Correndo atrás do vento…

Um.

Dois.

Três.

Quatro.

Cinco.

Seis.

Sete.

Lá se foi mais uma semana.

Trinta, trinta e um. Lá se vai o mês.

E quando menos se espera lá se vai dezembro.

Centenas de X foram feitos com canetas coloridas nas páginas dos calendários espalhados pela casa. Páginas de calendários foram rasgadas. O tic-tac do relógio soou sem parar.

Esse foi um ano corrido.

Corri entre os prazos da faculdade, os trabalhos, provas, seminários e leituras obrigatórias. Corri pelos corredores das escolas onde fiz estágio. Ajudei crianças a aprender a ler. Ensinei mitologia grega e democracia ateniense para adolescentes. Descobri que com um pouco de organização eu consigo cumprir bem meus prazos. Aprendi a preparar provas, corrigi-las. Aprendi a montar aulas e readaptá-las para que os alunos realmente as entendam. Aprendi a correr.

E apesar de ter feito uma porção de coisas, lido vários livros, resenhado tantas páginas, tirado tantas notas boas na faculdade, cumprido os meus prazos… Percebo que grande parte do tempo corri atrás do vento. Corri, corri, corri… E não retive muita coisa.

Não que se dedicar aos estudos não seja importante. Não que dar o seu melhor no trabalho ou a qualquer outro projeto ao qual você esteja engajado não seja grande coisa, mas como o autor de Eclesiastes, vejo que grande parte do tempo estou correndo atrás do vento.

“Tornei-me mais importante que todos os que viveram em Jerusalém antes de mim, e nunca me faltou sabedoria. Tudo que desejei, busquei e consegui. Não me neguei prazer algum. No trabalho árduo, encontrei grande prazer, a recompensa por meus esforços. Mas, ao olhar para tudo que havia me esforçado tanto para realizar, vi que nada fazia sentido; era como correr atrás do vento. Não havia nada que valesse a pena debaixo do sol.” (Eclesiastes 2:9-11)

Por que “correr atrás do vento”? Porque em grande parte do tempo me vi fazendo coisas úteis para a realidade deste mundo, enquanto minha vida espiritual ficou relegada às sobras, enquanto meu ministério adormeceu. Tantos livros, tantas séries, tantas tarefas cumpridas, nada disso se compara há um bom tempo dedicado a Deus, não é?

Deus vem me lembrando que não importa o quanto eu alcance nesta terra, o mais importante é a presença dEle em mim. Tudo conquistado nesta terra é passageiro, todo poder, toda glória, todo o dinheiro, tudo passa, mas o nosso Deus continua o mesmo, Jesus permanece imutável (Hb 13:9). Quando tudo passar é Ele quem fica. Quando os nossos dias se findarem é o tempo, a intimidade com Deus que cultivamos, que realmente importará. Termino o ano ciente de que  mais do que correr neste mundo, preciso correr em direção aos braços de Deus.

Uma vida correndo por prazeres, por posições sociais, por dinheiro, fama, glamour, nos levará a perceber assim como o fez Salomão que tudo é correr atrás do vento. Por que do que adianta ganhar o mundo inteiro, mas perder a alma (Marcos 8:36)? Hoje te convido a colocar a sua vida em uma balança. De um lado coloque sua vida terrena, do outro sua vida espiritual. Veja qual pesa mais. A qual das duas você tem dado mais prioridade?

Sei que quando somos jovens demais, tendemos a acreditar que teremos muito tempo pela frente para ter intimidade com Deus, para passar por mudanças radicais. É melhor curtir o momento, né? Por que não ser apenas um adolescente ou um jovem? Viver sem preocupações, deixar a seriedade para depois. Mas nós sabemos que não é assim que as coisas de fato funcionam. O relógio não para, e cada vez estamos mais próximos da volta de Jesus. Quando Ele bater a porta, precisamos estar atentos para ouvir.

Ao invés de correr atrás do vento, vamos correr em direção ao Aba.

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