Uma aventura à dois #5


Olá, meninas! Como vai o domingo? Espero que bom! Vocês se lembram da fanfic Uma aventura à dois? Com a faculdade fiquei muito enrolada para manter os capítulos atualizados, mas agora nas férias voltei a trabalhar neles. Como sempre aparecia uma princesa para me lembrar da história, dizendo que gostaria de ler mais, não deixei que o desânimo batesse, voltei a escrever! Vou postar todo domingo, então vocês poderão voltar a acompanhar, viu?

Não esqueçam de deixar a opinião lá nos comentários, é sempre bom saber o que vocês estão pensando a respeito!


“Ariel tem 17 anos, está terminando o 3º do ensino médio, é cristã, cresceu dentro da igreja, mas jamais deixou que Deus crescesse dentro do coração, ela passa a maior parte do tempo sentada em frente ao mar sonhando com o dia que começará a viver aventuras de verdade. Hospitais, escritórios, salas de aula, tudo parece muito pequeno para esta menina que sonha em conhecer o mundo, mas tudo a sua volta pode mudar mais cedo do que ela imagina. Com a chegada de dois vizinhos, Felipe e Mateus, Ariel descobrirá dois mundos totalmente diferentes e ambos mudarão sua vida para sempre.” 

Capítulo 5
O
passeio na praia havia sido o primeiro, mas não seria o único. Os pais de Ariel
resolveram ir para o sítio todos os fins de semana, era programa oficial de
domingo. E estavam tão ocupados em manter as gêmeas ocupadas, que já haviam se
cansado de perguntar se Ariel iria ou não acompanhá-los. Ela nunca ia mesmo.
Durante
a semana, Ariel mergulhava nos livros, estava se preparando para as provas que
viriam no fim do ano e esta era a mesma desculpa que usava nos fins de semana.
A mãe se preocupava com a filha, sabia que era importante que Ariel estudasse,
mas não queria que ela ficasse louca com aquilo.
– Estude
pela manhã, mas vá aproveitar à tarde na praia, ou faça o contrário. Só não
fique o dia todo presa neste quarto, okay? – a mãe vivia dizendo. E toda vez
que ela falava o coração de Ariel doía, ela sabia que estava mentindo, sabia
que a coisa toda estava errada, mas estava cansada demais dessa história de
certo e errado, e tudo o que queria era viver um dia de cada vez.  
Satisfeita
com os planos dos pais, Ariel marcava encontros com Felipe e eles começaram a
explorar praias da região, lugares que seriam distantes para os vizinhos e
seriam cheios de surpresas para os dois.
As
borboletas? Elas viam e em cada vez mais número! Ariel já não sonhava com o que
poderia fazer no futuro, ela sonhava com o que poderia fazer no domingo
seguinte com Felipe. As músicas românticas pela primeira vez faziam sentido e
aumentavam os voos das borboletas. Ela estava feliz e o espírito de aventura
ganhava vida constante dentro dela. O mês de março correu e abriu estava indo
no mesmo ritmo.
O
passeio daquele domingo não seria no litoral e para evitar problemas maiores,
Ariel avisou aos pais que iria de ônibus até São Pedro, cidade grande que
ficava a quase 2 horas de distância da sua casa, na companhia de Camila. Elas
iriam assistir há um filme e desde que Ariel atendesse todas as ligações dos
pais e se mantivesse segura, tudo ficaria bem. O que Marcelo e Clarice não
sabiam era que meninos também estavam incluídos no passeio das garotas.        
Eles de
fato estavam indo de ônibus, como era domingo o veículo estava praticamente
vazio, eles sentaram nos últimos bancos, distantes dos demais passageiros.
Enquanto Camila e Gabriel se amassavam no banco ao lado, Felipe dividia um par
de fones de ouvido com Ariel, uma playlist com as canções de Nando Reis
selecionadas com as favoritas dos dois tocavam. Felipe chamou a atenção de
Ariel.
– Ainda
bem que não faço isso com você, né? Na frente dos outros é horrível! – Ariel
corou na mesma hora. Ele nunca havia tocado no assunto. Nada de beijos, nada de
carícias. Ela havia nutrido uma paixão platônica desde que se conheceram, mas
nada além disso, no fundo ainda mantinha aquela ideia de que para se amar
alguém precisa se conhecer muito a pessoa e que o amor viria com o tempo, e no
fim talvez nem acontecesse com Felipe. Tímida, ela apenas sorriu e arqueou as
sobrancelhas.
A viagem
correu tranquila, eles ouviram música em todo o percurso e conversaram hora e
outra entre as canções. Assim que chegaram a rodoviária de São Pedro pegaram um
táxi até o maior shopping da cidade.
– Vai
pagar o que pra gente hoje, Ariel? – Gabriel começou com suas piadinhas sobre
dinheiro.
– Por
acaso eu tenho cara de quem tem filho desse tamanho e que ainda fica fazendo
coisas feias no ônibus? – Ariel fez língua.
– Feio.
Muito feio, Gabriel. – Felipe disse sério.
– Quero
só vê se vocês falam que os pegas que
vocês dão são feios. – Gabriel fez cara de abuso.
– Sua
cara não queima né? Cala essa boca, Biel! – Camila interveio.
Felipe e
Ariel ficaram sérios. Camila logo deu um jeito de arrastar Gabriel para uma
loja de roupas e Felipe e Ariel foram em busca de uma loja de CDs. Eles ficaram
em silêncio por um bom tempo enquanto vasculhavam velhos discos de vinil, ora e
outra colocavam alguns pra tocar num velho toca discos e ficavam presos aos
seus universos particulares.
A voz de
Nando Reis em All Star preenchia o que antes era silêncio na antiga loja, além
dos dois só havia o dono da loja organizando alguns CDs mais ao fundo, eles
estavam sozinhos, mas havia centenas de pontos de interrogação em volta deles.
Felipe resolveu tomar coragem e se virou em direção a Ariel, eles estavam há
pouco mais de um metro de distância, assim que ele ficou ao lado dela, Ariel se
virou e o olhou nos olhos.

Deveria ter feito isso há muito tempo. – a voz de Felipe soava distante e
fraca. Ele segurou a cintura de Ariel e puxou-a delicadamente para si, seus
lábios se encontraram e as borboletas já não ocupavam apenas o estômago da
garota, em sua mente ela beijava Felipe enquanto milhares delas alçavam voo
envolta deles.

“Talvez a paixão seja a maior
aventura que existe”
,
Ariel pensou enquanto levava as mãos ao pescoço de Felipe.
Ele era
o primeiro garoto que ela beijara e sinceramente ela não entendia muito bem
como a coisa toda funcionava. Seus pés se levantaram, não porque ela estava
encantada demais com ele, ela não caía na história de Mia em O diário da
princesa e toda aquela teoria de levantar o pezinho… A questão era que Felipe
era uns 20 centímetros maior que ela, daí a necessidade de ficar na ponta dos
pés.
A boca
dele tinha gostinho de Halls de melancia e as mãos dele seguravam a cintura
dela gentilmente. As mãos de Ariel correram pelos curtos cabelos pretos dele, e
eles ficaram se beijando por vários minutos, pelo menos foi o que pareceu para
ela, até que ouviram o dono da loja chamar a atenção deles, foi um som parecido
com “Uhun”, mas não brincando, soou sério e sem graça.
Felipe
olhou para ele e deu um sorriso sem graça, enquanto Ariel nem foi capaz disso,
sentiu-se coroar imediatamente e deveria estar mais para um tomate do que para
uma garota de 17 anos. Eles saíram da loja de mãos dadas e Ariel se sentiu
confortável com os dedos dele entre os seus. Eles permaneceram de mãos dadas
quando se encontraram com Camila e Gabriel, a Ariel ficou feliz quando a amiga
piscou para ela discretamente, mas voltou a ficar sem graça quando Gabriel deu
um soco de leve no ombro de Felipe e sussurrou: “é isso aí, moleque!”
Eles
estavam assistindo “Capitão América 2 – O soldado Invernal” e embora Felipe
tivesse dito que filmes de super-herói era um dos seus estilos favoritos, o que
não impressionou muito Ariel, já que a maioria dos garotos sejam apaixonados
por eles, Ariel ficou encantada com a forma com que ele olhava para ela. Ao
invés de encarar a tela, Felipe a encarava, parecia estar estudando cada traço
do seu rosto. Ariel sorria envergonhada e quando isso acontecia ele sorria de
volta e segurava com ainda mais força a mão dela, como se quisesse mostrar a
ela que nada o tiraria dali.
Eles não
se beijaram durante a sessão, apenas ficaram se olhando entre uma cena e outra.
Ariel deitou no ombro dele e sentiu quando ele a mão dele alcançou seus ombros.
Estavam num encaixo perfeito e Ariel não queria mais sair dali.
O filme
logo acabou e como de costume Camila a puxou pelo braço e ambos correram como
loucas para o banheiro. Camila era do tipo que bebia todo o refrigerante em
cinco minutos, antes mesmo dos trailers acabarem e antes da metade do filme
estava louca pra fazer xixi, por causa disso Gabriel bem sabia que não
conseguia dar uns beijos na namorada durante um filme e ele espalhava isso por
aí com muita indignação.
–  Amigaaa! Me conta o que está acontecendo! –
Camila estava elétrica e parecia ter esquecido o xixi.
– Felipe
e eu nos beijamos na loja de discos. – Ariel disse ainda não acreditando.
– Vocês
se beijaram ou ele beijou você? Sempre achei que você fosse do tipo que seria
beijada e não que beijaria! – Camila disse ainda mais animada, mas agora uma ruga de preocupação se formara em sua testa, como se descobrir que a amiga
tinha beijado alguém fosse algo tão de outro mundo.
– Isso é
maluquice e é machista sabia? Tudo que sai da sua cabeça é muito confuso. – Ariel
foi até o espelho ver como estava a maquiagem. – Mas ok, não fui eu que o
beijei, ele que me puxou para ele. A iniciativa foi dele. – Ariel abriu a
pequena bolsa que tinha trago e pegou seu gloss rosa favorito.
– Não é
confuso, só é o estilo menininha.O seu estilo. – Camila arrancou o brilho de
Ariel e passou primeiro.
– Ei!
Não aprendeu a esperar nada, é?
– Não
querida, e te digo que os nove meses na barriga da minha mãe foram um terror! –
Camila entregou o brilho e fez um biquinho para o espelho. Ajeitou a cabeleira
loura enquanto fazia mais uma pergunta a Ariel. – Me conta como foi? O que você
sentiu? Ele beija bem?
– Calma
tá? Foi… Foi legal! Não tenho ninguém para comparar, mas acho que ele beija
bem, ele parecia saber o que tava fazendo. – Ariel passou os dedos pelo cabelo
tentando ajeitar os cachos que haviam amassado.
– Mais o
que? – Camila se virou para ela e cruzou os braços na frente do peito.
– Mais nada.
Foi apenas isso. A gente se beijou, depois o dono da loja olhou pra gente com
uma cara feia, ele me pegou pela mão e saímos de lá. Encontramos vocês na
frente o cinema, entramos e ele segurou minha mão durante o filme tôo. Só isso.
– Você
ainda diz só isso? Não tem nada de só, amiga! Você finalmente deixou aquela
coisa de freira de lado! – Camila bateu palminhas, sem barulho. – A vida é
agora, sempre te disse isso, não tem que ficar sentada esperando por alguém que
nem conhece. Já disse e sempre vou dizer! Ah, to tão orgulhosa!
Camila
juntou Ariel num abraço e depois deu um beijo na bochecha de Ariel.
– Para!
Você vai me marcar com o seu gloss! – Ariel disse rindo. – Vão bora.
Elas
deixaram o banheiro e encontraram os meninos esperando do lado de fora.
***
Depois
daquele beijo Ariel só parava de pensar em Felipe quando estava na escola, os
deveres conseguiam mantê-la ocupada o suficiente para esquecer o rapaz um
pouco. Havia feito um trato com o pai desde que as gêmeas nasceram que se
terminasse a escola com grandes notas ele deixaria que ela viajasse para Nova
York por um ano. Ela poderia fazer alguns cursinhos por lá e até se preparar
para tentar entrar em alguma das universidades americanas se assim desejasse,
mas teria que ser uma boa garota até lá.
Por esse
motivo estava atenta na escola, não deixava de estudar e só respondia as
mensagens de Felipe quando estava no recreio. Ia com os pais para a igreja sem
reclamar e fazia todas as vontades da mãe, os pais deduziram que a menina
estivesse melhor por causa de seu interesse para a viagem que estava cada vez
mais próxima e Ariel imaginava que estava cobrindo cada vez mais seus rastros e
que os pais jamais descobririam que estava namorando Felipe.
Os pais
dela haviam feito uma grande amizade com os pais de Felipe, jantarem e almoços
eram marcados com freqüência, o que fazia com que ela e o namorado secreto se
vissem com grande frequência. Só que o Mateus havia sumido, ele não veio em
nenhum encontro na casa de Ariel depois daquele churrasco e ela também não o
via quando ia até a casa deles. Os pais diziam que ele estava ocupado demais
estudando, queria ser aprovado em uma das universidades federais mais
conceituadas do país, era o orgulho dos pais, enquanto Felipe só queria terminar
seu alistamento.
O
passeio deste fim de semana incluiria mais sol, praia e areia branquinha, Ariel
e Felipe não conseguiam enjoar dos cenários das praias, era o lugar preferido
de ambos. Naquele dia fizeram mais algumas aulas de surf e Ariel caiu toda vez
que subiu na prancha. Não, ela não havia nascido pra coisa. Eles haviam
escolhido visitar a mesma praia do primeiro encontro e como o sol estava muito
forte escolheram deitar aos pés de uma castanheira.
Felipe
estava sentado enquanto Ariel estava deitada em sua coxa, e as mãos do rapaz
afagavam os cabelos da moça.
– Sei
que você odeia a Disney, mas deve ter pelo menos um filme que você gosta… –
disse Felipe.
– Não
odeio tanto assim, ainda quero ir no parque! É só que os mesmos filmes passam
lá em casa o dia todo e não tem como não ficar enjoada. Você entenderia muito
bem se ao invés do Mateus, na sua casa tivessem mais duas garotinhas
bagunceiras.

Agradeço todos os dias pelo Mateus! – Felipe juntou as mãos em posição de
oração e fez cara de sério. – Ariel riu e ele também.
– Você
só me pergunta pelos filmes da Disney por causa do meu nome, e se meu nome
fosse outro… Tenho cara de que?
– Não,
você só tem cara de Ariel! – ele amassou as bochechas da menina e roubou-lhe um
beijo.
– E
depois do alistamento… Você vai fazer o que exatamente? – Ariel estava
adiando essa pergunta por muito tempo, finalmente conseguira pronunciá-la.

Explorar a Europa ou a Ásia… Tenho um trato com o meu pai, depois que cumprir
meu alistamento, posso viajar por um ano, ‘sem
fazer besteiras’
, palavras dele, não minhas. Após um ano tenho que voltar
pra casa e ir pra faculdade, mas não gosto de pensar muito nessa parte.
– Ainda
não sabe qual curso quer? Não se identifica com nada? – Ariel se levantou e se
sentou de costas para o mar, e de frente para Felipe.
– Não.
Tem algum curso que nos forma pra ser viajantes do mundo?
– Se
descobrir algum me avise, por favor! Também não hesitaria em fazer esse curso.
– Ariel disse sorrindo.
– Pode
deixar! – Felipe mostrou seu sorriso torto. – A verdade é que… Nunca me
imaginei sentado em um escritório resolvendo coisas chatas de empresas ou
bancando o advogado em algum tribunal. Mas essas são as opções que o meu pai me
deu, profissões assim são dignas dos Medeiros! E todo esse blábláblá. – ele
bagunçou os cabelos, exasperado. – Seus pais te obrigam a ser o que eles
querem?
Ariel
voltou um pouco no tempo, houve um tempo que sim.
– Antes
da Mel e da Ana nasceram eles pensavam em mim o tempo todo. Meu pai queria que
eu passasse um tempo nos Estados Unidos e estudasse o ensino superior lá, fazer
algo relacionado à Administração ou Jornalismo, para cuidar da rede de jornais
dele. – Ariel deu uma pausa, reparando que sua mania de falar rápido demais
ainda não havia a abandonado. – A ideia de ir morar em solo americano sempre me
agradara, mas nunca quis fazer administração ou jornalismo, também nunca foi
minha praia ficar numa sala o dia todo…

Entendo perfeitamente! As gêmeas vieram e mudaram tudo, né?
– Sim,
quando elas nasceram meus pais se preocuparam e muito com elas. Minha mãe teve
uma gravidez de risco e tal, isso fez com que eles acreditassem que as meninas
são um milagre. – Ariel se lembrou do tempo que também acreditava nisso. – E
sobrou menos tempo para eles planejarem o meu futuro.

Então… você também não sabe o que fazer? – ele parecia satisfeito, como se
finalmente tivesse encontrado alguém como ele.
– Mais
ou menos. Vou para os Estados Unidos ano que vem, vou passar um ano fazendo
cursos e talvez tentar entrar em alguma universidade de lá. Quero fazer algo
relacionado à música, na verdade.
– Música.
Era mesmo de se imaginar. Você está sempre de fones de ouvido! Canta pra mim,
vai! Canta! – Ariel corou, não gostava de cantar na frente de ninguém, se
arrependeu de ter contado.
– Bom…
Tenho um sério problema em cantar na frente dos outros. Talvez outro dia? –
Ariel fez biquinho, na esperança de convencê-lo.
– Só
aceito esse talvez se você me der um beijo! – ele fez cara de sério mais uma
vez. Podia não querer ser advogado, mas era ótimo em convencer Ariel.

Com certeza venceria muitos casos, pensou a garota.
Ariel o
beijou e eles continuaram fazendo isso por um longo tempo, até que as coisas
ficaram quentes demais e Ariel decidiu que já era o bastante. Ainda tinha um pouco
de juízo e bem, estava ficando tarde, hora de ir para casa.
Como
sempre Felipe a deixou antes de casa, e eles não se beijaram com medo de que
alguém os visse. Ariel correu para a areia para fingir que estava andando pela
praia em frente de casa e viu quando Felipe passou direto da garagem de casa. Ele
sempre fazia isso, dizendo que era pra ninguém perceber que eles estavam
chegando em casa no mesmo horário, mas lá no fundo Ariel desconfiava dessa
desculpa…
– Para
de ciúme idiota, Ariel! Você não pode sentir essas coisas, não pode nem gostar
dele para início de conversa. – Ariel sussurrou para si mesma, na tentativa de
que essas verdades alcançassem seu estômago e impedissem os vôos incessantes
daquelas borboletas, afinal em pouco mais de um mês o alistamento dele acabava
e logo, logo ele entraria num avião e sabe Deus quando Ariel voltaria a vê-lo.
Ariel
continuou caminhando, apreciando a brisa que agitava os seus cabelos e faziam
cócegas em seu rosto, enquanto isso se lembrava do dia que havia passado com
Felipe. Quando você começa a gostar de alguém, mesmo que seja apenas um
pouquinho, não consegue parar de pensar nela.
Por mais
forte e resistente que Ariel tentasse ser, buscando não pensar em Felipe,
tentando esquecer dele durante as aulas e durante as tardes que passava
estudando, o seu coração sempre o trazia a tona. Ela se lembrava da forma como
as sobrancelhas se arqueavam quando ele sorria, de como ele deixava que ela
deitasse no ombro dele enquanto escutavam música e como ele acariciava os
cabelos dela. Ela tentava mandar as lembranças para longe, mas eram como um
nevoeiro que só saia de perto dela quando o próprio queria.
Distraída,
Ariel só percebeu quando tropeçou na perna de Mateus. Ela quase caiu, mas ele
foi rápido o bastante para impedir que isso acontecesse. Ela não via o garoto
desde o churrasco em sua casa e só agora se lembrara do quanto as palavras que
ele dissera mexeram com ela naquela noite. Ele era diferente e ela deveria ser
diferente como ele.
– Desculpa!
Desculpa! Desculpa! – Ariel soltou seus mais sinceros pedidos, ela detestava
machucar as pessoas.
– Fique
tranquila! Você não me machucou e eu não deveria ficar jogado assim na areia. –
ele sorria com o seu ar encantador de criança.
– Na
verdade, a praia é exatamente pra isso! E hoje está um dia lindo. – Ariel se
sentou ao lado dele, e só depois viu que não sabia o por que. Talvez Mateus
soubesse dela e de Felipe, talvez falasse alguma coisa, talvez ter se sentado
ali fosse uma péssima ideia. Ela ia descobrir logo.

Verdade! Tava lá no meu quarto estudando e não resisti quando vi esse sol. Tô
perdendo um tempão aqui, mas não poderia deixar de sentir essa brisa e ver esse
mar. – ele não estava olhando para Ariel, olhava para o mar, assim como o fez no
churrasco, como se pudesse ver além do mar, como se ao invés de ver aquela
linha azul escura que aparecia lá no fim, ele estivesse vendo o oceano
atlântico encontrar as terras do continente africano.
– Você
tá estudando bastante, né? Toda vez que seus pais vão lá em casa ou quando
vamos a sua casa, seus pais dizem que você tá no quarto estudando… – Ariel
nem percebeu que estava falando com ele na maior naturalidade do mundo. Quando
estava próxima à pessoas que queria impressionar, como ao lado de Felipe, ela
falava corretamente, só se permitia ao erro ao lado daqueles que realmente se
sentia à vontade e por incrível que pareça isso estava acontecendo com Mateus.
– Um
pouco, na verdade estudar nunca é demais, mas não fique espantada, seus pais
vivem dizendo pros meus que você também anda estudando demais! – ele sorriu e
finalmente a olhou nos olhos. Ariel sorriu. – Te procuraram na igreja hoje, lá
na sala dos jovens. Mandaram dizer que você faz muito falta!
– Ah,
obrigada! – Ariel ficou um pouco sem graça, não havia imaginado que fazia falta
lá. – Faltei porque meus pais foram pro nosso sítio e aproveitei a manhã para
estudar mais um pouco. Achei que você não estava indo de manhã também…
– Tá
brincando? Nunca vou deixar de ir à EBD, é a minha parte favorita. – ele
parecia feliz de verdade dizendo isso. – Adoro sentar com outras pessoas e
debatermos sobre coisas da bíblia, sempre aprendo alguma coisa importante, algo
que ainda não sabia ou tinha me esquecido, e sempre dá um gás pra voltar pra
casa e continuar correndo atrás dos meus sonhos!
– Legal.
Você se enturmou bem lá né?
– Um
pouco, não consigo muito frequentar os grupos de teatro e louvor, ainda não me
sinto tão em casa ali pra isso, mas meus pais sempre disseram que mais
importante do que ter amigos na igreja, era encontrar Deus de verdade lá
dentro. Se eu tivesse um encontro com Deus toda vez que entrasse na igreja, se
realmente o buscasse e me sentisse bem lá, então estaria tudo certo.
Ariel
assentiu e no fundo ficou um pouco abismada, nunca havia sentido isso que
Mateus demonstrava sentir, esse amor todo por Deus. Enquanto ele falava da
igreja, Ariel conseguiu ver um brilho diferente nos olhos dele e viu o quanto
ele parecia se sentir bem na casa de Deus, coisa que ela e muitos dos outros
jovens da igreja não sentiam. Por um momento ela quis ter esse mesmo sentimento
que ele correndo em suas veias.
Mateus
ficou sério por um instante e se calou, parecia estar se preparando para alguma
coisa.
– Ariel,
posso te falar uma coisa séria? – o coração de Ariel balançou um pouco, tinha
medo do que ouviria, mas mesmo assim ela assentiu, talvez não seja nada demais, pensou.
– Sei
que a sua vida não é da minha conta e muito menos a do meu irmão, – ele sabia,
o coração de Ariel parou por alguns segundos. Mateus mordeu os lábios,
apreensivo. – mas o que vocês estão fazendo não começou da maneira certa.
– Como
assim, Mateus? – Ariel se sentia um pouco revoltada, quem Mateus era pra dizer
que ela e o Felipe estavam errando?
– O
Felipe sai de casa dizendo que vai pegar onda, meus pais não acham que é
mentira, porque isso foi o que ele fez a vida inteira, mas já vi ele deixando
você no começo da nossa rua. Ele te dá um beijo rápido e depois some, você tem
que caminhar sozinha até em casa, sem saber se seus pais já descobriram o que
você está fazendo. Se seus pais soubessem que vocês estavam namorando com
certeza o assunto já tinha chegado lá em casa, mas tenho certeza que eles não
sabem, porque se não vocês não se encontrariam apenas quando eles não tão em
casa… – Mateus foi abaixando o tom de voz até ela sumir por concreto.
Segundo
Ariel, para alguém que sabia que a vida do irmão e a dela não fossem da conta
dele, ele sabia coisas demais. Ela ameaçou se levantar, não tinha o que dizer a
Mateus nem queria dizer nada. Quando estava pegando impulso nos braços para se
por de pé, Mateus tocou no braço esquerdo que estava bem próximo a ele.
– Ariel,
não quero que pense que estou me metendo na sua vida ou na do meu irmão… –
Ariel se levantou, pronta para ir pra casa, mas Mateus se levantou também e
bloqueou seu caminho. – Sei que você é diferente, posso ver em seus olhos. Vi
isso desde o dia da nossa mudança, quando você estava sentada naquele balanço.
Talvez você esteja pensando: ‘que problema há em gostar de alguém?’, Não há
problema algum, Ariel. Deus não é contra o amor, mas ele não pode começar
assim, escondido de todos, fazendo com que você minta pra todos que ama e fuja
da pessoa que é.
– Não
estou fingindo ser outra pessoa! – Ariel gritou e puxou o braço que Mateus
ainda estava segurando. – Eu sou eu mesma, com Felipe ou não! E você está
certo, nada disso é da sua conta.
Ariel
empurrou Mateus com o ombro esquerdo e saiu pisando duro.

Ariel… – ele chamou, ainda gentilmente. Ariel olhou para trás. – Já vi
histórias que começaram assim terminarem muito mal. E não quero que aconteça o
mesmo com você. Tenho certeza que Deus também não quer isso!
– Quem
você pensa que é, Mateus? Por acaso você é amigo íntimo de Deus? Pra ficar
falando por Ele por aí? Olha pra você, é apenas um garoto que morre de medo do
mundo! Fica de olho na sua vida, porque da minha cuido eu. – Ariel saiu
correndo, sentindo lágrimas quentes escorrerem pelas suas bochechas. Estava com
raiva e cansada.
Subiu as
escadas correndo e se jogou na cama. A voz de Mateus continuava rondando a sua
cabeça: 
“Já vi histórias que começaram
assim terminarem muito mal.”
O que ele queria dizer com isso? Será que
Felipe já tinha feito isso com outra garota? Ou era apenas o garoto tentando
ser um enviado de Deus?
Ariel
chorou mais um pouco até que o celular vibrou dentro da bolsa e ela o pegou,
era uma mensagem de Felipe que logo a fez sorrir:

“Estou com saudades! Que tal me encontrar hoje de noite na praia?
Depois que seus pais dormirem me mande uma mensagem. Te quero pra mim, raio de
sol!”  

8 comentários sobre “Uma aventura à dois #5”

  1. Nossa, eu estou louca no seu blog, de coração! O nome já me encantou logo que entrei, somos todas princesinhas adoradoras <3 <3 que amor! eu preciso tirar um tempo para ler essa sua fan fic desde o começo!!! e tbm para ler um post especial sobre anorexia e etc e sobre o que a Bíblia fala sobre isso! Deve ser lindo! Parabéns pelo blog linda, beijinhos

    Se curtir o blog e quiser se inscrever ou curtir a page, eu retribuo 😀 Duda Nogueira

    1. Oi, Duda *-*
      Quanto carinho num comentário só rs
      Fico muito feliz por você ter gostado, sério mesmo! E exato, somos todas princesas do Rei, e nascemos para adorá-Lo ♥
      Espero que volte mais vezes e que Deus nos use para tocar seu coração.
      Obrigada pela visita, princesa!
      Beijos!

  2. Está ficando linda a Fanfic. *————*
    Muito boa a sua ideia. Há algum tempo atrás eu comecei a postar webnovela. Mas terminou e eu não comecei mais nenhuma. kkkk Vou recomeçar, deixa sempre uma cor melhor no blog. kkk

    Bjks, seguindo aqui. <333
    Me visita?
    > Sentido Literário <

  3. Aaaaaaaaaaaaaateeeeeeeee q fim! Kkkkkkkk. Ja tava preocupada se ia voltar a postar, adoro todos os seus posts, são super legais, mas os que envolvem histórias, fanfics, são bem mais envolventes, perfeitas. Não para não viu, esperando pro próximo. Kkkk, bjoooo

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