O dia que peguei carona com a dona mudança

sexta-feira, outubro 30, 2015



Sempre fui o tipo de garota que preferia ficar acordada do que dormindo, porque a minha parte preferida do dia era aquela em que poderia sonhar acordada. Tinha a mania de deitar um pouquinho mais cedo, só para poder ter um tempo maior para ficar vivendo minhas aventuras. Talvez seja por isso que goste tanto de escrever, mas tal fato não vem ao caso neste momento. A verdade é que durante anos, desenhei, pintei, criei personagens e "des-criei" com relação a meu futuro. Sonhei com a minha vida no ensino médio, com a minha formatura, com o discurso que gostaria de fazer se fosse a oradora, com a faculdade, com as aventuras que iria viver nela. Cara, na minha mente tudo ia mudar quando eu começasse a faculdade! Passei tempo demais pensando no amanhã, mas graças à Deus de alguma forma conseguia manter os pés na terra e viver o presente.

Fui a tal oradora da turma e tinha mais histórias engraçadas pra contar no discurso do que o tempo me permitia, dei tchau ao ensino médio e depois de enfrentar alguns obstáculos entrei na faculdade que fez parte dos meus quadros noturnos, e não é que as coisas mudaram? Não foi apenas trocar de estado e cidade, nem de casa e rotina, uma mudança esquisita aconteceu dentro da Thaís que eu tanto conhecia. 

Na véspera da minha viagem para o Rio de Janeiro, em agosto de 2014, fui dormir chorando. Na verdade, chorei mais do que dormi. Naquela noite a ficha caiu pra mim, a escolha que eu tinha feito - ir estudar em outro estado - iria mudar toda a minha vida. Deixaria meus pais e a minha irmã, não poderia ter o colo da minha mãe quando precisasse nem poderia implicar com a minha irmã enquanto ela estivesse assistindo ao seu seriado da Nicklodeon preferido. Não poderia sentar na varanda lá de casa com meus melhores amigos e comer um lanche tarde da noite enquanto conversávamos bobagens de adolescente. Não seria mais adolescente, tinha começado a minha jornada como adulta! E bem, eu não estava pronta pra tudo isso. Quando toda essa verdade me veio a tona naquela noite, juro que pensei em desistir. Tudo o que eu queria era não ter que entrar no ônibus na manhã seguinte, eu queria ficar em casa! Fui dormir convicta que entraria no ônibus, que chegaria ao Rio, ficaria uns dias e depois ligaria pros meus pais dizendo que não tinha dado certo, que eu não aguentava ficar sem eles. 

Tal atitude não seria uma surpresa, todo mundo sabia que eu era muito agarrada com a minha mãe (pra vocês terem uma ideia, eu não conseguia nem ir a um retiro da igreja, porque não conseguia ficar longe da minha mãe. Muito bebê mesmo rs) e acho que no fundo era o que todo mundo esperava que eu fizesse, não por mal, mas por aquele seu o meu jeito, apegada demais. Uma vez minha melhor amiga me disse: "Você pode voltar pra casa, Thaís. Seus pais vão te aceitar numa boa, eles vão te compreender se você não aguentar." Isso foi muito tempo antes de tudo mudar, foi uma conversa simples enquanto ela fazia o almoço, e sei que ela não disse por maldade, mas no fundo eu sabia que todo mundo esperava que eu não fizesse escolhas tão "radicais" desse tipo. 

Quando penso em como entrei na pequena rodoviária naquela manhã, só lembro do choro. Podia ter dado a meia volta e ido pra casa com meus pais, mas meu pai me lembrou de uma coisa: "Por que você está chorando, Thaís? Não era isso que você queria?" Ele estava certo, ir para aquela faculdade era o que eu queria, e mesmo que não desse certo, tinha que tentar. Entrei no ônibus e chorei horrores, mas antes da metade da viagem o choro passou e quando eu desci na rodoviária Novo Rio, já não tinha mais vontade de chorar. Foi ali que tudo mudou. 

Descobri uma Thaís corajosa e decidida, que soube se adaptar as novas pessoas, com o novo ambiente, com a cidade mais agitada. Sentia saudades de casa sim, é o que estou sentindo agora aliás, mas podia muito bem sobreviver com a saudade. Me dediquei a faculdade, ocupei o meu tempo e não dei oportunidades para aquela ideia de desânimo me pegar de jeito. Colori meus dias com fé e sorrisos e bem, já estou terminando o terceiro período da faculdade! 

A coragem que descobri em mim depois de descer naquela estação rodoviária não foi embora, pude ter a prova disso recentemente, no início deste mês de outubro, tive que ir sozinha para São José dos Campos (SP), para começar a divulgação do meu livro com a Editora UPbooks. Se eu estivesse no Espírito Santo ainda, não teria feito isso nunca! Eu cogitaria vários problemas, não teria coragem de viajar sozinha, ainda mais para encontrar pessoas que ainda não tinha visto na vida, não saberia chegar numa cidade que não conheço e mais mil problemas. Mas a atual Thaís não liga muito pra isso, ela sabe que pode se virar com um bom GPS e desde que esteja indo para o encontro de pessoas que ela já conversa a muito tempo e tem segurança de quem são, não tem problema. 

A minha versão adulta aprendeu que é maravilhoso se desafiar, mesmo quando acho que é impossível fazer algo, acabo fazendo. A independência que obtive, e falo apenas das coisas simples, como ir no banco e abrir minha própria conta ou como viajar sozinha, se tornaram grandes feitos pra mim. Se amanha tiver que mudar pro outro lado do mundo por causa do trabalho, sei que tenho capacidade pra ir. Toda a mudança que vivi me ensinou que a minha maior rival sou eu mesma, enquanto não acreditar em mim e não ousar não serei capaz de transformar todos aqueles sonhos que sonhei acordada em realidade. Melhor do que deitar mais cedo pra sonhar, é se descobrir vivendo um sonho num dia qualquer. 

As pessoas comentam com a minha mãe sobre como temos sobrevivido distantes, me elogiam pelo blog e pelo livro que vem vindo, me parabenizam pela faculdade e algumas me perguntam se tenho certeza do curso que escolhi... E no fundo, o que mais importa é saber que estou feliz comigo mesma, que as minhas escolhas tem me feito crescer e ser feliz, e claro tenho honrado meus pais com as escolhas que faço, sejam meus pais terrenos ou meu Pai Celestial. A minha versão pequena colocou um princípio fundamental pra mim que não pretendo esquecer nunca: "Quero olhar para trás e ver que tudo valeu a pena." Então é só isso, só quero continuar crescendo, por dentro, porque pra cima já tem mais de cinco que não funciona, e ir cada dia me tornando mais um pouquinho da garota corajosa que eu sempre sonhei que seria.

***

Este post faz parte do Projeto Me amo assim, que tem a intenção de juntar blogueiras e leitoras que passam ou já tenham passado problemas com baixa auto-estima, que tiveram dificuldade de se aceitarem e já viveram um ódio consigo mesmas. Nossa intenção é compartilhar experiências e ajudar, afinal viver um romance consigo mesmo é importante pra todo mundo!

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2 Comments

  1. Oi Thais!
    Amei esse post, no começo eu do texto eu pensei "caramba, achei que só eu era assim". Me identifiquei bastante com você, sempre fui apegada a minha mãe, mas sempre fingi que não, ia dormir fora e chorava escondida, não queria que ninguém pensasse que eu era fraca HAHAH que bobagem né?
    Bom eu estou planejando me mudar de cidade também, quero estudar em uma federal e aqui onde moro não tem o meu curso. Espero que eu cresça assim como vc cresceu!
    Sucesso!!
    beijos!!
    http://cheiade-alegria.blogspot.com.br/

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  2. Olá Thais :)
    Esse post foi uma resposta de oração, foi um estimulo para mim, minha mãe mora em São Paulo e eu moro em Manaus, estou indo morar com ela, mas o medo é grande, medo de deixar meus amigos, minha igreja, mas eu creio que Deus é comigo, moro com uma amiga em Manaus, mas meu sonho sempre foi morar em outro lugar e eu sei que se eu continuar ali vou me acomodar e não vou viver esse sonho, de morar e estudar em outro lugar, as pessoas acham que eu não vou consegui porque eu era (já profetizando kk) uma pessoa inconstante e sempre começava algo e não terminava, mas eu vou consegui porque tudo posso naquele que me fortalece.
    Foi tão bom ler isso, que Deus abençoe a sua vida, Deus tem grandes projetos para realizar na sua vida, creia nisso, JESUS TE AMA!

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