Uma aventura à dois #9

domingo, fevereiro 15, 2015




Oi gente! Como vocês estão? Espero que bem! Temos mais um capítulo da fanfic hoje, com uma revelação que vai tocar profundamente a nossa personagem. Depois de ler deixe sua opinião, me diga o que está achando da história e dos seus personagens, me digam também o que mais vocês gostariam de encontrar na história. Espero que gostem! Boa leitura. 

Capítulo 9

Na manhã seguinte Ariel acordou com o despertador, levantou e foi até a porta da varanda, abriu as cortinas e contemplou o céu escuro dando lugar ao laranja, amarelo e rosa que surgiam com os primeiros raios de sol. Eram apenas 5:20 e Ariel tinha 10 minutos para ler a bíblia ou uma passagem daquele livro que sua mãe havia lhe dado e fazer uma oração.

Ariel preferiu começar com o livro, voltou ao quarto e o pegou no criado mudo, foi para a varanda mais uma vez e se sentou na cadeira de madeira que estava lá desde que ela se entende por gente. 
Abriu o livro e começou a ler o prefácio:

“Bem no fundo do coração você encontrará a procura por um sentido na vida, a busca incessante por um propósito.

  Se você perguntar aos adeptos do secularismo: “Qual é o significado da vida?”, eles responderão: “Não sei”. Na melhor das hipóteses, talvez concordem que somos animais evoluídos. Na pior, dirão que somos poeira espacial reorganizada.

Que contraste com a visão de Deus sobre a vida “[...] somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos” (Ef 2:10)
Deus colocou a mão em seu ombro e disse: “Você é especial”.

Sem estar limitado pelo templo, ele vê todos nós. Na verdade, ele nos viu antes de nascermos.
E ele ama o que vê. Transbordando de emoção, explodindo de orgulho, o Criador das estrelas vira-se para nós, um a um, e diz: “Você é meu filho. Eu o amo muito.”

E ele nos ama para sempre. Se um dia você lhe der as costas e se afastar, ele estará pronto para providenciar um caminho de volta. Nada pode separá-lo do amor de Deus. Se você fixar essas verdades com firmeza no coração, estará pronto para vencer tudo o que encontrar na estrada que tem pela frente.

Portanto, dê início à jornada!”

Ariel fechou os olhos e procurou sentir aquele amor dentro de si, ela queria que seu coração absorvesse aquela verdade, queria acreditar com todas as forças que era especial para Deus e que Ele estava de olho nela. Enquanto fechou os olhos e ficou imaginando Deus como um Pai e ela como uma menininha diante dEle, uma paz grandiosa inundou o seu corpo. Ariel se sentiu leve e feliz. Ainda de olhos fechados, ela começou uma oração:

“Senhor, sou grata por mais esta oportunidade de estar de pé. Obrigada por ser misericordioso e amoroso, obrigada por acreditar em mim mesmo quando eu mesma não acredito... Me ensina Senhor a ser pura para sentir o Seu amor pulsar dentro do meu coração. Me ajude a me enxergar como o Senhor me enxerga. E me ensine a andar de acordo com a Tua vontade. Minha vida nunca foi apenas minha, ela é Sua, é obra das Tuas mãos, como um Artista atento a obra sei que o Senhor sempre esteve de olho em mim, querendo cuidar dos meus arranhões, querendo manter minha essência e continuar me mantendo no propósito para o qual fui criada, como uma garota teimosa fugi das Suas mãos constantemente, mas não quero fugir mais, me ensina a não fugir, Senhor. Cuida de mim...”

Ariel encerrou sua oração com lágrimas nos olhos. Não estava triste, pelo contrário, estava mais feliz que nunca, pela primeira vez se sentia completa, sem nenhuma confusão abalando seu coração. Levantou e começou a se arrumar para a escola.

***

O terceiro dia de Ariel não teve nenhuma surpresa, ela esperava algo grandioso que mexesse com seu coração, mas durante todo o dia nada aconteceu. Ela foi pra escola e durante a viagem de ida e volta procurou ouvir playlists cristãs, almoçou com a mãe e as irmãs e depois subiu para o quarto para a sua rotina de estudos. Às 17 horas desceu para tomar café e aproveitou para conversar com a mãe sobre o prefácio do livro, depois elas leram alguns versículos e oraram juntas.

Aquela sensação de leveza e alegria que a inundara pela manhã continuava em seu coração, ela passou aquele dia completa.

Às 19:30 Ariel chegou a igreja para o ensaio de teatro. O templo estava fechado, mas uma porta lateral que levava para o salão da igreja estava aberta. Ariel entrou e começou a subir as escadas, encontrou os outros jovens espalhados pelo salão, havia 16 jovens, 8 meninas e 8 meninos, e a pastora Fernanda.

Assim que entrou o mesmo grupo de meninas que a abraçara no dia do culto as puxaram para o meio delas.

- Oi Ariel! – Bárbara prendeu Ariel em um abraço forte.

- Oi gente! – Arie disse acenando para todas as meninas da roda.

Todas elas abraçaram Ariel e trocaram dois beijos na bochecha. Logo a pastora Fernanda ouviu a bagunça das meninas e se aproximou para cumprimentar Ariel.

- Ah, Ariel! – disse enquanto abria os braços e acolhia a garota em um abraço delicado. – Que bom que você veio.

- Obrigada. – Ariel ficou feliz com todo carinho que recebeu.

Fernanda segurou a mão de Ariel e a levou até o centro do salão, reunindo todos os jovens.

- Gente, pra quem não conhece essa é a Ariel. – todos que formavam o círculo sorriram para ela. – É a primeira vez que ela vem em nosso ensaio e é muito bem-vinda, viu Ariel? – Ariel assentiu. – Espero que você goste do nosso grupo e venha mais vezes.

Logo após a apresentação, Fernanda pediu que todos dessem as mãos e fizeram uma oração, depois cantaram dois louvores e Fernanda passou a palavra para o professor de teatro.

Ele se chamava Henrique e Ariel não lembrava de já tê-lo conhecido. Ele era alto e tinha cabelos cacheados, como os de um anjinho, e não deveria ter mais que 22 anos. Cumprimentou Ariel com um aperto de mão firme e ao mesmo tempo delicado.

Pediu que o grupo se dividisse em trios e como eles já estavam acostumados a trabalhar desta maneira, os trios já eram fixos o que acabou deixando Ariel sozinha.

- Fernanda e eu trabalharemos com você, Ariel. – ele sorriu gentilmente. 

Depois que todos os trios estavam em suas posições, Henrique voltou a falar.

- Vamos começar com um exercício de confiança. Vocês precisam começar a confiar em seus amigos de cenas, se não tiveram confiança como poderão fazer uma cena em que dependem do apoio total do parceiro? Precisamos ter flexibilidade também, cair, pular, dançar... Tudo faz parte do mundo do teatro e ter confiança naqueles que trabalham com você é a base de tudo.

Para demonstrar ao grupo o exercício que teriam que fazer, Henrique pediu que Ariel ficasse entre Fernanda e ele, e ficasse de frente para a Fernanda. Ela deveria ficar o mais leve possível e se jogar para trás, depois ele a jogaria para Fernanda e Fernanda a jogaria de volta, e assim iriam até que ela tivesse total confiança de que seus parceiros não a derrubariam. Praticaram o exercício por uns 15 minutos, depois todos se jogaram no chão e Henrique deu 10 minutos de intervalo.

Depois do intervalo fizeram mais alguns exercícios, em alguns deles tinham que inventar histórias e ir complementando a história do outro. Depois o grupo ensaiou uma peça que já estavam ensaiando há algum tempo, e Ariel ficou sentada no cantinho assistindo o ensaio deles.

Enquanto a peça corria Ariel viu de canto de olho quando Fernanda se sentou ao lado dela.

- E aí, está gostando do ensaio? – Fernanda sussurrou para não atrapalhar a peça.

- Sim, muito! – Ariel sussurrou de volta, estava sendo sincera, estava gostando de verdade.

- Fico feliz! Se você continuar, se escolher fazer parte do grupo, daqui a alguns dias estará ai ensaiando com eles.

- Vou adorar! – Ariel disse sorrindo.

O ensaio acabou, mas antes de ir embora o grupinho de meninas que abraçou Ariel no início trocou números de celulares com ela e fizeram a garota prometer que manteriam contato. Ela também estava sendo obrigada a vir no próximo ensaio.

Ariel encerrou a noite com uma possibilidade imensa de fazer amigas novas!

***

Na manhã seguinte Ariel fez o mesmo processo da manhã anterior acordou 10 minutos mais cedo para ler e orar, desta vez ela pegou a bíblia e leu no quarto mesmo, já que amanhecera chovendo e ventando forte. Ela estava amando aqueles momentos a sós com Deus, estava se sentindo mais perto dEle.

Após a leitura começou a se arrumar, como estava frio optou por uma calça jeans, a blusa de uniforme e uma blusa de frio de moletom que era toda fechada e bem maior que ela. Calçou um par de All Star azul e desceu as escadas para tomar café com o pai.

- Bom dia, querida.

- Bom dia, pai!

Ariel foi até a cafeteira e encheu uma xícara de café, antes de beber deixou que o cheirinho do café invadisse seu interior.

- Acho que sua mãe e eu erramos ao te dar tanto café, você é uma viciada! – Richard disse rindo.

- Só um pouquinho.- Ariel disse enquanto soprava o café.

- Como vai a leitura bíblica?

- Muito bem. Acordei 10 minutos mais cedo para ler pelo menos uns versículos e fazer minha oração, está me fazendo tão bem pai! Estou me sentindo muito mais leve.

- Que bom, querida! Você está lendo aleatoriamente ou começou algum livro?

- Aleatoriamente. Gosto de me aventurar e ser surpreendida.

- Sei, você puxou a sua mãe.

- Mamãe é aventureira? Acho que não, pai.

- Agora nem tanto, mas ela era ainda mais do que você. É mal de ruiva. – o pai sorriu.

- Preciso ter uma conversa com a minha mãe. – Ariel ficou curiosa, não sabia muito da adolescência da mãe, ela não falara muito sobre como era, sobre o que gostava e o que fazia... Só agora Ariel pensou nisso.

- É, precisa sim. Vou te dar uma carona até o ponto. Vou lá no escritório pegar alguns papéis, não enrola ai com seu vício, hein moça!

Ariel bebeu seu café comendo rosquinhas amanteigadas, enquanto admirava a chuva que batia na janela da cozinha. Seu corpo queria voltar para a cama e se aconchegar no edredom, mas a missão do dia era ir para escola com ou sem chuva.

Colocou a sua xícara na pia e fechou o pote de rosquinhas, deixou a cozinha e encontrou com o pai na sala, em menos de 5 minutos estava na praça esperando a van chegar ao ponto.

***

Estava na aula de português, a professora queria recolher as redações que havia passado na última aula, Ariel jurava que tinha terminado o texto, mas assim que encontrou a folha viu que o seu não tinha conclusão. Ela não havia conseguido pensar em soluções para os problemas apresentados no texto, porque ficou pensando em Felipe, pensando nos dois na praia.

Agora estava com raiva e sua vontade era chutar as lembranças do namorico para bem longe. Enquanto os alunos iam entregando as redações, Ariel rabiscou uma conclusão, esperando que a professora levasse em conta sua excelente introdução e desenvolvimento, o texto deveria estar bom, mas ela falhara terrivelmente na conclusão.      

Naquela manhã, a única vez que pensou em Felipe foi durante a aula de português, Ariel queria empurrá-lo para longe o mais rápido possível.

***

Durante aquela tarde Ariel não conseguiu estudar muito, ela estava incomodada, estava ansiosa e não conseguia saber porque. Já era sexta-feira, sempre ficava agitada para o fim de semana, porque isso significava ver Felipe, mas esta semana ela não o veria e nem sabia se queria vê-lo de novo.

Sempre que se lembrava daquele sonho em que Jesus a perguntara se ela queria correr atrás do amor ou deixar que ele fosse até ela, ela ficava em dúvida quanto a Felipe. Ela sabia que a situação não podia ser a mesma quando ele voltasse, não quando ela estava começando uma jornada com Deus, se queria viver mesmo confiando nEle teria que ser um lírio e não um espinho.

Deixou o quarto e desceu as escadas, as gêmeas estavam desmaiadas no chão da sala, a televisão estava desligada. Ariel sentiu cheiro de pães de queijo e foi para a cozinha. A chuva ainda batia na janela e os ventos balançavam os coqueiros lá fora.

- Oi mãe. – Ariel se sentou no banquinho da bancada.

A mãe estava tirando os pães de queijo do forno, ela se virou e sorriu para a filha.

- Oi, querida. – a mãe disse enquanto colocava a forma em cima de um pano de prato na pia. Clarice colocou uma caneca com água e açúcar no fogo, e pó no coador, logo depois se sentou em um banquinho de frente para Ariel. – Que honra ter a senhorita na minha cozinha.

- Venho sempre por aqui.

- Quase nunca ultimamente. Só para roubar xícaras de café.

- Sou muito estudiosa, tenho me dedicado demais. – Ariel disse brincalhona.

- Pior que está mesmo. – a mãe sorriu. – Já que hoje é sexta-feira, tire uma folguinha.

- Já que é a senhora que está dizendo, quem sou eu para desobedecer né?

As duas riram juntas.

- Mãe, o papai falou hoje cedo que eu puxei você no quesito aventura. Disse a ele que não me lembrava que você fosse tão aventureira assim, peraí, também não sou lá essas coisas... – Clarice riu. 

– Mas isso me fez pensar que a gente não conversa muito sobre a sua adolescência.

- É verdade, e acho que está na hora da gente conversar sobre isso né?

 Ariel assentiu.

- Deixa só eu coar o café. – a mãe se levantou e passou o café, trouxe a garrafa para a bancada e um potinho com vários pães de queijo. Após encher a sua xícara e a de Ariel se sentou no banquinho novamente e voltou ao passado.

- Seu pai costuma dizer que esse negócio de ser aventureira é coisa de ruiva, e talvez ele tenha razão. Desde muito pequena quis conhecer o mundo, queria viajar muito, conhecer outras pessoas, outras culturas. Tudo era muito inocente até chegar aos meus 18 anos. Eu era a única entre minhas amigas que não tinha namorado ainda, não tinha encontrado ninguém bom o suficiente para mim, mas estava louca para encontrar ou ser encontrada por alguém. Por fora era uma garota durona, que não dava o braço a torcer, vivia dizendo que estava sozinha porque não precisava de ninguém, mas no fundo só eu sabia o quanto queria que um garoto me abraçasse.

“Naquela época eu não era evangélica, então por querer conhecer tudo, vivia em festas, ia a rodeios, festas da cidade, shows, essas coisas, no início não fazia nada de extravagante, apenas saía com as meninas, por ser menor de idade não bebia nem nada. Mas quando fiz 18, no meu aniversário aliás, experimentei algumas bebidas, estava frustrada porque não havia conseguido entrar na faculdade, meus pais não tinham dinheiro e mesmo que eu trabalhasse não conseguiria me manter sozinha na faculdade. Para esquecer esse problema e todas as confusões que andavam acontecendo lá em casa, comecei a beber e não parei. Nas festas seguintes repetia as mesmas doses, até que um dia eu fiquei bêbada o suficiente para não voltar para casa.

Acabei na casa de uma amiga e quando consegui chegar em casa na tarde do dia seguinte, meus pais brigaram comigo, com toda a razão, mas na época eu achava que eles não tinham direito algum de chamar a minha atenção, eles não me davam exemplo algum. Naquele dia juntei as minhas coisas e fui embora de casa, fui morar com a amiga que tinha me levado para a casa dela quando estava bêbada.

E assim, eu acreditava que estava começando a aventura da minha vida! Comecei a trabalhar, mas não conseguia juntar dinheiro, porque tinha que ajudar nas despesas da casa e a parte que sobrava era gasta em festas, comecei a ficar com uns e outros, mas aquilo tudo era muito vazio. E foi aí que meu vício por bebidas aumentou, eu precisava estar bêbada para encontrar sentido naquele vazio todo. Em uma noite louca encontrei “o cara”, era por ele que havia esperado a minha vida toda, foi a essa ideia que me apeguei naquela noite e nós começamos a ficar.

Dois meses depois nós estávamos morando juntos. Alugamos um apartamento que mais parecia um cubículo e os sonhos de cada um ficaram perdidos enquanto tentávamos nos manter juntos. Foi uma relação conturbada, cheia de altos e baixos, na verdade, pra mim ele era o homem da minha vida, enquanto pra ele eu era apenas mais uma garota. A gente continuou indo à festas, tendo os mesmos costumes de quando éramos solteiros, mas ele não me respeitava, ele dava em cima de outras garotas na minha frente e quando chegávamos em casa, ele me dizia que se eu quisesse ficar com ele seria assim. Ele nunca seria meu, mas eu teria que ser apenas dele, e ele me demonstrava isso através de um ciúme doentio.”

Ariel nunca vira a mãe com um semblante tão triste, ela não chorava, mas cada uma de suas palavras eram carregadas de um peso profundo, ela carregava uma mágoa muito grande por ter feito aquelas escolhas. Em momento algum Ariel acusou a mãe ou a julgou, apenas queria ouvir.

Clarice bebeu um pouco de café e limpou a garganta, queria chegar ao fim daquela história logo.

- Ele era ciumento demais e depois de um ano morando juntos, eu mal podia colocar os pés na rua, era do trabalho pra casa, de casa para o trabalho. As festas acabaram, as amizades tiveram fim, e a garota durona que vivia dizendo que não precisava de ninguém estava murchando. Agora era outra pessoa, ela amava de maneira estranha um rapaz que não estava nem aí para ela e estava se perdendo nesta relação.

“Quando completamos 1 ano e dois meses morando juntos, descobri que estava grávida. Ele adorou a notícia, me dizia coisas lindas no começo, dizia que seríamos o casal mais feliz do mundo e que a partir de agora teríamos uma vida diferente. Ele falou que eu não precisava trabalhar mais e assim passei dois meses em casa, mas logo ele começou a jogar na minha cara os gastos da gravidez e a dizer que o filho era apenas meu e não dele... Ele não parava mais em casa e quando estava nós brigávamos o tempo todo. Quando completei 5 meses nós tivemos uma briga feia e ele me bateu...”

A voz de Clarice falhou e lágrimas começaram a jorrar. Ariel não sabia o que fazer, ver sua mãe chorar já cortava o seu coração, mas saber de um passado triste e doloroso da mãe era muito pior. Ariel segurou suavemente a mão da mãe.

- Naquele dia perdi o bebê, e ele se quer apareceu no hospital. Era um menino. – a mãe sorriu entre as lágrimas. - Não estava conversando com os meus pais desde que sai de casa e não podia ligar para eles, não tinha para onde ir, então teria que me humilhar e pedir ajuda alguém... Como em todos os casos, os velhos amigos sumiram, e só restou minha madrinha. Liguei pra ela e pedi ajuda. Ela veio me buscar no hospital e me levou pra casa, contei tudo a ela e ela disse que me daria uma chance, uma oportunidade para escolher uma vida diferente.

“Os meses seguintes foram terríveis, a decepção de ter apanhado e ter uma relação destruída não chegava nem perto da dor de perder um filho, todas as noites sonhei com aquele menino, imaginando como ele seria e como a vida poderia ter sido diferente... Me acostumei com uma depressão que rasgava o meu peito e assumi uma vida com rotina, trabalhava o dia todo e fazia um cursinho a noite, só para não ficar a toa com a minha dor.

Minha madrinha reparou tudo isso e me fez uma proposta, que tal mudar de vida de verdade? Ela me inscreveu num intercambio e logo eu estava em um avião indo para os Estados Unidos. Estar em um lugar diferente longe de todas as minhas dores me ajudou a superar muita coisa, mas as mágoas ainda estavam aqui dentro. Para não revivê-las de novo, mudei todos os meus costumes, deixei as festas, as bebidas e os relacionamentos. Me fechei para o mundo da melhor maneira que pude.

Meu intercambio era de 1 ano, aproveitei tudo que podia da escola e logo arrumei um emprego por lá, fiz uns cursos e quando chegou a hora de voltar pedi a minha madrinha que me deixasse mais um pouco. Trabalhei o suficiente para me manter e logo já não estava precisando mais da ajuda financeira dela. Fiz mais cursos e entre um café e outro nas ruas de Nova Iorque encontrei o seu pai.”

Agora o rosto de Clarice não estava tão triste quanto estava há segundos atrás, seus olhos brilhavam, o que sempre acontece quando Clarice olha para o marido ou fala dele.

- No inicio foi difícil, eu não queria saber de ninguém e deixei isso bem claro pro seu pai, mas ele era persistente e disse que não desistiria fácil. Ele sempre passava no café, ele era gentil e educado, ficava conversando comigo enquanto eu entregava cafés. Nós acabamos ficando amigos e deixei que de mansinho ele entrasse na minha vida, antes de sairmos para qualquer lugar ele me convidou para ir a sua igreja e me apresentou a Jesus. Foi a melhor escolha que fiz! Jesus me deu uma nova chance e seu pai veio de brinde. – Clarice sorria. 

- Papai não estava de brincadeira quando disse que você era aventureira. – Ariel sorriu.

- Não, ele não estava. – Clarice bebeu seu café e Ariel aproveitou para comer dois pãezinhos de queijo. - Esse sentimento de aventura que nós temos aqui dentro não é ruim, até que você deixa-se levar pelos desejos do momento. Se nós seguirmos todas as nossas vontades, vamos acabar nos magoando. É por isso que confiar em Deus é uma grande escolha, quando você deixa Ele na frente seus olhos abrem, você não é guiada por emoções e desejos, você é guiada pela fé e através dela entende que a vontade de Deus para a sua vida é muito, muito melhor do que a sua. Não há aventura melhor do que essa, querida.

Naquela noite Ariel foi dormir com a história da mãe rondando a sua cabeça, sempre dizem que aprender com os erros dos outros é mais inteligente do que cometer seus próprios erros, e todas as palavras de Clarice foram fortes demais para fazerem com que Ariel aprendesse a parar para refletir em cada escolha que faria dali por diante.

Clarice fez uma escolha simples, queria conhecer o mundo, se aventurar por ele, mas o que ela quis ver não trouxe nenhum fruto bom, não trouxe paz, não a trouxe a Deus. Só quando ela se arrependeu da vida que levara e resolveu mudar, e aprendeu a confiar em Deus foi que sua vida mudou. Ariel fizera uma escolha simples também, que tinha o mesmo poder de virar uma imensa bola de neve. O 4º dia chegava ao fim, agora faltavam apenas 10.

E aí? Não esquece de me contar, hein!
Beijos,   



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2 Comments

  1. Uaaaal , amei *-* Ansiosa pelo próximo ><
    Beeijus. Deus te abençoe princesa ♥

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  2. Amoo,amoo,amooo...
    Q Deus continue t abençoando e q Ele continue a te inspirar...:3

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