Só pare, menina

Hoje é um incomum dia de verão. Ao invés do sol estar torrando lá fora e do ventilador lançar um constante ar quente, a bola de fogo foi coberta por nuvens grossas, como uma deliciosa manta de inverno e a brisa que balança as árvores é fria o bastante para te fazer procurar uma  blusa mais grossa do que o pijama que você não tirou esta manhã. O tempo está bonito para se sentar na varanda, com uma xícara de café quentinho e um pratinho de bolinhos de chuva. Mas não traga o livro desta vez, nem o tablet ou seu caderninho de anotações. Deixa o Netflix pra lá, esquece as contas e até aquela vontade de se cobrir com o edredom e tirar uma longa soneca, só para esquecer todos os seus problemas.

Só para, menina. Pare um instante e observe o que há lá fora. Será que a grama não está mais verde por causa da chuva que caiu esta noite? As montanhas, com suas silhuetas irresistíveis não estão ainda mais belas esta tarde? E as nuvens? Lembra de como você sempre adorou desvendar quais formas elas tinham? Talvez seja um bom momento para ir lá fora.

Talvez aquela série esteja muito boa ou aquele livro sensacional, mas a vida está correndo lá fora e até que é bonita. É bonito ver os pássaros voando para longe da chuva, não é? E ouvir as risadas das crianças tomando banho de chuva? Eu sei que você ama! Saí desse quarto, esquece os prazeres que o mundo tecnológico traz e vá lá fora. Sinta a brisa acariciar o seu rosto, não vista nenhuma blusa de frio e sinta o frio um pouquinho. Um dia chuvoso durante o verão brasileiro é um presente, sabia? Você sempre adorou, eu sei. Talvez seja um presente dos céus, apenas feita para você. Ah, você ainda está confusa do por que eu sei coisas sobre você? Bem, porque eu sou você e eu sei que tudo o que precisamos agora é parar tudo o que estamos fazendo e apenas contemplar a natureza… Tenho certeza que você descobrirá sinais do Criador nela! Talvez os pássaros, as nuvens fofas e carregadas, e o sinal de chuva façam nascer paz em seu coração. É isso o que sempre acontece, né?

Textos dos leitores #2

Este é o segundo post da série Textos dos Leitores que foi ao ar pela primeira vez na última quinta-feira. A ideia deste projeto é abrir um espaço aqui no blog para compartilhar os textos dos nossos leitores, espalhando a fé, o amor, a poesias e muitas histórias com a identidade de cada escritor. É sempre bom descobrir um escritor talentoso, né? Então toda quinta conheceremos novos escritores por aqui, não é legal?

Se você quiser enviar o seu texto, basta saber mais informações sobre o projeto clicando neste link.

O Criador de luzes

Autora: Vitoria Duquina, ou Vih Duquina.
Conheça o livro da Vih no Wattpad, clique aqui.
A noite estrelada estava magnífica, pensou Camila, enquanto se deitava sobre a grama verde escura, com a Bíblia nas mãos. Não havia nuvens, nem as luzes da cidade para esconder aquela obra divina que ela sempre amou admirar. Estar longe da cidade, poder entrar em contato com a natureza e se desligar do mundo, era o que Camila mais desejava. O que seu coração mais ansiava.
— Jesus. — ela sussurrou, de olhos fechados. Sentiu uma brisa soprar seus cabelos negros.
— Estou aqui. — a voz soou ao seu lado, e ela sabia que Ele realmente estava com ela. Como sempre esteve.
E então ela não conseguiu mais segurar. A angústia apertava seu coração e ela se sentia quase sufocada. Precisava tanto dEle.
— Eu o amei. — confessou, entre soluços. — Mas ele… ele não quis meu amor. — Aquilo doía. Mais do que Camila gostaria de  adimitir. Pensar em Mateus era doloroso. Pensar em como ele a rejeitou era ainda mais.
Ouve silêncio por um tempo.
— Você sempre gostou de estrelas. —  Ele disse, ao seu lado.
Camila permaneceu calada por um momento. Depois ergueu os olhos para o céu azul escuro. — São tão brilhantes. — ela disse, baixinho.
— Você é mais. — o coração de Camila acelerou. — Você é muito mais brilhante do que elas. — o frio que ela sentia de repente desapareceu — E esse seu brilho atrai e atrairá muitos curiosos. Mas poucos permanecerão. Poucos desejarão conhecer a fonte de toda a sua luz e aceitarão recebê-la também. — uma lágrima solitária desceu pelo seu rosto, enquanto ela O ouvia atentamente — E esses são os que quero em sua vida, Camila.— Camila respirou fundo.— Os que não permanecerem, Eu os encontrarei de outra forma. No momento certo.
Algo no coração de Camila se aqueceu. Ela lembrou-se da maneira como Ele entrou em sua vida, transformando sua vida e suprindo todas as suas necessidades. Tudo ficaria bem, afinal. Deus tem um propósito para tudo neste mundo.
Camila permitiu que aquelas palavras envolvessem seu coração. E sentiu a mágoa e tristeza desaparecerem, dando espaço a algo bem melhor: alívio e paz. — Obrigada.— disse. Estava bem novamente. Ele jamais falhara com ela, mesmo quando ela so faz. Ele está presente para ajudá-la.
A ventania cessou e Camila olhou para a Bíblia aberta no capítulo 41, versículo 10 de Isaías, que dizia: “Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel”.
E antes de voltar para sua familia, que se reunia na casa do sítio, ela ouviu, alto e claro: Confie em mim.
E ela confiou.

Sobre a menina dos olhos de Deus

Autora: Natalia Menezes

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A menina em toda sua graça vivia com sua alma de pipa, voando pelos céus, em todo seu colorido.
Ela sorria com os lábios e a alma, pois sentia o Pai sorrindo para ela.
Seu primeiro desejo de bom dia era para o Espírito Santo e assim o reverenciava todas as manhãs.
Logo aposta se encontrava em seu dia o iniciando entre alegrias e medos.
Leve como o canto do sabiá, forte como a onda do mar. Essa história é real.
Não pensava que era perfeita, mas fazia de seus defeitos lacunas a serem preenchidas por seu Pai, com a verdade e o amor que ela sabia poder nEle encontrar.
Podia chorar ao longo do dia e estava certa de que iria, afinal o mundo ao seu redor estava doente.
Se a dor então se tornasse forte demais e não existisse mais lágrimas para o choro ela se retirava.
Der repente se via novamente no vale onde seu espírito viajava todas as noites, precedendo seu sono ela caminhava por toda a grama verde de mãos dadas com seu Pai.
Todas as noites questionava a seu companheiro de caminhada o por quê de somente ela conhecer aquele lugar tão precioso, onde em suas tristezas podia visitar e contemplar, sentir o aroma da eternidade e almejá-la com sua vida.
— Por quê eles não vem para cá Papai? Sei que este vale é meu pois o Senhor me permitiu conhecê-lo e moldá-lo conforme o meu coração. Apenas gostaria que todos conhecessem, eu os amo e presente maior não há. Ainda os apresentarei este lugar…
Papai lhe fazia rir tentando caçar uma borboleta, e como ela sorria. Sua alma estava livre naquele lugar.
Ah menina se soubesse…
Amostra grátis da eternidade é o bem mais precioso desta vida terrestre, apenas aprecie.
Abria os olhos e todas as vezes voltava diferente de lá, menos humana, menos dela e mais dEle.
O imutável era o fato de nunca sair de lá sem trazer Papai com ela, sem estar de mãos dadas com Ele sabia que não sobreviveria fora do vale.
De olhos abertos não enxergava grama verde ao seu redor mas via a preciosa capacidade de amar nos corações, isto lhe bastava para este mundo.
Aquecida em todo amor que lhe cercava, abastecida de alegria para viver mais um dia, adormecia acariciada por seu Pai sorrindo.
— Podemos voltar para lá agora?

***

Obrigada meninas pela participação! Esperamos receber mais textos em breve!

A vida é trem-bala, parceiro

“O homem é como um sopro; seus dias são como sombra passageira”.                    — Salmo 144:4

Mortes trágicas como as vivenciadas pelos tripulantes do avião que transportava a delegação da Chapecoense nos fazem refletir o quão frágil e breve a vida é, ou melhor, jogam em nossa cara a crueza desta verdade que geralmente ignoramos. Como as ondas da praia nós alcançamos a areia muito rápido — às vezes de forma tranquila, sendo conduzidas por uma brisa suave, em outras quebramos tudo o que vemos pela frente. Somos passageiros como a brisa e murchamos tão rápido quanto um ramalhete de flores.

Contudo,  no cotidiano nós esquecemos com facilidade da brevidade da vida. Nos atolamos com as coisas do trabalho, nos estressamos com o trânsito, perdemos a cabeça quando um plano não dá certo. Somos ocupados demais. Ocupados para abraçar a mãe ou jantar com a esposa. Estamos cansados para sentar no chão e brincarmos de carrinho com o nosso filho. O café precisa ser tomado as pressas, sem que apreciemos o aroma da bebida preta se espalhando pela casa. Nossas conversas são tão profundas que não conseguimos ir além das queixas sobre o clima.

A vida adulta, cheia de compromissos, de metas a serem alcançadas, planos que devem ser cumpridos, nos leva a dizer “Espere” ou “Deixa pra depois” para tudo o que realmente importa. Sabemos que não levaremos diplomas para o que há depois desta vida. Não há espaço para dinheiro, viagens, ou cargos melhores quando a morte chegar. O que levamos então? Não serão as lembranças de uma vida bem vivida? Não serão as memórias sobre os dias em que rimos até a barriga doer ou que encontramos o conforto que precisávamos nos braços de alguém que amamos em um dia de dor? Mas espera… Nós estamos ocupados demais! Não dá tempo pra refletir na brevidade da vida. Não, não dá…

Mas é preciso. A vida passa, meu amigo. O dia de hoje vai chegar ao fim e nós não temos a mínima ideia se veremos o pôr do sol mais uma vez. Será que ouviremos o despertador amanhã? Será que você poderá brincar com sua filha semana que vem? Será que eu poderei compartilhar mais uma xícara de café com minha mãe amanhã?

A vida é breve. Como canta Ana Vilela “a vida é trem-bala, parceiro”. Ela passa e você nem vê. Nós não podemos deixar para viver apenas quando ficamos devastados e comovidos após vermos uma tragédia na TV. A vida precisa ser vivida todos os dias. E por mais clichê que isso pareça você e eu precisamos ser lembrados de que o “depois” talvez não exista, então não deixe aquele abraço para depois nem aquele sorvete com a sua irmã mais nova. Não deixe o amor para amanhã nem afaste a mão da sua mãe porque você acha que está grandinha demais para andar de mãos dadas. Deixe o Netflix neste fim de semana e se encontre com seus melhores amigos. Surpreenda quem você ama — com um ramalhete de flores, com um beijo na bochecha, com um jantar a luz de velhas.

Aquele velho clichê cabe bem aqui: “Não deixe para amanhã o que se pode fazer hoje”. É bom? Está de acordo com seus princípios? Tem a benção de Deus? Então vai, meu bem. Viva!