À procura de Audrey

segunda-feira, outubro 12, 2015



Instagram e suas maravilhas em me apresentar livros novos! Há algumas semanas conheci a história de Audrey em "À procura de Audrey", escrita por Sophie Kinsella, e não resisti, me deixei levar por uma história leve e escrita doce, para esquecer todos os textos pesados da faculdade. Kinsella é uma autora muito conhecida, você provavelmente já deve ter ouvido falar, a série Becky Blomm, "Fiquei com o seu número" e "Menina de Vinte" são de sua autoria. Já conhecia alguns desses títulos, embora não tenha lido nenhum deles antes do resenhado hoje, mas a autora me deixou com gostinho de quero mais! Sem mais delongas, vamos a resenha!

Audrey tem 14 anos, sempre foi uma garota mais reservada, mais quietinha, sabe? O que ela não esperava é que sua vida na escola fosse se tornar um pesadelo e após alguns acontecimentos envolvendo bullying (que não vou revelar para não dar spoilers), a garota é diagnosticada com Transtorno de Ansiedade Social, Transtorno de Ansiedade Generalizada e Episódios Depressivos. 

"O problema é que a depressão não vem com sintomas práticos como pintinhas pelo corpo e febre, portanto não se percebe de primeira. Continua-se dizendo 'estou bem' para as outras pessoas, ainda que não esteja. Você pensa que deveria estar bem. Segue repetindo para si mesmo: 'por que não estou bem?'."

Audrey simplesmente não consegue mais sair de casa, o escritório do pai foi transformado em seu refúgio e ela passa seus dias e noites de óculos escuro. Não é fácil para ela manter contato com outras pessoas, o máximo que consegue é conviver com a família e ir semanalmente em suas consultas com a dr. Sarah. 

"Não é o mundo lá fora em si. Não são as árvores, ou o ar, ou o céu. São as pessoas. Quer dizer, nem todas as pessoas. Você não seria um problema, provavelmente; eu não teria nada contra você. Algumas pessoas são um porta seguro para mim - pessoas com quem posso falar e rir e me sentir relaxada. Mas formam um grupo pequeno. Mínimo, pode-se dizer, comparado à população mundial. Ou mesmo ao número de pessoas em um ônibus." 

Sua casa deixa de ser um refúgio seguro quando Frank, seu irmão, começa a trazer para casa Linus, um amigo da escola, para poderem passar as tardes treinando Land of Conquerors. Embora Frank tenha contado para Linus que sua irmã está passando por alguns problemas, Linus insiste em conhecê-la e no primeiro momento não dá muita certo. Audrey apenas saí correndo e tem um dos seus ataques. Mas Linus não desiste e eles descobrem juntos que conversar através de bilhetes ajuda bastante. Assim, entre uma folha de A4 e outra, Audrey vai se sentindo confortável e Linus vai se tornando um daqueles portos seguros que a fazem rir e relaxar. 

"Falam de 'linguagem corporal', como se fosse igual para todo mundo. Contudo, cada um tem seu dialeto próprio. Para mim, neste instante, por exemplo, girar o corpo para o outro lado e encarar rigidamente um cantinho da sala é o mesmo que dizer 'gosto de você'. Pois não fugi nem me tranquei no banheiro." 

Com a ajuda dos exercícios passados pela dr Sarah, Audrey começa a avançar a passos curtos, e mesmo ficando insatisfeita às vezes, ela começa a se ver saindo daquela zona depressiva. Coisas simples como ir ao Starbucks ou ao mercado, que haviam se tornado impossíveis para ela, começam a se tornar desafios  possíveis de vencer. 

"Não vai ser para sempre. Vai ficar no escuro pelo temo que precisar, então vai sair." 



Outra coisa interessante nesta história é que Frank é viciado neste jogo de computador, Land of Conquerors, e isso incomoda e muito a mãe deles, que lê o Daily Mail (jornal) todos os dias e acredita em tudo o que lê. Após ler o artigo "Os oitos sinais de que seu filho está viciados em jogos de computador", ela não para de perseguir o filho e insistir que ele deva parar de jogar. O caso do Frank é bem grave, mas a mãe também não bate muito bem das bolas, o que faz as cenas e os diálogos serem bem divertidos. A casa de Audrey não é bem um refúgio, não é um lugar de silêncio e calmaria, na verdade, como em qualquer outra família há momentos de discussão, cenas embaraçosas e ilarias. Há problemas a serem resolvidos, mas todos se amam e querem o bem um do outro. 

Como disse, a leitura é bem leve, o livro é marcado por muitos diálogos, estes são divertidos e a narrativa da personagem é tão gostosa que parece que você foi convidada a fazer parte de todos os acontecimentos. Linus é um fofo também (ah, eu gostaria de conhecer um Linus *-*) e todos os personagens são cativantes de alguma forma.

Além de toda a parte agradável, os transtornos vivenciados por Audrey são reais e me fizeram pensar em quantas meninas estão sofrendo com eles neste exato momento. Leituras assim são importantes para entender essas doenças que tem sufocado a alma de tanta gente e as impedido de viver com liberdade. Não é apenas uma leitura para se divertir, ela traz reflexão também. Kinsella conseguiu deixar claro o quanto é importante reconhecer quando não se está bem, a família deve ser um apoio e o adolescente ou adulto merece toda ajuda possível. Ir ao médico certo, fazer uso dos remédios, conversar com alguém são atitudes que uma pessoa que sofre com doenças psicológicas deve tomar, mesmo sem ver a luz imediatamente, como diz Linus na hora certa ela vai chegar.  

"Tenho um crédito enorme de risadas que me são devidas. Às vezes espero que esteja acumulando uma pilha de risadas não dadas, que vão entrar em erupção e explodir em uma crise de riso gigante com duração de 24 horas quando me recuperar."  

Alguma amante das escritas de Kinsella por aqui? 
A resenha deixou boas impressões? Ficaram com vontade de ler?
Não saíam daqui sem falar comigo, okay? rs 

Beijos, 

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3 Comments

  1. Já li "fiquei com seu número" e amei, super recomendo. Deu vontade de ler esse, será o próximo da lista ;-)

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  2. Oi Thaís =D
    Eu amo a escrita da Sophie Kinsella, já li 3 livros dela, vou terminar o 4 e já coloquei essa na minha lista. Confesso que eu não queria ler esse livro porque pensei que ele seria bem diferente dos outros, por ter um tema mais adolescente, mas pela sua resenha já vi que ela manteve o mesmo estilo. Sem contatar que esse tipo de problema não é só para adolescentes, né? Vou ler sim <

    Bjs
    http://julicronicas.blogspot.com.br/

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  3. Olá Thaís, não conheço a escritora mas me interessei..
    te marquei numa tag no meu blog confira aqui http://porjosielly.blogspot.com.br/ !
    beijocas

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