Deus faça a minha vontade, não a Sua

quinta-feira, abril 11, 2019


Durante grande parte da minha infância, eu quis muito ter uma boneca Barbie. Apesar de ter outras bonecas pequenas (aquelas versões mais baratas, sabe?), eu vivia sonhando com uma Barbie original, mas ela estava além do nosso orçamento, e mamãe não podia comprar uma pra mim. Lembro de uma manhã em que saí com minha mãe para ir ao centro da cidade. Naquele dia, não sei bem por que, nutri a esperança de que traria uma Barbie para casa. Enquanto mamãe resolvia as coisas na rua, fiz com que ela entrasse em uma loja de brinquedos e implorei para que ela comprasse uma daquelas bonecas altas, loiras e magérrimas. Só que mamãe não podia comprar... 

Naquele dia eu não fui nenhum pouco compreensiva, e imediatamente fechei a cara em um imenso bico (meu sinal máximo de pirraça) e andei emburrada, mal falando com minha mãe. O passeio até o centro perdeu todo o sentido e eu voltei para casa frustrada. Algum tempo depois (eu já estava quase entrando na adolescência, nessa época, mas ainda gostava muito de brincar), meus pais conseguiram comprar a tal Barbie pra mim, e apesar de eu ter amado aquela boneca, já não era a mesma coisa, e eu percebi que não havia tanta diferença assim entre ela e aquelas bonecas das lojas de 1.99. 

Essa experiência infantil me fez lembrar de quantas vezes nós nos comportamos como crianças mimadas diante de Deus. De cara fechada, fazendo bico de pirraça e batendo os pés no chão, nós dizemos:

— Deus, eu quero tanto aquele emprego! Me dá!

— Deus, eu não aguento mais esperar! Tem que ser agora. Se o Senhor não fizer, eu mesmo faço, viu?

— Deus, cadê o tal príncipe, hein? Eu acho que é aquele ali mesmo... 

Às vezes nós desejamos tanto uma coisa, mais tanto, que não perguntamos a Deus se o que tanto ansiamos é da Sua vontade para nós, ou se perguntamos, estamos tão sedentas por conquistar logo, que não conseguimos esperar por Sua resposta. Você já se viu em alguma situação parecida? Pois é, acontece com todo mundo, uma vez ou outra, mas é muito perigoso, porque aquilo que tanto ansiamos pode nos levar a destruição, e não a benção. 

Em seu devocional "21 dias com minha amiga Elisabeth", Francine Veríssimo nos lembra de uma passagem em Números 11, que se encaixa e muito no assunto de hoje. Ao decorrer do capítulo 11, nós vemos o povo de Israel, murmurar de novo, desta vez por causa da falta de carne. Primeiro, um grupo de estrangeiros que acompanhavam os israelitas começaram a desejar a comida egípcia, e não demorou para que os israelitas fizessem o mesmo. 

"Ah, se tivéssemos carne para comer! Que saudade dos peixes que comíamos de graça no Egito! Também tínhamos pepinos, melões, alhos-porós, cebolas e alhos à vontade. Mas, agora, perdemos o apetite. Não vemos outra coisa além desse maná!". (Nm 11:4) 

O que antes tinha sido visto como um milagre pelos israelitas, tornara-se rotineiro e enjoativo. Murmurando e reclamando, eles externalizavam uma verdade que traziam no coração: a vontade de voltar para o Egito e desprezar a libertação que Deus trouxera para eles. 

A rebeldia e murmuração do povo, despertou a ira de Deus. Decidido a dar ao povo o que eles tanto desejavam, o Senhor explicou a Moisés que daria carne, mas que daria tanta, mais tanta carne, que eles não a comeriam apenas um dia ou dois, mas sim um mês inteiro, até que a carne saísse pelos seus narizes e eles sentissem nojo (Nm 11:18-20). Pesado, né! Mas essa passagem nos ensina muito.

Quantas vezes, assim como os israelitas nós pensamos/acreditamos saber o que é melhor pra gente e batemos o pé diante de Deus querendo tal coisa? Nosso desejo é tão grande, que nos esquecemos que o nosso coração é enganoso e que nossos desejos podem resultar em coisas ruins, e não em todo o bem que esperamos. Como escreveu Elisabeth Elliot, controlar nossas vontades e desejos pode ser muito difícil, porém é fundamental!

"De todas as coisas difíceis de controlar, nenhuma era mais difícil do que minhas vontades e afeições." (Passion and Purity)

O desejo desenfreado do povo de Israel fez com que Deus lhes concedesse o que eles tanto pediam, mas a carne não veio sozinha, trouxe com ela o peso da desobediência: o enfado e o nojo.


"No deserto, os desejos do povo se tornaram insaciáveis; puseram Deus à prova naquela terra desolada. Ele atendeu a seus pedidos, mas também lhes enviou uma praga." (Sl 106:15).

O que nós podemos aprender com essa experiência dos israelitas? Essa passagem nos ensina a entregar nossos desejos, sonhos, anseios, direto às mãos de Deus. Vale mais a pena ouvir um não, do que receber um sim e ele nos causar enfado e nojo, definhando a nossa alma. Muitos dos nossos desejos, por mais inocentes e bonitos que sejam, podem nos separar de Deus, arruinar nossa vida espiritual e nos afastar dos planos que o Pai tem para nós. 

Por mais difícil que seja controlar os nossos desejos, assim como foi para Elliot, devemos gravar em nosso coração a certeza de que será muito melhor prendê-los e perdê-los, do que ter carne saindo de nossos narizes, como aconteceu com os israelitas no deserto. 

Nem sempre ouvir um sim de Deus — quando ele vem devido a pirraças e insistências — é uma benção. Muitas vezes, o Senhor nos impede de ter tanto aquilo que desejamos, porque como um Pai amoroso, Ele sabe que aquilo nos traria grande maldição. 

Lembre do que a Palavra diz:

“‘Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar dano, planos de dar-lhes esperança e um futuro. Então vocês clamarão a mim, virão orar a mim, e eu os ouvirei. Vocês me procurarão e me acharão quando me procurarem de todo o coração. Eu me deixarei ser encontrado por vocês’, declara o Senhor.” (Jeremias 29:11-14)

“Confie no Senhor e faça o bem; assim você habitará na terra e desfrutará segurança. Deleite-se no Senhor, e ele atenderá aos desejos do seu coração. Entregue o seu caminho ao Senhor; confie nele, e ele agirá. Descanse no Senhor e aguarde por ele com paciência; não se aborreça com o sucesso dos outros, nem com aqueles que maquinam o mal.” (Salmos 37:3-5 e 7)

Sabe esses sonhos que você tem nutrido em seu coração? Não exite em contá-los a Deus! Deus deseja ouvi-los! Mas também não exite em dizer: "Senhor, que seja feita a Tua vontade, não a minha...". Afinal, os pensamentos dEle são muito mais altos e melhores do que os meus e os seus. 

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