe vai deixar as meninas assistirem mais um desenho e as levará para a cama, enquanto isso vamos lavar a louça do jantar, assim que terminarmos nós três vamos conversar, okay? – Ariel assentiu. – Let’s go!

Na cozinha havia um pequeno rádio, o pai colocou um cd dentro do aparelho enquanto Ariel trazia os talheres da mesa de jantar. O som de Bethel Music inundou a cozinha. Enquanto lavavam a louça Richard perguntou a filha como havia sido seu dia.

Em menos de 30 minutos as louças estavam lavadas e o pai estava colocando a chaleira no fogão.

- Erva doce ou capim-cideira? – Richard perguntou enquanto pegava três xícaras e duas caixinhas com saches de chá.

- Erva doce, pode colocar um pouquinho de adoçante no meu? – Ariel perguntou enquanto se sentava na bancada da cozinha.

- Sim, sim.

Logo assim a mãe apareceu na cozinha e se sentou ao lado de Ariel.

- Que marido prendado e delicado, esse meu! – Clarice disse sorrindo.

- Tudo para as mulheres da minha vida. – Richard disse orgulhoso.

 Richard colocou a água quente nas três xícaras e as colocou na frente das garotas.

- Aqui na cozinha mesmo ou lá fora? – ele perguntou antes de se sentar.

- Acho melhor aqui, está ventando muito lá fora. Tem chuva vindo por aí. – disse Clarice.

- Então o quentinho é melhor. – Richard se sentou.

O coração de Ariel acelerou por alguns instantes, uma queimação nervosa começou em sua barriga, indicando que estava ansiosa.

Clarice puxou uma sacola que estava na ponta da bancada para perto de si.

- Seu pai me contou um pouquinho sobre a conversa que vocês tiveram hoje de manhã.

Ariel assentiu enquanto aproximava a xícara para esfriar seu chá.

- Você quer nos explicar mais um pouquinho do que você está sentindo? – a mãe não estava brava, sua voz era doce e suave, na tonalidade de alguém que só queria ajudar.

- É aquilo que disse para o papai, tenho uma dificuldade de me aproximar de Deus, de deixar que Ele faça parte de mim. Sinto que Ele está distante, mas acho que o problema sou eu mesmo.

- O problema não é você, querida, muito menos Ele, você só precisa se dedicar mais a Ele para poder encontrá-Lo. – Clarice disse enquanto se virava para olhar Ariel nos olhos. – Como você manteria sua amizade com a Camila se você não telefonasse nem mandasse mensagens para ela? Como vocês continuariam gostando uma da outra se não se vissem nem procurassem estar juntas de forma alguma? Você sente necessidade de mandar mensagens, de chamá-la pra sair, de ir dormir na casa dela ou ela aqui, porque essas pequenas coisas mantêm a amizade de vocês viva, da mesma forma deve ser o nosso relacionamento com Deus, para nos mantermos próximas a Ele precisamos conversar com Ele, precisamos ler a bíblia, cantar louvores, ir a sua casa, falar dEle. Se não fizermos nada disso nos sentiremos cada vez mais longe, como alguém que deixa-se ser levado pelas ondas na praia, haverá uma hora que estará tão distante da areia que não conseguirá voltar com facilidade ou na pior das hipóteses não voltará.   

Richard assentia concordando com tudo que a esposa dizia, e Ariel permitia que aquelas palavras alcançassem seu coração.

- Depois que o seu pai me contou da conversa de vocês passei em uma livraria e procurei alguns livros que poderiam nos ajudar. – Clarisse abriu a sacola. – Você precisa ler este primeiro, acho que tem tudo haver com esse momento, vai te ajudar.

Clarice entregou um livro pequeno para Ariel, era um livro do Max Lucado titulado de “Na jornada com Cristo”, Ariel já gostou do livro apenas pelo título.

- Você pode ler sozinha ou podemos ler juntas. São passagens curtinhas, trechos de outros livros do Max, podemos ler uma mensagem por dia, o que você acha?

- Seria ótimo. – Ariel estava entusiasmada.

- Sabe o que seria bom também? – o pai perguntou do outro lado da bancada. – Acho que está na hora de você trocar o conteúdo das suas playlists, ouvir músicas cristãs farão com que você se sinta mais perto de Deus, enquanto as músicas seculares te fazem querer realizar os desejos da carne.

- É, estava pensando nisso hoje. – Ariel disse. Bebericou o seu chá. – Vou no grupo de teatro amanha, vai ser bom também.

- Vai ser maravilho! – Richard disse todo animado. – Toda noite nós podemos nos sentar aqui na cozinha e estudar a bíblia juntos, precisamos criar este costume, fará bem a todos nós.

- E também precisamos de parar de faltar aos cultos de domingo. Ir mais vezes a EBD será bom também, as meninas precisam freqüentar mais às salinhas.

Ariel e Richard assentiram.

- Querida? – Richard segurou a mão de Ariel e olhou nos olhos da filha. – Tudo que nós queremos que você saiba é que estamos aqui para tudo. Nós somos seus pais, e queremos ser seus amigos.

Clarice pegou a outra mão de Ariel.

- Você não precisa ter medo de contar as coisas pra gente. Estamos aqui para isso, para te ajudar a caminhar. – Clarice afagou a mão da filha. – Sabemos que ficamos distantes nos últimos anos por causa das gêmeas e nos arrependemos por isso, nós falhamos com você e não queremos que isso aconteça novamente. – lágrimas corriam pelas bochechas de Clarice fazendo com que Ariel começasse a chorar também. Ariel se jogou nos braços da mãe e logo sentiu os braços do pai envolta delas.


- Não vai acontecer de novo. – Richard disse sorrindo.

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2 Comments

  1. Ahh Meu Deus! Você consegue descrever tudo o que eu já senti em relação a Deus. Ele te deu um dom muito lindo, invista mais e mais nele. Que Deus te abençoe muito. Acompanho seu Blog de pertinho e simplesmente adoro.
    Beijos
    http://nascida-de-novo.blogspot.com.br/

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  2. Aii que lindo! Estou a-man-do a história, e sim Thaís, sou eu mesma Vivianne Machado. kkkkk. Estou sempre por aqui, viu? Continua que está bom demaais.
    Beeijos *-*

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