Uma pedrinha única

O sol se escondeu naquela manhã de domingo, haviam nuvens carregadas espalhadas sobre o litoral e algumas nuvens não resistiram e abriram suas comportas. As gotas molharam o asfalto, irrigaram as flores, fizeram carinho nas copas das árvores. Mas não tardou e aquela chuva de verão se foi. O sol voltou a brilhar e sombrinhas, cadeiras e cangas foram carregadas até a praia. Como não havia vento não tinham muitas ondas e as águas chegavam com calmaria à praia.

Era um irresistível dia de verão e eu deixei que a água gelada não molhasse apenas os meus pés, mas imergisse minhas pernas, braços e cabelos. Entre um mergulho e outro, senti o roçar de uma pedrinha no meu pé. Mergulhei e a alcancei.

Mesmo sendo uma pedrinha comum, como tantas outras encontradas no litoral, consegui enxergar a particularidade, ou as particularidades, daquela que se aconchegava entre os meus dedos. Ela tinha quase uns 10 centímetros, era comprida e fina, a não ser em uma das extremidades, onda ela se alargava e seguia em duas direções distintas. Além dos furos, provavelmente feitos pelos seus longos dias no mar, a pedrinha possuía várias marcas, marcas parecidas com as que encontrei em conchas. Cheia de pequenos riscos, riscos que iam e vinham em centenas de direções. Ali estava as particularidades daquela pedra, não importa quantas eu segurasse naquela manhã de verão, jamais encontraria uma pedra parecida.

Quando menos esperei a pedra escorregou dos meus dedos e caiu no mar. Mergulhei atrás dela e apesar da água estar limpa aquele dia, não estava o suficiente para uma visão perfeita do fundo do mar. Perdi a pedrinha. Em outros mergulhos encontrei outras pedras e as trouxe a superfície, mas nenhuma delas era parecida com a pedrinha única que havia roçado os meus dedos.

Enquanto crianças brincavam, casais namoravam e as sombrinhas se agitavam com a brisa fresca que dançava pela praia, eu tive a certeza que mesmo uma pedrinha, tão insignificante comparada às maravilhas da natureza é marcada por particularidades, ela é e sempre será singular, mesmo que ninguém a encontre, ou que ninguém perceba. Cada coisa ou pessoa neste universo é tão único quanto uma pedra do mar, contém em si o próprio universo. Torço para que sejamos sensíveis para percebermos as particularidades dos universos que encontramos por aí.

Thais
Na frente do Princesas Adoradoras há 4 anos, dedica seu prazer pelas palavras à levar o amor de Deus a outros corações. Desde que aprendeu a vê-Lo como Pai e se encontrou como princesa, essa menina mulher tenta ajudar outras moças a descobrirem uma vida de propósitos e sonhos com Deus. Feita de fé, amor, sonhos e palavras, essa capixaba de 20 anos tem visto o carinho de Deus em seu dia a dia. Em 2016 lançou seu primeiro livro.

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