Um coração à procura de consertos

sábado, junho 27, 2015



“Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser destroçado e ainda continuar batendo? Nos últimos dias, eu tinha passado por muitas experiências que poderiam ter acabado comigo, mas isso não me deixou mais forte. Ao contrário, eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma única palavra pudesse me despedaçar.”

— Isabella Swan.

O meu velho exemplar de Lua Nova caiu ao meu lado na cama, sinceramente não tenho noção alguma do porque voltei a ler este livro, é o que menos gosto, mas ainda sim... Acho que estou tão angustiada e depressiva quanto a Bella neste volume, talvez esta seja a explicação, e essa frase, justo essa, descreve com perfeição o que o meu coração está passando neste momento. 

Deixo o livro de lado e me levanto da cama, sei que livro algum vai mudar o que estou sentindo e mesmo que leia minha estante inteira e ouça todos os meus discos favoritos, o meu coração permanecerá aflito no final, porque enquanto não encarar os monstros que estão crescendo aqui dentro não serei capaz de vencê-los. E também sei que não posso fazê-lo sozinha. 

Vou até a cozinha e coloco um pouco mais de uma xícara de água para ferver, talvez um café seja capaz de aquecer as coisas aqui dentro e me acordar pra vida. Enquanto o fogão ganha vida, me encosto na pia e viajo na cena que vejo pela janela. Há uma velha mangueira no quintal do vizinho, grande o suficiente par impedir que os raios solares das primeiras horas da manhã cheguem a minha minúscula cozinha. Neste momento, as folhas balançam com uma brisa suave e alguns raios de sol conseguem espaço entre os galhos para chegarem até mim. 

Essa mesma visão me faz lembrar de céus escuros, nuvens pesadas cobrindo o sol, e que mesmo assim não impedem que alguns raios escapem aqui ou ali, fazendo com que holofotes iluminem alguns lugares do mundo. Talvez se eu conseguisse estar em um desses holofotes, sentindo o calor do sol mesmo quando as nuvens prometem uma chuva daquelas, eu conseguisse sentir a presença de Deus e Ele pudesse curar as feridas de um velho coração dolorido... 

Raios penetram a minha cozinha com mais força, um deles alcança o meu coração e sinto, mesmo que de forma amena um calor emanar daquela luz. Talvez não precise ir tão longe para encontrar a Deus. 

Às vezes me esqueço do quanto esse mundo pode ser cruel, e que algumas lutas não são tão nobres quanto os livros demonstram ser... Não quero culpar ninguém nem me culpar por talvez ser sensível demais para a vida, mas sei que preciso de ajuda agora e assumo esta verdade, porque não posso mais conviver com um coração que possuí mais lacunas vazias que espaços preenchidos. 

Deixo a luz aquecer meu coração enquanto me recordo do meu avô falando sobre um Deus olheiro, um Deus que tinha prazer em reconstruir vasos quebrados. 

- Deus não é Senhor de separação Anna, Ele é Deus de reconstrução! - a voz doce do meu avô me ensinava lições preciosas aos domingos de manhã enquanto caminhávamos devagar pelas ruas do bairro dele para a velha igreja da região.

Um Deus de reconstrução que não via limites na reconstrução de uma obra Sua. Um Deus que não se cansava de voltar a se sentar com o mesmo vaso e tentar mais uma vez. 

- Sou um vaso quebrado agora, Senhor. Podes me reconstruir? - fecho meus olhos enquanto sinto um calor ir além, no meu coração, um calor que não pertence aos frágeis raios solares. Algumas lágrimas correm por minhas bochechas enquanto me lembro do quanto sou amada. 

- Independente do que o mundo ofereça a você, seja uma cesta cheia de cores ou apenas limões, lembre-se que há uma realidade que ninguém pode roubar: você é filha de um Rei que muito a ama. - a voz do meu avô soou em meu coração. 

Abri os olhos quando ouvi o barulhinho abafado da água fervendo. Desliguei o fogo e passei o café. Apressada, enchi minha velha xícara vermelha, que tinha uma lasca na borda e me sentei na mesa de madeira da cozinha. Abri um certo livro que não abria há muito tempo e caí aleatoriamente numa das partes que mais precisava naquele momento. 

"Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve." (Mateus 11:28-29)

Como aqueles pequenos rastros de raios solares, a presença do Senhor em meu coração era leve e suave, mas a sua sutileza não a impedia de agir. Senti que as lacunas que antes estavam vazias começaram a ser preenchidas, preenchidas pelo amor de um Deus que me amava e que estava disposto a pegar as minhas dores e em troca me dar Tua paz e alegria. 

Com Jesus eu podia me sentir frágil, diante dEle podia rasgar meu coração e deixar que todo choro suprimido viesse à tona, porque antes de me julgar ou me ensinar qualquer coisa, Ele me abraçaria e limparia minhas lágrimas. Jesus é o caminho para a vida e mesmo que não possa vê-Lo ao meu lado todos os dias, sei que Ele está lá. Sua paz é capaz de curar a minha alma aflita.  


Desculpa Lua Nova, mas a Bella vai ficar depressiva sozinha. Não preciso de um Edward para me salvar, quando já tenho um Príncipe de Armadura Brilhante à postos!

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