+QP | Faz frio aqui dentro



O vento varre tudo lá fora, alguns galhos de um velho pé de salgueiro se esfregam violentamente nas paredes de madeira da cabana, que agora parecem tão frágeis. O mar também está agitado, posso ver pelos vidros da janela da cozinha e alguns relâmpagos e trovões cortam o céu. Talvez eu devesse ter ficado em casa, assistindo uma maratona no Netflix ou lendo algum livro. Bendita hora que decidi ouvir a minha mãe e passar alguns dias na velha cabana dos meus avós na praia... Mas ela não teria desistido com facilidade:

- Vai fazer bem pra você, meu bem. Se afastar dessas buzinas, dos carros de som, dos foguetes que soltam durante um jogo no domingo... 

Tudo isso não passava de pretexto. Minha mãe só queria que eu começasse de novo, que eu superasse a crise de ansiedade que vinha enfrentando nos últimos meses, que voltasse a conseguir me virar depois da minha série de crises de pânico. E bem, eu também queria deixar isso tudo para trás, então decidi ouvi-la, mas as coisas não pareciam estar dando muito certo. Ficar sozinha numa cabana não significava que eu teria grandes revelações, que me descobriria e que encontraria um novo sentido para vida. Não, nada disso aconteceu nos últimos cinco dias desde que cheguei. 

E agora tenho que me sentar na salinha minúscula, encolhida no sofá, com uma xícara de chocolate quente nas mãos. Após dar um gole percebo que o chocolate ainda está muito quente, embora já esteja esperando que esfrie há bastante tempo. Coloco a xícara na mesa de centro e volto a me recolher no sofá. Os barulhos dos trovões soam mais alto e mais perto. Meu coração estremece. Eles são tão assombrosos quanto os carros nas ruas, quanto as pessoas que passavam por mim às pressas, quanto a pilha de problemas que me esperavam em casa. 

Por que eu fiquei... assim? Bem, eu levei um pé na bunda, foi isso. Deveria ser a coisa mais normal do mundo. Minhas amigas me disseram que eu deveria esquecer aquilo, segundo elas eu era uma mulher incrível, não ficaria solteira por muito tempo. Bastava aplicar uma nova maquiagem, vestir uma roupa bonita e comprar ingressos para um show. Seguir a vida. Mas não era tão simples assim. Minha mente não queria esquecer o meu namorado, quer dizer meu ex. E mais ainda, vê-lo beijando a minha (ex) melhor amiga também era algo difícil de superar. E depois disso me tornei fraca para realizar qualquer coisa. Esse é meu drama, mas sei que existem piores por aí. Me encolho mais no sofá. Cubro a cabeça na vã tentativa de abafar o som dos trovões. 

"A culpa é sua...", minha cabeça começa seu monólogo e sinto vontade de batê-la na paredes, mas talvez ela tenha razão, deve haver algum problema comigo. Algum defeito, alguma falha que ainda não percebi e que ele acabou percebendo e fugindo antes que fosse tarde. Levanto e caminho até a janela da cozinha. O mar parece um pouco convidativo. E se eu acabasse com isso? Não precisaria fazer com que meus pais sofressem nem que gastassem dinheiro com Rivotril! E minha mãe não precisaria mais ouvir que eu era tão nova para estar tão deprimida, tão desiludida da vida. As pessoas parecem ter aprendido a se defender das decepções da vida, parece que elas se armaram contra as desilusões, mas eu não. 

Alguém me disse que meu erro foi acreditar no amor... Talvez tenha sido, talvez ele não exista. Desenho um coração no vidro da janela, no mesmo lugar que ele desenhou pra mim na primeira vez que veio comigo aqui, há dois anos, nas férias de verão. Ele sussurrou que me amava e que queria casar comigo. A lembrança faz com que uma lágrima solitária escorra por minha bochecha. 

Talvez meu erro não tenha sido acreditar no amor, talvez tenha sido a intensidade somada ao fato daquela não ser a minha pessoa. Dizem que somos metades de laranja, não é? Bem, talvez eu tenha me unido com a metade errada, dei toda minha doçura para a metade que não era minha e agora estava azeda. Tem como ser adoçada de novo? Não tenho certeza se quero saber a resposta. 

Encosto a cabeça no vidro frio da janela, fecho os olhos e ouço as gotas de chuva que batem na superfície. Fico assim por um longo tempo, até que sinto algo mais forte bater na janela. Algo como uma mão. Abro os olhos sobressaltada, meu coração pulando vinte vezes mais rápido. Não lido bem com sustos. E lá estava ele. Um homem de pele morena, cabeça coberta pelo capuz da sua blusa preta de frio, os olhos preocupados, mas com as lábios formando um sorriso. Um sorriso que eu adorava ver. Ele não era a metade da minha laranja, mas se amizade fosse comparada em frutas, nós seríamos como um morango, doce e azedo ao mesmo tempo. Sorri pra ele e percebi que meu coração tinha se acalmado um pouco. Ele acenou para a porta e caminhei cautelosamente até lá. Precisava me estabilizar do susto e da melancolia, se não a porta jamais seria aberta. 

Depois de alguns minutos abri a porta e fui recebida por ventos massacrantes e areia, areia por todo lado. Fiquei um pouco confusa e foi Gabriel quem fechou a porta. 

- Achei que você ia me sacanear e não abrir a porta. - sua voz soou brincalhona, como sempre. 

- O que você está fazendo aqui? - falo forçando as paredes da minha garganta a permanecerem abertas. A vontade delas é se fechar, me sufocar e me fazer chorar. 

- Sua mãe me disse que você estava aqui, não achei bom você ficar aqui sozinha nessa tempestade.

- Não preciso de babar. - minha voz sai seca e mal educada. 

- Quem disse que eu vim pra ser sua babá? Não vim cuidar de você, vim passar tempo com você. Tempestades são mais divertidas com amigos! - ele caminha até a mesa e coloca algumas sacolas, que até agora eu não tinha reparado, em cima do móvel. - Lembra o que fazíamos nas tempestades de verão? 

- Depois que éramos arrastados pela minha avó da água? - Gabriel acena positivamente. - Nós jogávamos, ríamos feito bobos e comíamos sem parar.

- Pois é! Então eu trouxe algumas coisas do supermercado, Banco Imobiliário, porque vamos poder jogar o suficiente para comer tudo o que eu comprei e posso te contar as últimas burrices que eu fiz, acho que você vai rir bastante! - ele não olha pra mim, está ocupado tirando das sacolas tudo o que trouxe e não percebe que já estou rindo. Pela primeira vez em meses alguém está lidando comigo da forma mais natural possível, como se nada tivesse acontecido. Como se eu não fosse a mais nova maluca do pedaço. Talvez isso faça bem pra mim. 

- Sabe, acho que sou que tenho idiotices para contar... - mal dou por mim e já estou contando tudo a ele. Parece que consegui realizar um dos maiores desafios impostos por minha psicóloga: voltar a confiar em alguém. 

O mar deixa de ser tão convidativo. As minhas risadas misturadas com as de Gabriel são mais charmosas agora e os trovões não me dão mais tanto medo. Talvez tudo o que eu precise seja apostar na vida de novo, dar uma chance para ela e deixar que ela me surpreenda. Além dos lobos, há cordeiros no caminho. 


***
Tema: Um dia chuvoso em uma cabana.

Este texto faz parte do Projeto Mais que Palavras, um grupo que se reúne no Facebook e traz propostas mensais para textos, contos, crônicas, etc., com a missão de tirar nós, (jovens que sonham em ser escritores), de sua zona de conforto e por em prática a atividade que tanto amam. Para saber mais sobre o projeto basta clicar na imagem abaixo, você será redirecionado para o grupo do projeto. 

5 coisas que tem a cara da primavera


No último dia 23, às cinco da manhã, algo aconteceu no hemisfério sul (e não sei te explicar passo a passo como) que fez com que a estação das flores chegasse. E não dá pra não notar com a maioria das árvores da minha rua coberta de flores (olhos brilhando). Nem dá pra ignorar e fingir que não as vejo. Nem deixar a minha mente não produzir conteúdo sobre isso. Vocês vão ficar cansadas da primavera de tanto que vou falar dela, mas é amor gente, só isso.  

Pra você saber que eu não sou a única apaixonada pela estação, o grupo Irmandade das Blogueiras, colocou essa estação tão linda entre os temas de postagens desse mês e eu não simplesmente não poderia deixar de fazer! Que tal conferir cinco coisas pra mim que tem a cara da primavera?



1. Filme
O Fabuloso Destino de Amélie Pulain



Após se mudar para um bairro no subúrbio de Paris, Amélie encontra uma caixa escondida no banheiro de sua casa. Dentro da velha caixa estão lembranças da infância de um garotinho. A moça não se contenta em guardar a caixinha em algum canto ou simplesmente jogá-la fora, decidi devolver as lembranças ao dono e parte em uma busca por ele. Após seu ato de bondade, Amélie começa a repensar a vida e adquire uma nova visão de mundo. Ajudar as pessoas a sua volta, mesmo com os gestos mais simples, é muito melhor do que morrer sem ter feito qualquer ação nobre (mesmo que você seja o único a saber que as tem feito). Assim a vida da doce moça parisiense começa a ficar mais colorida, embora ela ainda sinta um desejo enorme de viver uma boa história de amor... Não tem como ver a história da Amélie e não se apaixonar! 

Além das locações parisienses maravilhosas, o filme tem um excelente texto e me identifiquei muito com Amélie <3 Por que me lembra a primavera? Porque Amélie é como uma flor, ela passa por todo o processo de irrigação, de cuidado e de desabrochar... É uma dessas florzinhas que nascem no meio de uma calçada!

2. Seriado
 Unbreakable Kimmy Schmidt


Kimmy e mais três mulheres foram mantidas em cativeiro por um pastor maluco por 15 anos. Ele decidiu aprisioná-las, porque acreditava que o fim do mundo estava próximo e deseja salvá-las. Na verdade, ele só era bem maluco mesmo e mudou a vida das garotas. Após ser liberta, Kimmy não quer ser conhecida como a "Mulher Topeira", só quer ter o controle da sua vida de novo e recomeçar. Após uma entrevista bizarra, ela decidi ficar em New York, só que Kimmy não conhece ninguém na cidade, muito menos sabe como o mundo atual funciona, ela ainda funciona como a adolescente que era antes de ser confinada, é ai está a graça de tudo isso.

No seu primeiro dia, ela acaba conseguindo um emprego, uma casa para morar e dois grandes amigos. Os 13 episódios da série original do Netflix me lembram de recomeços, de acreditar em si mesma e de sempre ser você mesma. Quem acompanha a série ri com as complicações da vida de Kimmy, torce para que a mocinha peculiar se dê bem e ainda acompanha um roteiro de comédia bem inteligente, a série não se resume a falas idiotas (o que acontece com muitas séries de comédia por aí) e faz até críticas a sociedades muito relevantes! 




3. Música

 Pocketful of Poetry - Mindy Gledhill




 A moça dessa canção não se dá muito bem com o ambiente fechado de seu escritório. Sua cabeça não foi feita para lugares fechados, para números e para essa competitividade da vida adulta. Por que? Porque ela tem um bolso cheio de poesia, uma cabeça cheia de canções e um coração com asas. Ela não pode ser presa, ser limitada não é o suficiente para essa moça. Ela quer fazer escolhas diferentes na vida, não quer se limitar as opções compactas que lhe foram oferecidas. Ela quer estar lá fora sendo livre como os pássaros.

4. Livro

À Procura de Audrey 



"Audrey, 14 anos, leva uma vida relativamente comum, até que começa a sofrer bullying na escola. Aos poucos, a menina perde completamente a vontade de estudar e conhecer novas pessoas. Sem coragem de sair de casa e escondida por um par de óculos escuros, a luz parece ter mesmo sumido de sua vida. Até que ela encontra Linus e aprende uma valiosa lição: mesmo perdida, uma pessoa pode encontrar o amor."

Ainda estou lendo talvez  seja por isso que ele esteja aqui rs Em breve trago resenha! 

5. Instagram 




A natureza nos agracia com flores e seus aromes, enquanto esse nobre cavaleiro anônimo nos presenteia com cartões cheios de amor no Instagram!

E pra você, o que tem a cara da primavera?
Gosta da estação tanto quanto eu? 
Espero que mais flores floresçam próximas a você!
Beijos,

Mãe, eu vou lançar um livro!



A primavera chegou e além das flores que invadem as ruas, meu Pai encheu minha vida de flores também. Ele fez uma flor brotar em meu coração e bem, essa flor acabou ganhando vida no mundo real, e eu não podia deixar de compartilhar com vocês esse sonho que começou em julho de 2014! Vou explicar timtim por timtim, porque essa alegria não cabe mais no meu peito! 

Em meados do ano passado, o pastor Eneas, editor da Editora cristã UPbooks, parceira do nosso blog desde de janeiro do mesmo ano, me fez a seguinte pergunta: "Thaís, você gostaria de lançar um livro?" Antes mesmo de responder, de entender a pergunta em si, a dona Thaís já estava pulando e dançando pela casa, porque só Deus e eu sabíamos o quanto aquele sonho era grande. Logo que comecei a escrever, aos 16 anos, ficava olhando meus livros e imaginando se talvez um dia seria possível ter pelo menos um volume com o meu nome na borda, e bem quando se sonha ao lado de Deus a vida tende a nos surpreender, sabe?

A proposta do pastor Eneas era transformar o blog em livro e assim fizemos. Lancei no word toda a essência do Princesas Adoradoras, o que é ser uma princesa? Por que somos princesas? Quais são os dilemas vividos por nós? Tudo isso está compilado no livro e espero que ele seja usado por Deus como canal de benção tanto quanto o blog e a fanpage tem sido. 

Vocês estiveram com a gente o tempo todo, curtindo, compartilhando, dando opiniões... Se não fosse Deus, em primeiro lugar, e as nossas queridas leitoras meu sonho jamais teria saído do papel! Portanto, estou aqui não apenas para avisar as senhoritas de tudo isso, como para convocá-las para participar! Precisamos de vocês para nos ajudar a escolher qual capa tem mais a cara do Livro Princesas Adoradoras, queremos que vocês baixem o primeiro capítulo para sentir o gostinho do volume e criamos outras tantas formas de interação que vocês descobrirão em breve! E pra quem mora em São José dos Campos ou pertinho, e for na feira Expo Cristã, eu estarei lá e adoraria conhecer você! 

Nossa intenção não é levantar nome, não é fama ou tantos outros ingredientes do mundo capitalista, desde que esse sonho surgiu em meu coração eu sabia que só faria sentido se fosse por e para Deus. Nossa intenção é levar o amor do Senhor ao seu coração, é fazer com que você entenda o quão valorosa é e te ajudar a estar cada vez mais íntima desse Pai maravilhoso! Se você quiser embarcar nesse sonho comigo, não fique distante de nossas redes sociais, porque mais informações surgirão em breve!

Posso contar com vocês? 

Resenha - Círculo de Fogo



Pra quem leu a resenha de Herdeiros do Trono há algumas semanas atrás, eu disse que não tinha me contido e segundos após terminar o primeiro volume fui correndo atrás do segundo, né? Pois é a mais absoluta verdade e em menos de cinco dias detonei Círculo de Fogo, a culpa da demora em trazer a resenha é do próprio livro, porque parei todos os outros textos que tinha pra ler por causa dele e estou até hoje em pendência com os textos da faculdade #fato.

* Contém uma pitada de Spoiler *

Após Pedro e Eloise descobrirem que são os legítimos herdeiros do trono de Petra, entrar e vencer o Torneia de Bravura deixa de ser apenas um sonho e se torna uma obrigação, porque todo rei de Petra precisa ter passado pela Academia de Cavalheiros. Durante a primeira parte do romance acompanhamos os dois irmãos, acompanhados dos melhores amigos, Tommy e Isabel, durante os desafios do torneio. Cenas de aventura se seguem enquanto os quatro precisam vencer labirintos, corridas de cavalo em matas fechadas, duelos de braço e espada, e ainda tem que lidar com Estéfano Talmoi, um rapaz idiota que cria confusão e ódio contra os mestiços do reino e que fará de tudo para roubar de Tommy o coração de Eloise. 

Ah pois é, além das emoções do torneio, de acompanhar ansiosamente se os nomes dos quatro estarão entre os aprovados em cada competição, é preciso lidar com o romance de Eloise e Tommy, que a cada cena fica um pouquinho mais fofo... 

"Foi como se o sol explodisse espalhando luz e calor por toda parte. Tommy beijou-a, trazendo-a para si, de maneira impetuosa, sentindo a força de mil estrelas explodindo em seu peito, simultaneamente. Alto tão pleno, tão intenso, tão verdadeiro... que ele queria que durasse por toda a eternidade."



E como se não bastasse, os jovens tem que lidar com a presença do rei Edgar Belmonte, o tio usurpador que o lado de sua mãe, Elba, são responsáveis pela morte de Pietro, o pai de Pedro e Eloise. O tio está na cidade para acompanhar o torneio e garantiu muitas surpresas, o que deixa os quatro jovens receosos, será que ele descobriu que existem herdeiros para o trono que ele ocupa? E se descobriu quais serão os seus passos? 

"O Guardião, enfim, descobrira os planos do rei. Entretanto, era tarde demais. A Ordem não poderia agir, tampouco explicar o que estava por vi. Sequer havia tempo de preparar os herdeiros para a mudança repentina que tomaria  de assalto, não somente os filhos de Pietro, mas um reino inteiro."

Dessas questões surge uma reviravolta que nos conduz para a segunda parte do livro, Pedro e Isabel viajam por algumas partes reino de Petra a bordo de um navio comandado por um ex-pirata, enquanto Eloise, Tommy e Arnon flutuam pelo céu no Pelicano, um dirigível moderno que me deixou com a maior vontade de ser uma das passageiras! Fazendo paradas em várias partes do reino, os jovens tem que reunir pedaços de um mapa que os levará a um passo mais perto de conquistarem o trono. Enquanto viagem, eles tem contato com a realidade do reino, com a dor, o desespero e as desigualdades sociais espalhadas por todo lugar.

"Pedro tinha consciência de que resolver o caos social instalado em Zadoque não se resumia em destronar Edgar e em devolver o trono a ele e Eloise. Embora fundamental para garantir o restabelecimento da justiça e o respeito às Leis do Criador, a restituição do trono por si só, não colaria os pedaços quebrados do Reino Unido. Não faria o exército separatista de Zadoque assinar a rendição. Não terminaria, imediatamente, com a guerra civil de Kedah, tampouco acabaria com a divisão étnica em Gazara."



Desafios surgem dentro dos próprios jovens, Eloise tem que lidar com uma dupla personalidade que a põe em saia justa em um triângulo amoroso com Tommy e Arnon; Isabel lida com as lembranças de um quase estupro que mexem com a sua cabeça e fazem com que ela deseje salvar todas as garotas que passam pela mesma situação. Tommy receia perder Eloise e Pedro se descobre apaixonado por Isabel, será que ela corresponderá? 

Somos apresentados a novos ambientes e personagens, que trazem um brilho a mais a trama, conhecemos mais a fundo a maldade de Elba e suas estratégias sujas, temos mais contato com o passado dos irmãos Belmonte e surtamos desejando que um futuro melhor esteja a espera deles! E se tudo não bastasse (de novo!) Elysanna nos conduz a terceira parte do livro, onde descobrimos o que é o tal Círculo de Fogo e só digo uma coisa: se prepare para roer as unhas! 


Geralmente séries literárias não fazem parte do meu hall de leitura, acho que é por não aguentar ficar sem saber o que acontecerá no livro seguinte, e dessa vez não pude escapar desse drama, porque estou numa espera horrível pelo terceiro volume (choro). Mas devorar as páginas desse universo criado pela Ely tem sido muito bom, porque seus personagens foram bem construídos e é possível vê-los amadurecer a cada novo desafio. Ter uma ficção que trabalhe com toda a magia da ficção e a fé ao mesmo tempo é algo maravilhoso, porque há poucos assim por aí. E não sei, o universo de Petra foi capaz de prender a minha atenção, só isso.   


Ano: 2014
Páginas: 312
Idioma: Português
Editora: Independente

Conversas entre solteiras



A última vez que fiz uma compra pela internet foi em abril, segundo o site da Ponto Frio meu Kindle Paperwhite chegaria em no máximo sete dias. Vocês devem saber muito bem como foram os meus dias seguintes: a cada meia hora checa-se e-mail e site da loja; após a mercadoria ser despachada checa-se o trajeto e quando ela está finalmente nas mãos do entregador o relógio se torna nosso maior inimigo, esperando ansiosamente até que alguém vá gritar seu nome no portão e te entregar sua tão preciosa compra. Quando o assunto é namoro, a ansiedade na espera não é algo tão incomum e muitas vezes ela incomoda bastante. E pensamentos começam a nos guiar para uma concepção de que estar solteira é uma "maldição!"
De repente começa a ficar muito claro em sua mente que o normal é estar namorando, afinal a maioria das pessoas estão fazendo isso. O legal da vida é estar com alguém, é ter um namorado cheiroso que te leva pra sair no sábado à noite ou que sussurra palavras de carinho num domingo à tarde. E bem, você não tem nada disso! Seus sábados são resumidos à maratonas de seriados e longos filmes, e seus domingos são ocupados por todas as lições da escola ou textos da faculdade que estão pendentes... 
Só quero te contar uma coisa hoje amiga, na verdade quero desconstruir essa concepção de que estar solteira é uma maldição, bem NÃO É! E pra você entender isso melhor vamos destrinchar alguns tópicos.

- O que está no centro da sua vida?



Muitas garotas colocam o namoro e o casamento como os momentos mais especiais da sua vida, como se tivessem nascido apenas para isso, sabe? E não as culpo, esse costume faz parte da nossa sociedade, nós crescemos aprendendo que apesar de desejar e lutar por uma vida profissional, o que fará uma mulher feliz de verdade é o casamento. Nós crescemos vendo aqueles filmes da Disney com seus príncipes encantados e depois que crescemos Hollywood nos apresenta a seus homens musculosos e de sorrisos cativantes, que desestabilizam qualquer mulher...

E além disso, acredito que toda pessoa sente um vazio no coração, é como se Deus tivesse esquecido de encaixar algumas pecinhas e ao longo da nossa caminhada nós vamos identificando coisas ou pessoas que sejam capazes de preenchê-las, mas a verdade é que Deus deixou esse lugar vago porque Ele mesmo gostaria de habitá-lo! 

Moça, o vazio que você sente não será preenchido pelo cara mais bonito do mundo, pelo emprego mais sensacional ou sei lá, por todas aquelas viagens que você quer fazer... Essas peças só serão encaixadas quando Deus fizer morada em seu coração! A razão da sua felicidade não pode estar em coisas ou pessoas, ela deve estar em Deus, em primeiro lugar, porque apenas Ele é capaz de nos completar, tudo que venha depois tem o papel de nos complementar.   Portanto, a centralidade da sua vida deve ser o Senhor! 

- Propósito da solteirice 



Perái! Estar solteira tem um propósito? Claro que tem, meu bem! A Bíblia não nos presenteou com aquela bem ideia de que há um tempo para cada coisa debaixo do céu? Então, estar solteira faz parte dos planos de Deus para você. 

Diferente de uma mulher casada, mãe de 2, 3 ou 5 filhos, com uma casa para cuidar e um marido, a jovem solteira não tem as mesmas obrigações. Claro que isso não impede que a vida dela não seja corrida, ela pode ter emprego, faculdade, uma casa para cuidar, precisar cuidar dos pais, mas na grande maioria das vezes, alguém solteiro tem menos compromisso do que alguém que já é casado, e para essa pessoa Deus deseja que ela esteja em Sua obra.

"Tanto a mulher  não casada como a virgem preocupam-se com as  coisas do Senhor, para serem santas no corpo e no espírito. Mas a casada preocupa-se com as coisas deste mundo, em como agradar seu marido." (I Co 7:34)

Claro que Deus deseja que tanto a mulher casada quanto a solteira estejam inteiradas em Seu trabalho, mas a solteira tem muito mais tempo para se dedicar. Enquanto uma mãe tem que abrir mão de um ensaio de louvor num sábado à tarde porque o filho está com frente, a solteira está com o tempo livre. Enquanto a casada tem que ficar em casa para cuidar dos filhos e do serviço de casa no fim de semana, a solteira pode ir fazer aquele curso de especialização que terá na cidade vizinha... Não é questão de uma fazer melhor do que a outra, é apenas questão de tempo livre! Uma mulher solteira pode se dedicar a obra de Deus e a tantas outras coisas boas, durante sua solteirice ela pode se tornar a mulher que Deus a chamou para ser!

"A melhor época para tirar o proveito máximo de cada oportunidade é quando se está solteira. Cada crente deve fazer bom uso do tempo. 'Portanto, vede prudentemente como andais, não como néscios e sim como sábios, remindo o tempo, porque os dias são maus. Por esta razão, não vos torneis insensatos, mas procurai compreender qual a vontade do Senhor.' (Ef 5:15-17)"

- A solteirice não te condena 



Parece que nós solteiras fomos condenadas à viver esperando pelo príncipe, né? Por que vamos numa pizzaria no sábado se o príncipe não está aqui ainda? Pra que fazer aquela viagem dos sonhos se ele não está aqui para nos acompanhar? É como se nos privássemos das coisas boas e que tanto queremos da vida, porque só podemos fazer com o amado. Precisamos estar cientes que a vida está passando e que ela precisa ser vivida agora. O melhor da sua vida não deve ser guardado para viver só quando o príncipe chegar, viva-o agora, você merece o melhor!

No livro "À espera do Amado", as autoras Debby Jones e Jackie Kendall, contam a história de uma amiga universitária muito namoradeira que tinha tudo para casar logo, mas que surpreendendo-as a amiga demorou a se casar. Essa moça tinha comprado um jogo de porcelana da China, caro e especial, que ela guardara para ser usado quando se cassasse. Durante anos aquele jogo ficou guardado no armário, enquanto ela fazia suas refeições com pratos de papel e vidros baratos. Um dia Deus ensinou aquela moça que ela não tinha que esperar pelo cara da sua vida para cercar a sua vida de coisas boas e belas, ela deveria usufruir dessas coisas já. A moça foi até o armário e tirou o jogo de porcelanas de lá, ela merecia o melhor tanto quanto o seu príncipe. A moça passou a fazer suas refeições em grande estilo, porque ela merecia isso.

"Algumas mulheres param de viver e ficam à espera de um príncipe que virá até elas cavalgando um cavalo branco. Não possuem louças finas nem móveis bonitos. Não enfeitam sua casa e não fazem nada para torná-la aconchegante. Investem apenas no necessário para a sobrevivência porque esperam ficar ali apenas temporariamente. (...) Não acreditam que podem viver integral e satisfatoriamente sem um companheiro. Acomodam-se a uma existência medíocre. É como se negassem o que Jesus disse em João 10:10 (que veio para nos dar vida abundante). Você acha que apenas aqueles que se casaram têm o direito a uma vida abundante?" ( À Espera do Amado, página 16)

A vida não vai começar para nós quando o príncipe cruzar a nossa porta, ela começou desde que o médico nos tirou do ventre das nossas mães! Não espere o príncipe chegar para viver o melhor, viva agora e continue vivendo no dia que ele fizer parte da sua vida! Escolha suas louças, lute para formar a sua coleção incrível de móveis e tenha boas histórias, experiências e artigos para compartilhar com ele depois!

Você quer conhecer aquela cidade histórica? Então vá! Quer ir conhecer um parque? Vista seu melhor vestido, solte os cabelos, passe seu batom preferido e aproveite os dias de primavera que estão chegando! Só não se aprisione a uma vida simplória e sem dias coloridos, porque você está a espera de alguém, você pode muito bem esperar por ele enquanto brinca com sua caixa de lápis de cor!

Todas nós precisamos entender que só Deus será capaz de nutrir todas as nossas necessidades! A carência que você sente pode ser nutrida, quando você tem um relacionamento profundo com o Senhor. A solteirice deixa de ser uma maldição quando você passa a vê-la como um momento entre você e Deus, e ela passa voando quando você começa a viver! Comece a construir sua história, cresça profissionalmente, se divirta (sabiamente e sem esquecer os princípios!) e principalmente dependa completamente do Senhor! Vamos colorir nossa solteirice? 

Cultivando a amizade com o sexo oposto fora do terreno romântico

Olá princesas do Senhor, paz seja convosco!
Me desculpem por semana passada, realmente não consegui postar nada por aqui, nem no meu blog, foi uma correria só. Quero trazer para vocês um assunto bem bacana, espero que gostem.


Imagem: Studio Mario Bros

Como ter uma amizade saudável com o sexo oposto sem que o coração se apaixone? É até engraçado pensar que existam pessoas assim. Pois bem, existem. haha eu já fui assim - confesso. Através da minha busca a presença de Jesus, ele me restaurou, se você se identifica, vou te passar algumas coisas que fiz a respeito.

Normalmente acontece assim, você está solteiro(a) e "esperando no Senhor". Aí você encontra alguém do sexo oposto, esta pessoa chama muito a sua atenção e você já se sente no fantástico mundo de BOB Uh-oh! "I want to fly Jesus!" haha, então você começa a realmente conhecer a pessoa e descobre que ela tem uma personalidade maravilhosa também e novamente você vibra uh-oooh! Além de ser fantástica é boa filha e é cristã... e mais uma vez uhoh!  

Nesta hora você até já está cantando a música da vitória "...Eu vou viver uma virada em minha vida eu creio..." rsrs Conversa vai, conversa vem, você percebe que ela mostra interesse em te conhecer. 
E aí uh-oh! 
Você nesse estágio já está fazendo planos para o futuro. 

Como já escrevi em posts anteriores aqui na coluna, não é interessante entrar em relacionamento afetivo se você não se sente responsável para quem sabe a curto prazo se casar. É perigoso de você ser levado pela intimidade fora do tempo. Servir a Deus, trabalhar, estudar são coisas que vem antes de qualquer relacionamento. Namorar é se responsabilizar.

Existem meninos e meninas que quando estão atraídos já sentem borboletas no estômago e vêem o Sol brilhar mais forte. Se você tomou a decisão de deixar o romance de lado até que esteja pronto para se casar, o que você faz numa situação como esta? Qual é o plano então? A resposta simples é ser apenas amigos. Fácil, certo? Não exatamente. Talvez esta situação fosse mais fácil se Deus nos tivesse criado sem um coração, sem emoções e imunes à atração até que estivéssemos prontos para o casamento. Mas Ele não fez isto. A maioria de nós tem de lidar com estes três conforme cambaleamos no confuso processo para achar o equilíbrio entre duas opções extremas: nos atirar numa relação romântica com cada pessoa que chame nossa atenção ou correr de medo dos membros do sexo oposto. Não é nada fácil encontrar este equilíbrio. O meio termo pode parecer algo como uma corda esticada sobre um abismo.

Você já comeu coxinha? Normalmente elas não são em todo recheadas, você vai comendo ela pela parte do biquinho até chegar no recheio. Tem pessoas que não comem essa parte por só haver massa e já viram a coxinha pela parte de baixo e vão direto ao recheio.

Quando eu penso na amizade com as garotas da qual me sinto atraído, penso na coxinha. É engraçado! Mas, não quero chegar ao recheio do romance - quero ser simplesmente amigo. Mas não sei quantas atenções uma amizade entre um rapaz e uma garota pode suportar antes que tenhamos cruzado a linha entre a amizade e a “mais que amizade.”

Não estou levantando esta preocupação porque tenho medo do romance. Muito pelo contrário, anseio pelo dia em que amarei uma garota e farei o melhor para que ela fique apaixonada. Gosto de pensar que vou fazer de tudo para que minha esposa ainda depois do casamento seja a pessoa mais apaixonada do mundo por mim. Mas até que este dia chegue, quero me concentrar no serviço a Deus em minha vida de solteiro. Para manter este curso, decidi evitar namorar para não ter de ficar preso a nada. Mas algumas vezes minhas amizades chegam “no recheio”. 

Você já percebeu que uma amizade passou sutilmente para o romance? Se isto já aconteceu com você, você sabe como é difícil evitar esta situação. Numa hora vocês são amigos e de repente seu coração dá um arranque. Você suspira quando pensa na pessoa. Você se pega sonhando acordado com o próximo encontro com este “amigo/a.” Ou quando você está num grupo de amigos e esta pessoa começa a conversar com alguém, você sente... algo. Ciúme? Posse? Você tenta compreender. “Por que eu me sentiria assim? Somos somente bons amigos. Somos irmãos em Cristo...”. Pode dizer o que quiser, mas você sabe que no fundo mordeu o recheio.  

Para muitos essas "mordidas no recheio" renderam amizades perdidas e relações estragadas. 

Como algumas de vocês sabem, eu me formei no CTMDT - Centro de treinamento ministerial Diante do Trono. Os estudantes moram no campus que atualmente comporta 300 alunos, sendo eles homens e mulheres. Por regra, durante os três primeiros semestres do curso fica proibido qualquer envolvimento romântico, pois o objetivo do curso é treinamento ministerial e um envolvimento assim iria certamente desviar a atenção. 
No quarto semestre eu gostei de uma garota. Tínhamos muitas coisas parecidas. E quando descobri que ela cantava e morava dentro do Estado de São Paulo, mesmo não sendo da capital - uh-ohh - foi power! As coisas começaram a acontecer dentro de mim. Eu me aproximei dela "como um bom amigo". Convidei ela para almoçar algumas vezes, em outras enviei bilhetes. Eu estava sempre perto dela, nos estudos e meus olhos procuravam conversar com ela. Parecia-me corresponder. Lógico que as minhas gentilezas me denunciaram. Tudo ficou claro quando viajei para uma ministração em outra cidade e de lá trouxe um urso - ainda que pequenino - com um bombom. 

Mordi o recheio. 



Não deu certo, ela só me via como um amigo. E hoje, vejo que não teria dado em nada, nem éramos tão parecidos como eu achava que era na época. 


O apóstolo Paulo instrui seu filho espiritual, Timóteo, a tratar as mulheres jovens como irmãs, com toda pureza.” (l Tm 5:2) Paulo sabe que Timóteo se relaciona com mulheres diariamente e por causa disto, ele exorta Timóteo a buscar uma atitude santa e pura. Nós precisamos também buscar estas coisas. A amizade de um rapaz e uma garota pode ser pura, inspiradora e educacional. Quando interajo com minhas amigas, tenho uma perspectiva feminina da vida, aprendo coisas valiosas que teria deixado passar despercebido com minha mente limitada de macho. 

Devemos aproveitar os benefícios das amizades entre rapazes e garotas, mas não devemos esquecer seus limites. Se quisermos aproveitar algo bom, devemos reconhecer as limitações e a amizade com o sexo oposto que não é exceção. Não importa o quanto alguma coisa é benéfica ou inocente, quando exigimos demais dela, podemos causar danos a nós mesmos e aos outros. Salomão passou este princípio usando a analogia da comida: “Não coma mel demais, porque você pode vomitar.” (Pv 25:16) Não é porque algo seja bom que devemos devorá-lo. Assim como uma dieta saudável, as amizades saudáveis requerem auto-controle e moderação.

1. Compreenda a diferença entre amizade e intimidade

Podemos ver com mais clareza a linha entre a amizade e “mais do que amizade” quando compreendemos a diferença entre a amizade e a intimidade. A amizade está relacionada a alguma coisa, a intimidade está relacionada com as duas pessoas. Numa verdadeira amizade, algo fora dos dois amigos os une. C.S. Lewis escreve: “Os amantes no geral ficam se olhando, mutuamente absorvidos; os amigos, lado a lado, absorvidos em algum interesse comum.” A chave para a amizade é um objetivo ou alvo comum para onde os dois companheiros olhar. Pode ser um esporte, um hobby, fé ou música, mas é algo fora deles. Assim que as duas pessoas envolvidas se concentram no relacionamento, ele passa a ser mais do que amizade. 

Como eu disse na minha experiência que tive quando estava no CTMDT, quando meus olhos saíram do foco do curso, comecei a olhar para o relacionamento, e não estava na hora. Estes desejos de estar perto dela eram errados? Não, mas não vieram em boa hora. Não estou dizendo que temos que evitar a intimidade. Não devemos. A intimidade é algo maravilhoso. Mas não devemos buscar uma intimidade sem compromisso. Em relacionamentos homem/mulher que honram a Deus, a responsabilidade da intimidade é o compromisso no casamento. Se não estivermos preparados ou não formos capazes de nos comprometer com alguém, não estamos preparados para buscar a intimidade. Eu errei porque avancei o sinal da amizade com convites excessivos para almoçar, bilhetes carinhosos e outras coisas. Eu queria a emoção do romance, mas no fundo, não estava preparado para um compromisso. E ela errou porque percebeu e não pôs um freio mesmo não me correspondendo. Quero deixar claro, que não é um erro chamar ninguém para almoçar, não me entenda mal. Estou chamando atenção aqui para a motivação fora de hora. Para manter a amizade, coloque o foco no que vocês tem em comum e não no relacionamento ou na possibilidade que essa amizade pode trazer.  Compreender a diferença entre amizade a intimidade nos ajuda a ficar dentro dos limites da amizade até que estejamos preparados para a responsabilidade de um relacionamento íntimo.

2. Incluir, não excluir.



O segundo passo para ser apenas amigos do sexo oposto é incluir outras pessoas ao invés de se isolar com aquela única pessoa. Nós não queremos carregar para nossa amizade a mentalidade do namoro que não podemos ficar sozinhos. Podemos evitar isto envolvendo amigos, família e talvez até mesmo estranhos em nossas vidas. Por favor, note que incluir os outros não significa achar alguém para segurar ‘vela’ quando saímos com alguém do sexo oposto. Conheço mais de um casal que leva o irmão ou irmã mais novo quando saem para que possam chamar aquele encontro de uma atividade em grupo. Muitos seminários tem uma regra que diz que os alunos só podem sair com um grupo de três pessoas. Já tive amigos que me chamaram para sair e descobri que só fizeram isto porque precisavam de uma outra pessoa para formar o "grupo de três". - Obrigado, rapazes! Um troféu joinha para vocês. Nenhum destes exemplos precisava de uma terceira pessoa. No meu entender, o irmão mais novo ou a terceira pessoa do grupo poderia muito bem ser amarrado e jogado no porta-malas do carro. Não estou falando de incluir alguém por causa da aparência. Ao contrário, incluir alguém deve partir do desejo sincero de envolver tantas pessoas quanto possível na comunhão serviço. Então nem devemos começar sendo um casal e tentar construir algo baseado nisto. Devemos começar com o objetivo final em mente - a comunhão, o serviço, a oração e o estudo da Palavra de Deus - e daí buscar envolver outras pessoas. Quando nos recusamos a incluir outros, precisamos nos perguntar se a amizade é o verdadeiro motivo do nosso relacionamento.


3. Serviço e entretenimento

O enfoque do entretenimento não é produzir algo útil para o benefício dos outros, mas consumir algo para o auto prazer, e uma amizade baseada na auto-satisfação, na mentalidade do auto-prazer pode facilmente levar a um relacionamento romântico semelhantemente egoísta que satisfaz as necessidades momentâneas. Mas quando mudamos o enfoque de nosso relacionamento, do entretenimento para o serviço, nossas amizades mudam o enfoque sobre nós mesmos para o enfoque na pessoa a quem podemos servir. É no serviço que conhecemos profundamente nossos amigos, de uma forma que nunca conhecemos. Pare por um momento e considere esta ideia. O que você pode aprender sobre alguém - de fato - sentados lado a lado num cinema? Por outro lado, o que você pode aprender sobre alguém servindo lado a lado com esta pessoa? Quando nos livramos da mentalidade do entretenimento e servimos os outros, não só agradamos a Deus como recebemos a bênção da experiência mais satisfatória da amizade - duas pessoas (ou mais), lado a lado, indo juntas em direção a um propósito nobre e comum. Não estou dizendo que nunca devemos buscar o entretenimento. Mas acho que devemos querer servir primeiro. Assim, sirva uma sopa numa missão antes de se sentar para assistir a um vídeo. Organize um grupo de amigos para ensinarem os mais novos na escola dominical antes de pedir que o pastor de jovens os leve ao parque aquático. Produza antes de consumir; sirva antes de buscar o entretenimento.
Para finalizar, ser apenas bons amigos com os membros do sexo oposto não acontece por acaso. Temos de lutar por nossas amizades e as proteger. Como imãs, homens e mulheres foram feitos para se atraírem. Mas até que estejam prontos para “juntarem os trapos para sempre,” precisamos evitar a intimidade prematura. Como fazer isto? Respeitando as limitações das amizades entre rapazes e garotas e nos relacionando com outros dentro dos parâmetros dados na Palavra de Deus. Em Romanos 12:10-11, lemos: “Amem uns aos outros com carinho de irmãos em Cristo e em tudo dêem preferência uns aos outros. Trabalhem bastante e não sejam preguiçosos. Sirvam ao Senhor com o coração cheio de entusiasmo.” 

- O que é nosso relacionamento um com o outro? Somos irmãos e irmãs em Cristo. 
- Como devemos tratar um ao outro? Com honra. 
- E qual é o segredo para nosso zelo? Serviço - lado a lado para a glória de Deus. 

Seguindo essa atitude, a quem sabe traumatizante frase " Somos apenas bons amigos" pode ser uma experiência maravilhosa.


Que Deus te abençoe,
um grande abraço... Andy


O que é amor?



Infelizmente conheço poucas histórias de amor, vi poucos pares de olhos brilharem enquanto se cruzam após anos de casados e ouvi poucos lábios falaram dos seus cônjuges com orgulho. Conheço mais histórias tristes do que bonitas e isso me faz ficar confusa às vezes. Muitas mulheres (adultas e já casadas) me disseram que aquele romance que os filmes mostram estão longe de ser verdade e muitas até se arrependem de ter casado. Sei que os filmes fantasiam muita coisa e que a vida real é muito mais dura do que uma hora e meia de um longa metragem, mas ainda assim essas pessoas não continuaram a viver o amor depois de casadas?

Penso no que pôde afastá-las. Penso no que nos impede de buscar ser o melhor para o outro e vice e versa. O amor não é tão bonito nas telas de cinema e nas poesias? Nossas canções preferidas não são aquelas que contam lindas histórias de amor? Então por que eles quase sempre não duram? Sou uma criança mimada e não aceito não viver o amor!

Outro dia num ônibus lotado sentido à Seropédica, estava eu em pé, lendo um romance quando minha atenção foi roubada para uma movimentação próxima a mim. Ao olhar para trás, vi um casal de idosos se levantar, muito distante do ponto que eles iriam saltar, o que fez com que eles ficassem em pé por bastante tempo. Como o ônibus estava cheio, não havia muitos lugares em que eles pudessem se segurar, então o senhor caminhou até a porta e conseguiu se apoiar em uma haste de ferro. Para a senhora não havia apoio, então um senhor – lá pela casa dos quarenta – se ofereceu para segurá-la. Ele a segurou pelo braço, mas ela me surpreendeu ao se apoiar com o braço direito no seu velho marido. Ela já estava segura, afinal o outro senhor a segurava, mas no fundo ela ainda não se sentia segura.

O ônibus estava rápido e fazia curvas, talvez na mente dela fosse só uma forma de permanecer mais firme no lugar que estava, mas na mente de uma garota apaixonada percebi que aquilo era amor. Poder contar que o marido vai te segurar até num ônibus lotado.

Quando ele teve que soltar o braço dela para puxar a cigarra vi os olhos da senhora ficarem confusos, e ela procurou outro lugar para apoiar a mão, mas não encontrou. Assim que o braço do marido voltou para onde estivera poucos segundos antes, a senhora entrelaçou seu braço magrelo no do marido e percebi em seus olhos segurança de novo. Pra mim isso é amor e é por um desses que vou esperar.

Aquele casal idoso pode ter passado por uma pilha de problemas. Eles podem ter enfrentado situações e dores que eu talvez nunca vá ouvir na vida, mas eles ainda se seguram um no outro e isso foi um afago para meu coração apaixonado. Sabe, quantos casais você vê trocando carinho hoje em dia? Eles preferem passar mais tempo conversando via whatssap ou mostrando o que há no feed de notícias do Facebook um do outro do que realmente se amando. Também não estou querendo dizer que se amar é se tocar o tempo inteiro, não estou falando de grude, mas de intimidade, de poder olhar nos olhos e falar de qualquer coisa. De serem melhores amigos e não terem vergonha de nada.

Sonho com um cara que vai me amar mesmo com minhas marquinhas de espinhas e que vai segurar minha mão enquanto estivermos resolvendo coisas no centro da cidade. Sei que vou querer compartilhar com ele os detalhes do meu dia e ouvir os detalhes do seu. Quero um peito para chorar nos dias difíceis e palavras bobas para me arrancar um sorriso. Quero ter a oportunidade de fazer a diferença na vida de um cara que vou poder chamar de meu e desejo do fundo do meu coração que ele vá fazer na minha também.

Vamos ter milhas de problema? Quem é que não tem? Mas acredito que se a gente souber colocar Deus na frente de tudo vamos viver o melhor do amor que Ele preparou para os casais. Definitivamente acredito nisso e claro, porque a verdadeira definição de amor é Ele e algo aqui dentro grita que Ele quer trazer esse amor envolvente para todas as áreas da nossa vida!  

Isso tudo foi só por causa do casal de velhinhos que vi no ônibus. É só que me deu vontade de ter a mão dele logo pra segurar a minha... Mas eu espero, não sei esperar ônibus, mas sei esperar por ele e por enquanto fico aqui sendo teimosa e acreditando no amor, afinal uma hora ele chega.      




***

Este texto foi uma inspiração do dia que se encaixou num tema de uma blogagem coletiva do grupo Irmandade das Blogueiras que eu estava super afim de fazer: "O que o amor é: esqueça a definição dita pelos outros, queremos saber para você o que realmente é o amor. " Agora é a vez de vocês contarem pra mim a definição de vocês! 

[642 coisas] Um coração partido e um velho que alimentava pássaros




Petrópolis tinha sido a cidade escolhida para comemorar dois anos de namoro, o que eu não sabia era que meu namorado tinha convidado seus melhores amigos para vir junto e que o domingo que era pra ser nosso tinha se tornado deles. Muita coisa havia mudado desde o dia que ele aparecera no meu trabalho com um buquê de flores e uma aliança prateada, todo o romantismo havia caído na comodidade e como tinha acabado de constatar ele preferia os amigos a estar comigo. E nem era drama meu, porque não lá ciumenta, mas daí trazer os amigos para uma comemoração de namoro?

Ele estava conhecendo uma cervejaria famosa, outro detalhe que surgiu há algumas semanas, ele me disse que estava cansado da vida certinha que a igreja exigia e que via Jesus como um cara mais liberal, talvez este tenha sido o sinal pra eu cair fora, e embora minha mente tenha trabalhado essa ideia nas últimas semanas, meu coração não deixou. Agora ele estava lá, conhecendo a história da cerveja e provavelmente experimentando variedades enquanto eu estava sentada no banco de um parque da cidade jogando pipocas para pombas. Que coisa decadente! Quem deveria estar alimentando os pássaros deveria ser um velhinho e não eu!   

Não demorou para que um velhinho aparecesse e sentasse ao meu lado. De canto de olho pude vê-lo tirar um saquinho de papel do bolso cheio de pequenos pedacinhos de pão. Ele começou a jogar os pãezinhos e sorriu pra mim. Sorri de volta, mesmo sem vontade. 

- Você veio pra cesta da cerveja, moça? - o senhor perguntou simpático. 

- Sim. - respondi baixinho, talvez fosse melhor levantar do banco com a desculpa de ir conhecer a cidade, não estava em clima para conversas.

- Sabe, eu trabalhei naquela cervejaria, mas não era o que eu gostava de fazer... - ele olhou para além dos pássaros, como se estivesse diante de uma porta para o seu passado. - Tudo o que Clara e eu queríamos era abrir nossa própria lojinha de doces. Já falei que Clara, minha esposa, é uma excelente doceira? - ele sorriu, com ar de garoto apaixonado. - Depois que juntei um dinheiro que dava pra abrir nossa lojinha deu os pés da fabrica e nunca mais voltei lá. Toda vez que eu vendia um doce ou ajudava Clara a lavar as panelas, me lembrava de quanto tempo perdi naquelas máquinas de cerveja. Sabe menina, quando a gente fica fazendo algo que não gosta a gente deixa a vida ir embora, ela está passando e você está jogando ela fora. 

Pensei na minha própria vida. O que eu estava fazendo? Trabalhando durante o dia e estudando à noite, mas eu gostava disso, porque já estava colocando em prática o que aprendia na faculdade... Mas durante meu tempo livre eu me dedicava há alguém que não me dedicava nada de volta... Será que estava valendo a pena?

- A gente tem que vigiar, moça. A vida passa muito depressa. A minha Clara morreu ano passado, mas ainda venho aqui no parque, porque aqui era nosso lugar favorito e ainda posso ver o sorriso dela enquanto alimento os pássaros. Foi a Clara que me ensinou a aproveitar a vida e é por isso que continuo fazendo o que me faz feliz até o dia que puder abraçar a Clara de novo. 

Sorri e desejei ao senhor que ele continuasse bem até se encontrar com a dona Clara. Deixei o saquinho com o resto das pipocas nas mãos dele e após ele acenar para mim corri até onde a rodoviária, que tinha visto enquanto caminhava pela cidade. Um ônibus partiria para o Rio de Janeiro em menos de 30 minutos e ainda tinha algumas poltronas disponíveis. Enquanto esperava comprei um chocolate quente, na tentativa de aquecer os 13º C que penetravam o meu sobretudo. Quando sentei na poltrona do ônibus e vi a cidade imperial sendo deixada para trás respirei fundo e me senti algumas anos mais novo. Peguei meu celular e enviei uma mensagem par Guilherme: 

Fui embora, nos dois sentidos.

A vida passava depressa demais e as únicas cenas que eu queria ver correndo seriam as paisagens que cruzaria em passeios de carro. A minha história eu gostaria de ver em tempo real e saber que no fim cada dia valeu a pena. 

***

Este texto faz parte do projeto 642 coisas sobre as quais escrever e o tema que deu origem ao texto é o 48 (Nunca subestime a vida dos velhos sentados nos bancos dos parques).



Resenha - Herdeiros do Trono, vol. I



Aproveitei as férias para ler um romance/fantasia que estava na minha listinha há algum tempo, desde que o vi em uma resenha no blog da Ellem. Aproveitando o tempo livre e a promoção que a autora Elysanna Louzada fez no Amazon adquiri os primeiros dois volumes da obra e não posso deixar de falar dele por aqui, porque além das cenas de aventura e romance, o livro ainda traz personagens cheios de fé no Criador.

"A fé é o que impele homens e anões a feitos grandiosos por acreditarem que a porção do Pai Criador em cada um é capaz de levá-los a mover até mesmo, as montanhas. Contudo, o amor é o mais importante. É no amor que consiste o segredo da vida. Porque Aquele que nos forjou a partir do barro, é a expressão mais intensa e pura do amor."

Em Herdeiros do Trono vol. I conhecemos o Reino Unido de Petra, composto por 12 reinos, obra das mãos do Criador, que o fez para ser um lugar justo, cheio de amor e paz, liderado por um casal de reis. Mas com o tempo, a liderança desse reino se afastou das leis do Criador e Petra começou a ser marcada por dor, violência, preconceito e desigualdade  e liderada por um rei fajuto e por sua mãe, uma mulher sedenta por poder e forças da treva. Na parte pobre deste reino conhecemos Pedro e Eloise Pontes e seus melhores amigos Tommy e Isabel Fernandez. Diferente da maioria dos jovens, Pedro, Eloise e Isabel se preocupam de verdade com o reino, são militantes e desejam dar o seu melhor para mudar o lugar que vivem. 




O único meio encontrado pelos três é se dedicar e serem aprovados no Torneio de Bravura que os garantirá uma vaga como membros da Academia de Cavaleiros. Enquanto isso, Tommy só quer continuar lutando e sonha em ter uma oportunidade para se declarar para a melhor amiga, Eloise. Contudo, após uma briga de rua, Tommy e Pedro vão presos, e temendo que o irmão seja fixado pela polícia e assim perca sua chance de adentrar a Academia, Eloise procura em casa os documentos necessários que ajudarão o irmão a sair da cadeia, o que ela não esperava encontrar era uma caixinha contendo um segredo do passado da sua mãe que mudará a sua vida e a do irmão para sempre.

"A Academia de Cavaleiros, como todos sabem - Ayla Benson encarou os candidatos com um olhar austero. -, é uma instituição interestadual composta por homens e mulheres dos doze Estados do Reino Unido de Petra e foi fundada com o objetivo de promover a paz, a igualdade e a justiça entre os povos. Por isso, desejamos receber jovens que, além da bravura, tenham respeito pela vida e fé no Deus Criador."

"Ela queria ser amazona, ele desprezava a cavalaria. Eloise se preocupava com política e questões raciais, ele nem sequer lia o jornal. Ela era culta, ele um tosco que fora reprovado por dois anos consecutivos na escola. Ela era sensível, ele um bruto. Ela  praticava esgrima, ele pugilismo. Ela seguiria para Academia militar e ele para o Triângulo de Zarthan."


Enquanto as meninas tentam libertos os garotos da prisão descobrem que Laura, a mãe dos Pontes e Beatriz e Diogo, pais dos Fernandez, sumiram. Sozinhos, os quatros jovens deixam sua cidade em busca das respostas para as perguntas que não param de borbulhar em suas mentes.





Uma jornada de aventuras começa, onde descobrirão mais e mais segredos, habilidades e terão o coração voltado cada vez mais para a justiça. Herdeiros do Trono não é apenas uma ficção para entretenimento, Elysanna trabalhou grandes valores humanos e suas cenas são cheias de lições de vida. Nós, adolescentes e jovens, costumámos desenhar o que queremos que nossa vida seja em uma folha de ofício com giz de cera, mas e se o presente nos surpreender e mudar tudo? Será que estamos prontos para lidar com reviravoltas que mudarão nosso futuro planejado? Herdeiros do Trono te ensinará um pouquinho sobre isso! 

"- Você acha que é de lá, das estrelas, que o Criador olha por nós...? 
- Também... Eu acredito que Ele esteja em todos os lugares, mas gosto de pensar que Uryel seja o símbolo do toque de Deus na Criação."

Elysanna construiu uma boa história, as cenas de ação e luta me surpreenderam de verdade (gostaria de perguntar para a autora de onde ela tirou tanto conhecimento! rs) e a descrição dos lugares visitados pelos quatro amigos também dão um toque especial a história assim como a construção de cada personagem! E se não bastasse, ao final do primeiro volume a autora criou uma teia de novas aventuras que farão com que você queria ler o segundo volume ainda mais rápido (definitivamente foi o que aconteceu comigo, já estou quase na metade dele e olha que comecei ontem!).

"Geralmente os sonhos têm uma característica peculiar, às vezes até cruel. Quanto mais perto de se tornarem reais, maiores as emoções conflitantes que evocam. Naquele instante Isabel sentia-se confusa com tantos anseios contraditórios."

  
Ano: 2013 
Páginas: 352
Idioma: Português 
Editora: Independente
Autora: Elysanna Louzada
   

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