Azul da Cor do Mar, Marina Carvalho

Recentemente li o romance nacional Azul da Cor do Mar, escrito pela mineira Marina Carvalho. O romance conta a história de Rafaela, uma estudante de Jornalismo dedicada que após a recomendação de sua professora, conquista uma vaga de estagiária em um dos maiores jornais de Minas Gerais, o Folha de Minas. O sonho de Rafa é ser uma jornalista investigativa e é exatamente neste setor que a moça vai parar como estagiária.

Como uma recomendação do próprio diretor do jornal, Rafaela deve seguir Bernardo, o jornalista investigativo mais conceituado do estado. Rafaela deve seguir os passos do jornalista, acompanhá-lo nas investigações, ir a coletivas de imprensa, revisar seus textos e até mesmo escrever suas próprias reportagens. Parece o estágio dos sonhos, até  que Rafaela conhece Bernardo, um desses mocinhos arrogantes e trogloditas, que não aceita de jeito nenhum a estagiária no seu pé.

Apesar da vontade de desistir do estágio, Rafaela encara a fera e o cargo, dividindo o seu tempo entre os estudos da faculdade, o estágio e os momentos em que se dedica a escrever sobre um tal menino da mochila xadrez. O quê? Deixa eu voltar um pouquinho no tempo. Quando Rafaela era pré adolescente passava as férias em Iriri, uma praia do litoral capixaba (bem perto daqui de casa :D), e em uma dessas viagens ela viu um menino passar perto da sua casa várias vezes. Esse menino tinha uma mochila xadrez e olhos tristes. Uma manhã, enquanto caminhava na praia com a avó, Rafaela viu esse menino mergulhar na praia com uma carta nas mãos e sair do mar sem a tal carta. Aquela cena nunca saiu da cabeça de Rafa e ela acabou criando um amor platônico pelo garoto da mochila xadrez. Assim, ano após ano, Rafaela criou histórias sobre o garoto, idealizando-o e se apaixonando por ele.

Bernardo não é o melhor mestre do mundo, como eu já disse ele é arrogante e troglodita. Ele e Rafaela duelam vários conflitos irritantes e feios. Ele a maltrata por não querer que ela a acompanhe, critica as roupas dela e a trata com desdém o tempo todo. Mas Rafaela não deixa passar e responde sempre a altura. E nós temos assim um daqueles romances clichês, onde o casal de mocinhos briga o tempo todo e acaba se apaixonando. Em determinado momento da história a ficha começa a cair para Rafaela de que ela está apaixonada por Bernardo…

Para mim a história de Marina carrega alguns pontos negativos, como a postura de Bernardo. Desde o início da trama, ele foi ridículo e implicante, mas mesmo assim a mocinha caí de amores por ele. É aquele típico caso de que não importa o quão ogro o garoto é, se você o ama suporta gritos, humilhações e carrega a obrigação de ser perfeita, porque o cara não aceita que você erre. Talvez esta não tenha sido a intenção da autora, mas foi o que eu consegui perceber da escrita.

— Será que dá para tirar isso? — rosnou ele, enquanto arrancava os fones dos meus ouvidos com a maior agressividade.

Então foi por isso que não ouvi. Credo! A que nível de distração cheguei.

— Ei! — protestei. — O que você pensa que está fazendo?

— Estou falando com você. Não gosto de ser ignorado.

 *Cena entre Rafaela e Bernardo.

Além disso, ambos os personagens principais são maçantes. Rafaela é uma personagem chata e mimada, que se contradiz em alguns momentos — é muito imatura para os seus 21 anos. Diz que não é dramática, mas faz escândalo por bobagens. Critica mulheres que prezam demais a autoestima, mas seu preparo para sair de casa é tão longo que chega a ser irritante. E já Bernardo, está longe de ser o cavalheiro que a autora pinta no final da história. Talvez a perspectiva sobre o personagem mude na leitura do romance A menina dos olhos molhados, onde a autora conta a história pela ótica do Bernardo, só que até agora a história não me cativou o suficiente para vê-la de novo. Será que estou sendo muito chata nesta resenha? Talvez sim, mas eu defendo sempre uma coisa: este livro não foi pra mim, mas pode ser que você goste! Então se a trama chamar sua atenção, vá em frente!

Tenha um ótimo restinho de domingo! Beijão :*

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