Âncora

sexta-feira, maio 22, 2015



O mar estava agitado, as ondas estavam enormes, mas mesmo assim a praia estava lotada e nem era verão, era maio na verdade e já estávamos no outono! Aquele mar todo na minha frente e não, não poderia ficar sentada de frente para ele o dia todo sem dar um mergulho se quer. Acompanhada do meu primo entramos no mar, caminhamos para além de onde as ondas quebram e ficamos em um lugar estratégico onde pudéssemos furá-las sem que elas nos levassem junto.

Cinco minutos se passaram. Cinco minutos divertido, em que ondas muito mais altas do que nós dois passavam por nós nos levando a altura e que depois nos faziam tocar o chão. Até que uma onda muito mais alta do que eu veio em nossa direção. Tentei furá-la como as outras, mas não consegui ir fundo o bastante, antes que desse conta ela já tinha me pego e me enrolado em suas águas. O mar de Garatucaia estava de ressaca, era culpa da lua cheia, disse meu primo. As ondas simplesmente queriam brincar com a areia, queriam encontrar a terra firme, e para isso levariam tudo que estivesse em seu caminho com elas. Ela me levou e me girou três vezes.

Na minha vida praiana já levei muitos caldos, principalmente quando criança, mas nenhum como aquele. Em nenhuma das outras vezes me senti fraca e impotente como daquela vez. Não teve graça, teve desespero na verdade, achei que não conseguiria submergir e a única coisa que pensei foi: “acabou.” Você pode até achar que é dramático, tudo isso, mas não é, eu realmente me senti assim. Consegui continuar nadando e graças à Deus a onda se foi enquanto eu fiquei. Depois? Tudo que queria era sair daquele mar o mais rápido possível! Meu primo me ajudou a sair e não entrei nele pelo resto do dia.

Hoje enquanto lia o Salmo 18 me lembrei desse momento e fui levada a imaginar as pessoas que estão em alto mar, esses barqueiros que saem de casa junto com a lua e encaram o mar escuro sozinhos durante longas noites. E se uma tempestade os surpreender? E se ondas grandiosas, muito maiores do que as que enfrentei, balançarem o seu barco? Pode ser que um deles faça como Davi: “Na minha aflição clamei ao Senhor; gritei por socorro ao meu Deus. Do seu templo ele ouviu a minha voz; meu grito chegou à sua presença, aos seus ouvidos.” (v. 6)

Posso, embora muito mal, imaginar o Senhor sentado em Seu trono, de lá de cima comandando tudo. De repente, Ele ouve o grito de um filho querido: “Senhor, por favor, me ajude!” Seu coração se compadece, é Seu filho que O chama. O Senhor se levanta do trono e os anjos questionam: “Senhor, onde vai?” ao que Ele responde: “Vou salvar meu filho!” O Senhor sai da Sua glória para salvar aquele homem.

“Ele abriu os céus e desceu; nuvens escuras estavam sob os seus pés. Montou um querubim e voou, deslizando sobre as asas do vento.” (v. 9-10) “Das alturas estendeu a mão e me segurou; tirou-me das águas profundas.” (v. 16)

Talvez você não esteja no mar, você não tem um barco nem segue a luz de um farol, mas a sua vida tem sido tão tempestuosa quanto um mar em fúria. Você pode estar desorientada entre problemas, soterrada em dores ou desesperada por afeto, independente do que seja, de quem seja seu inimigo, se eles estão no plural ou não, se são de carne e osso ou espírito, o único farol que pode te guiar por esse mar é o Senhor! Assim como Deus desceu a terra para fazer com que Davi ganhasse uma guerra, Deus desce para te salvar e fazer com que você vença toda treva.

Sozinhos não somos nada, sucumbimos as trevas com muita facilidade. A luz vem do Senhor e só a encontramos quando a buscamos diariamente.  Sabe por que Deus desceu para socorrer Davi? Ele mesmo nos responde: “Pois segui os caminhos do Senhor; não agi como ímpio, afastando-me do meu Deus. Todas as suas ordenanças estão diante de mim; não me desviei dos seus decretos. Tenho sido irrepreensível para com ele e guardei-me de praticar o mal. O Senhor me recompensou conforme a minha justiça, conforme a pureza das minhas mãos diante dos seus olhos.” (v. 21-24)

Ainda neste mesmo capítulo Davi diz: “Ao fiel te revelas fiel, ao irrepreensível te revelas irrepreensível, ao puro te revelas puro, mas com o perverso reages à altura.” (v. 25-26) O Senhor não muda, Ele foi fiel no tempo de Davi e permanece fiel nos dias atuais, até mesmo quando nós não somos. Mas aqueles que se mantém fieis ao Senhor, e isso não significa que essa pessoa nunca tenha falhado e cometido erros, a diferença está em que ela pediu perdão pelo que cometeu e não voltou a fazê-los, essa pessoa agrada ao Senhor, é fiel a Ele e Ele a ela.              

Que as nossas ondas diárias não venham a nos afastar do Senhor, pelo contrário, que elas nos aproximem e que depois de passadas nos mantenhamos próximas a Ele. E que com ondas ou sem, tenhamos sempre o desejo de louvar ao Senhor e agradecer por tudo que Ele nos fez. Afinal “O Senhor é a minha rocha, a minha fortaleza e o meu libertador; o meu Deus é o meu rochedo, em quem me refugio. Ele é o meu escudo e o poder que me salva, a minha torre alta.” (v. 2)

Lembre-se a sua ancora é o Senhor, não se preocupe se o mar se agitar tanto e te fizer começar a girar e a beber um pouco de água salgada, apenas clame por Ele e confie, pois a mão dEle se estenderá e segurará a sua. Ele é sua ancora. Sua ancora. 




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 Este texto faz parte do Projeto 150 dias com Salmos, que é feito através do Wattpad. Você pode conferir e participar aqui.

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