Uma aventura à dois #8

Oi gente! Eu sei, eu sei, disse que não postaria capítulos atrasada, mas me enrolei ontem e não consegui um tempinho no computador pra postar. Hoje é segunda, mas vou postar como domingo, okay? Semana que vem não falho! Espero que gostem do capítulo.
O
relógio não colaborou muito com Ariel, os ponteiros estavam mais devagar do que
nunca, principalmente durante a última aula, de sociologia. A matéria era
incrível e tudo mais, mas a parte detestável envolvia o professor que não
possuía habilidade alguma para prender a atenção dos alunos e desenvolver o
assunto. Na maioria das vezes voltavam os problemas apresentados em sala para a
influência em redes sociais, como se o professor tivesse doutorado na área.
Tudo que
Ariel queria era sair daquela sala, colocar seus fones de ouvido e fugir da
realidade por alguns instantes. A música sempre fora sua válvula de escape e
tudo estava tão confuso dentro dela. A conversa que tivera com o pai mais cedo
começara a se chocar com a realidade do seu coração. Será que seria uma boa
ideia sentar para conversar com os pais? E se eles perguntassem quando que ela
começou a perceber que estava se afastando de Deus? E o que andava fazendo que
ela ficasse distante?
A culpa
não era de Felipe, a culpa era dela. Foi ela quem deixou a bíblia de lado e
parou de orar. Foi ela quem apagou todas as músicas cristãs do celular e
preencheu todas as playlists com MPB, rock, folk… Não que ouvir músicas
seculares fosse um grande problema, a questão se girava em torno do que andava
enchendo Ariel, ultimamente ela se enchia mais do mundo do que da fé, e isso definitivamente
era um problema.
Seria
muito mais simples se ela tivesse tentado resolver tudo sozinha, ela própria
podia buscar a Deus e chegar a uma conclusão do que faria com Felipe. Eles
poderiam se ver desde que criassem algumas regras. É. Isso daria certo, não há
como não dar. Mas ele ia embora, né? O coração de Ariel não queria pensar muito
nisso.
Ela
tentava pensar em outras coisas, foi isso que fizera durante toda a manhã,
sempre que se lembrava dele mandava as lembranças embora, conversava qualquer
coisa com alguma das colegas da escola, fazia os deveres de casa durante os
intervalos das aulas e até se arriscou em um jogo de futebol na aula de
educação física, tudo para não deixar-se levar por Felipe. Mas mesmo com todos
os esforços ele foi a primeira pessoa que veio a sua mente quando saiu da
escola.
Ela
queria pelo menos uma mensagem dele, mas ele não enviara nenhuma. Ariel não
tinha garantia de que era importante na vida de Felipe, ele nem deu mais uma
olhada para ela ontem. Ele a chamava de raio de sol e tudo mais, mas no fundo o
que queria era passar algum tempo com ela. Estavam juntos há pouco tempo, mas
ele já deveria ter dito alguma coisa importante, né? Alguma coisa que fizesse
Ariel flutuar, sair de órbita por alguns instantes.
Mas ela
também não poderia culpá-lo, ele já havia dito que no quartel não podia ficar
mexendo no celular. O aparelho ficava guardado e ele não tinha muito tempo
livre. Ariel precisava ser menos menininha, e mais racional.
Sentada
na van a caminho de Valadares Ariel desbloqueou o celular e abriu o Spotify, estava pronta para colocar a
mesma playlist que ouvira com Felipe no dia que se beijaram pela primeira vez,
com as canções de Nando Reis preferidas dos dois, mas ela não estava a fim de
sofrer por paixão, amor ou qualquer outra coisa que se encaixasse no quadro.
Fechou o programa e abriu o bloco de notas do celular, sempre havia anotado ali
alguma banda nova ou uma canção, e dessa vez a primeira da lista era Bethel
Music, a banda que seu pai indicara hoje de manhã.
Ariel se
sentia mais leve a cada música, as letras doces e recheadas de fé alcançaram
seu coração e acalmaram o mar de questões que a inundavam, perdida entre as
músicas a menina nem percebeu que já tinha chegado à Valadares. Assim que
desceu da van e começou a cruzar o centro da cidadezinha Ariel ouviu Camila
gritando seu nome da padaria barra sorveteria barra lanchonete do senhor
Miguel. Ariel acenou para a amiga e esperou que ela chegasse até ela.
– Oi. – Camila
sedentária disse arfando.
– Oi,
Ca. Tudo bem?
– Tudo.
Desculpe por ter furado segunda, tá? Vovó passou mal e minha mãe quis que eu
fosse com ela.
– Já
disse, não tem problema. Mas sua vó melhorou?
– Sim!
Foi só um susto de velho. – Camila sorriu.
– Ata. –
Ariel sorriu também.
– Que
tal fazermos um passeio a quatro neste fim de semana?
– Não
dá, o Felipe teve que ir pro quartel. O tempo de serviço dele está acabando e
ele terá que passar mais tempo lá agora. Só vai voltar daqui duas semanas.
– Ah,
que chato. Não sei o que eu faria se o Gabriel ficasse duas semanas longe! –
Camila se arrepiou só de imaginar e Ariel achou graça do drama que as garotas
podem fazer por causa de um garoto.
– Nem é
tanto tempo assim, Camila. E pensando bem, nem sei de verdade o que nós temos.
– E tem
mesmo que significar alguma coisa? O importante são os momentos que vocês
passam juntos, o significado vem depois.
– Foi
assim com você e o Biel? Não significava nada antes?
– Por
aí. Nós começamos a ficar por diversão, sabe? Depois a gente descobriu que se
gostava.
– E não
foi estranho ficar com alguém que você não sentia nada?
– Se
você viver pensando assim nunca vai fazer nada nessa vida, Ariel. Você acha
significado e importância nas suas aulas de matemática? Creio que não, mas
ainda sim você tem que fazer. Se ficar esperando o momento certo de fazer isso
e aquilo nunca fará nada.
– Só que
eu também não acho graça ficar fazendo uma coisa que não tem sentido, sabe? Ou,
temo que passe a ter sentido só pra mim, vai que pro Felipe nunca faça sentido
algum?
– Você
precisa deixar essa mania de ser calculista de lado, pelo menos um pouco. Viva
o hoje, Ariel. Estar com ele não é bom? Vai me dizer que você não adora quando
ele te coloca naquela moto e vocês se aventuram por aí? Aventura foi o que você
sempre quis, não foi?

Aventura foi o que eu sempre
quis.
Ariel
deixou que aquelas palavras alcançassem seu coração. Mas a aventura tem que ser necessariamente ao lado de um garoto?
Antigamente eu era mais feminista.
Ariel se
despediu da amiga sem dizer muita coisa e logo que começou a andar colocou Come
To Me para tocar de novo, aumentou o volume e escapou da realidade mais uma
vez.
Nos
cinco minutos de caminhada até em casa Ariel começou a se perguntar se o pai já
havia conversado com a mãe, se ela já sabia, será que iria querer ter uma
conversinha com Ariel? A garota ainda não estava emocionalmente preparada para
um momento assim, principalmente se a mãe a olhasse com aqueles olhos azuis
gentis, que pareciam ler a alma de Ariel. Ela provavelmente não se conteria e
contaria tudo à mãe.   
Quando
chegou em casa viu que o carro da mãe não estava estacionado na garagem, ela
deveria ter saído para resolver alguma coisa. Ariel entrou e foi direto para a
cozinha, havia um bilhete da mãe na geladeira, dizendo que ela havia ido para
Esperança porque as gêmeas tinham uma consulta médica.
Ariel
preparou o almoço e agradeceu aos céus pela mãe não estar em casa, ainda não
estava pronta para uma conversa séria. Almoçou na varanda dos fundos deixando
que a sua música favorita tocasse, o barulho das ondas. Assim que terminou de
almoçar, Ariel voltou à cozinha e pegou a bíblia que estava dentro da mochila,
retornou a varanda e desceu as escadas que davam no quintal. Assim como na
frente da casa havia um balanço, nos fundos havia um desses balanços de ferro,
bem embaixo de uma velha árvore. Ariel se sentou no balanço e abriu sua velha
bíblia. Caiu aleatoriamente em Cântico dos Cânticos:
“Como um lírio entre os espinhos
é a minha amada entre as jovens.” (Cântico dos Cânticos 2:2)
Ariel
não conhecia muito sobre Cântico dos Cânticos, mas não precisava de muito para
entender que a amada deste rapaz se destacava entre todas as outras. Ela era
uma flor entre um mundo de espinhos. Ela se destacava e o amado via isso. Ela
era uma boa pessoa, uma pessoa que provavelmente buscava ser melhor todos os
dias, não pelos outros, mas por ela mesma, e o seu amado vira isso.
Será que
Ariel estava sendo um lírio ou um espinho? Como Felipe a via? Como as outras
pessoas a viam? E como ela realmente era? O mais importante não era o que os
outros andavam vendo, mesmo quando se é uma excelente pessoa, dessas que se
encaixam no hall de melhores pessoas do mundo, sempre tem alguém que possui uma
visão equivocada de você, Ariel não queria saber quem estava sendo pelos
outros, mas por si mesma. Será que ela era um lírio para si? E quanto a Deus,
quem Ele andava vendo?
Ariel
segurou a bíblia com uma das mãos e segurou o balanço com a outra, pegou
impulso e de repente estava voando no velho balanço.
– Como é
ser um lírio? – Ariel sussurrou para si. – Como?

“Comece a confiar em Mim.” Uma voz sussurrou dentro da
garota, como se viesse do coração.
 – Eu confio. Quero confiar. Me ensina a
confiar. – Ariel disse com toda convicção olhando para os céus. Ela queria
voltar a confiar nAquele Deus de todo coração, queria sentir a fé correndo por
suas veias e deixar que Deus agisse em cada área da sua vida. Entre uma ida
para frente e outra para trás, Ariel se lembrou de uma velha frase da mãe: “Por que caminhar sozinha, quando você tem
um Melhor Amigo?”
Ariel
queria ver a Deus como seu melhor amigo e estava pronta para começar essa
aventura.
***
Depois
de 1 hora e meio estudando, Ariel escutou o carro da mãe ser estacionado na
garagem, ainda receosa quanto a mãe saber das suas dúvidas, ela não desceu,
continuou sentada em sua escrivaninha perdida entre os livros.
Uma hora
mais tarde, escutou a voz de Mateus lá em baixo, ele estava conversando com sua
mãe. Ariel se levantou e foi até o espelho ajeitar o rabo de cavalo, trocou o
pijama de ursinhos por um short jeans e uma regata cor de rosa, enquanto
terminava de vestir a blusa escutou a voz de sua lhe chamando. Desceu as
escadas e logo viu Mateus sentado ao lado das gêmeas, eles estavam assistindo
um episódio de Pinguins de Madagascar.
– Oi. –
Ariel se aproximou do sofá.
– Oi. –
Mateus disse sem desgrudar os olhos da televisão.
– Você
veio aqui em casa pra ver desenho animado ou pra conversar comigo? – Ariel
cruzou os 
braços.
– A
gente pode fazer os dois! – Mateus disse com seu sorriso de menino.
– Não
tenho tempo para ver desenho animado. – Ariel se afastou, indo em direção a
cozinha. Mateus se levantou prometendo as meninas que voltaria logo e seguiu
Ariel. Eles desceram as escadas da varanda e se sentaram no velho balanço.
– Em que
área você deseja meus serviços de psicologia? – Ariel disse enquanto começava a
dar vida ao balanço.
– Tá
bom, vou tentar explicar doutora… Lembra da Ester?
– Claro
que lembro. – Ariel parou o seu balanço, para ficar bem próxima de Mateus, já
que ele andava concentrado demais em seus pensamentos e provavelmente havia
esquecido do que um balanço era capaz de fazer.
– Acho
que estou gostando dela.
– Também
acho isso. – Ariel disse sorrindo. – Você acha que ela também gosta de você?
– Não
sei… Vocês garotas são estranhas. – Mateus coçou os cabelos, como se
estivesse tentando resolver um grande dilema.
– Nós
não somos estranhas, vocês que nunca entendem nada. Acho que ela gosta de você,
lembra do que disse sobre os olhares de vocês? – Mateus assentiu. – Não estava
brincando, vocês se olhavam como se não houvesse mais ninguém no mundo todo. –
Ariel sorriu com confiança. – Os livros de romance diriam que isso é sinal de
paixão, ou amor.
– Você e
meu irmão tiveram isso? – Mateus perguntou meio sem graça, ele se lembrara da
promessa que ela havia feito na noite anterior e Ariel também.
– Você disse
que não ia se meter! Quer levar um chute?
– Não,
não é isso Ariel. Só quero saber se você sabe mais do que os livros do Nicholas
Sparks te dizem. Experiências são mais úteis que livros de romance.
Ariel
respirou profundamente.
– Seu
irmão e eu não tivemos tempo disso, foi tudo rápido demais. Nós não tivemos
tempo de gostar um do outro antes de começarmos a sair juntos sabe?
Mateus
assentiu.
– Comece
devagar, acho que esse é o segredo. – Ariel disse enquanto começava a se
balançar mais uma vez. – O que você sente quando está com ela?
– Tudo
fica esquisito, desde que comecei a conversar com a Ester parece que todo dia
tem arco-íris, ouço o canto dos pássaros e até tenho mais vontade de ver o pôr
do sol…
– Ah,
por isso que você estava na praia aquele dia que se intrometeu na minha vida
né? – Ariel disse rindo, zombeteira.
– É. E é
bom, sabe? É um sentimento que não tive com ninguém. Quero vê-la logo, quero
conversar com ela. Se estou lendo um livro e acho algo interessante logo penso
nela, é pra ela que quero contar. Se escuto uma música romântica penso nela.
Penso nela o dia todo, Ariel! Ontem até parei de estudar para assistir aquele
filme “Um amor para recordar”.
– Acho
que é grave Mateus! Muito grave. – Ariel disse rindo. – Não acredito que você
parou tudo para assistir um filme romântico sozinho. – Ariel continuou rindo.
– Para!
– Mateus empurrou o balanço dela e agora ela balançava de lado.
– Você
não precisa pirar com isso, como já disse leve as coisas devagar. Acho que faz
o tipo da Ester também. Começa a ser amigo dela, conversem, descubram um ao
outro e deixe que o amor conduza vocês.
– Nossa,
se fosse uma garota estava fazendo carinha de gato do Shrek e batendo
palminhas! Foi muito romântico isso! – Mateus ria.
– Você
veio pedir ajuda ou rir da minha cara?
– Ajuda.
Desculpa. Então o segredo é ser manso.
– Sim. E
conquistá-la durante esse tempo, só uma coisa, você deve saber na teoria, mas
praticá-la é muito difícil: apenas seja você.
– Sem
dúvida, doutora.
– Ah,
mais uma coisa: não leve ninguém ao primeiro encontro de vocês, ninguém merece
ter que segurar vela, nem vocês tem a liberdade de serem vocês com um bando de
amigos doidos do lado, não quando estão apenas começando. 
– Tudo
guardado. – Mateus começou a se balançar, o mais forte que podia e Ariel o
acompanhou.     

Mateus? – Ariel diminuiu o ritmo do balanço.
– Sim? –
Mateus parou seu balanço.
– Uma
vez você me disse que não queria estar ao lado da pessoa errada… – Mateus
assentiu. – Então você sente que a Ester é a garota certa?
– Sim.
Algo aqui dentro me diz que sim. – Mateus fitou uma pedra até que a chutou,
estava corando e não queria que Ariel visse.
– Como
você pode saber isso?
– Porque
quando estou perto dela não sinto nada de ruim, apenas sinto paz, calmaria. E
uma vez li que onde há paz Deus está.
– Então
você acredita mesmo que Deus está envolvido nos romances…
– Tenho certeza, Ariel.
***
Mateus
não demorou ir embora, deixando Ariel mais uma vez perdida entre livros e
canetas, ela aproveitou o comecinho da noite para fazer uma redação. Estava
pensando em soluções para o uso demasiado de automóveis e consequentemente a
emissão de gases poluentes quando Felipe sobrevoou a sua mente, desde a volta
da escola ainda não havia parado para pensar nele.
Ariel
fechou os olhos e pode sentir as mãos dele segurando sua cintura, sentiu os
lábios dele tocando sua testa enquanto a água gelada da praia passava por eles.
Ela se sentia atraída por ele, gostava dele, mas estar com ele significava
mentir para os pais, ela tinha que ser diferente.
É
verdade que ela sempre quisera se aventurar por ai, ela queria conhecer o
mundo, queria sair daquela praia que estava acostumada, daquele quarto com
paredes azuis, mas sempre fora medrosa, costumava se aventurar apenas pela
imaginação.
Talvez
eles dessem certo se ela tivesse feito diferente, se ela não tivesse ido para
praia com ele sem os pais saberem, se não tivesse marcado tantos outros
encontros escondidos… Ela não sentia paz quando estava ao lado de Felipe, por
mais que se divertisse, por mais que risse e beijasse, tinha medo dos pais
descobrirem, tinha medo das consequências que sua escolha poderia trazer.
Mateus
dissera que sentia paz ao estar com Ester, e para ele isso era sinal de que
Deus estava entre eles, talvez era isso que faltava, a presença de Deus.
Cansada
de navegar entre suas dúvidas Ariel caminhou para o banheiro e tomou um banho,
desceu logo depois para jantar. Ariel ajudou a mãe a colocar a mesa e chamou as
gêmeas para jantar, o pai já havia chegado e estava ajudando a mãe a preparar
uma salada, assim que terminaram a salada todos se sentaram a mesa e
desfrutaram do jantar.
Depois
que terminaram as meninas sentaram na sala para assistir o último desenho
animado do dia e Richard expulsou Clarice da cozinha para que ela descansasse
um pouco. A mãe se sentou na sala para assistir desenho com as meninas, ficando
Ariel com o pai na cozinha.
– Não
esqueci do que conversamos hoje de manhã.- Richard piscou para Ariel. – Sua mãe
vai deixar as meninas assistirem mais um desenho e as levará para a cama,
enquanto isso vamos lavar a louça do jantar, assim que terminarmos nós três
vamos conversar, okay? – Ariel assentiu. – Let’s go!
Na
cozinha havia um pequeno rádio, o pai colocou um cd dentro do aparelho enquanto
Ariel trazia os talheres da mesa de jantar. O som de Bethel Music inundou a
cozinha. Enquanto lavavam a louça Richard perguntou a filha como havia sido seu
dia.
Em menos
de 30 minutos as louças estavam lavadas e o pai estava colocando a chaleira no
fogão.
– Erva
doce ou capim-cideira? – Richard perguntou enquanto pegava três xícaras e duas
caixinhas com saches de chá.
– Erva
doce, pode colocar um pouquinho de adoçante no meu? – Ariel perguntou enquanto
se sentava na bancada da cozinha.
– Sim,
sim.
Logo
assim a mãe apareceu na cozinha e se sentou ao lado de Ariel.
– Que
marido prendado e delicado, esse meu! – Clarice disse sorrindo.
– Tudo
para as mulheres da minha vida. – Richard disse orgulhoso.
 Richard colocou a água quente nas três xícaras
e as colocou na frente das garotas.
– Aqui
na cozinha mesmo ou lá fora? – ele perguntou antes de se sentar.
– Acho
melhor aqui, está ventando muito lá fora. Tem chuva vindo por aí. – disse
Clarice.
– Então
o quentinho é melhor. – Richard se sentou.
O
coração de Ariel acelerou por alguns instantes, uma queimação nervosa começou
em sua barriga, indicando que estava ansiosa.
Clarice
puxou uma sacola que estava na ponta da bancada para perto de si.
– Seu
pai me contou um pouquinho sobre a conversa que vocês tiveram hoje de manhã.
Ariel
assentiu enquanto aproximava a xícara para esfriar seu chá.
– Você
quer nos explicar mais um pouquinho do que você está sentindo? – a mãe não
estava brava, sua voz era doce e suave, na tonalidade de alguém que só queria
ajudar.
– É
aquilo que disse para o papai, tenho uma dificuldade de me aproximar de Deus,
de deixar que Ele faça parte de mim. Sinto que Ele está distante, mas acho que
o problema sou eu mesmo.
– O
problema não é você, querida, muito menos Ele, você só precisa se dedicar mais
a Ele para poder encontrá-Lo. – Clarice disse enquanto se virava para olhar
Ariel nos olhos. – Como você manteria sua amizade com a Camila se você não
telefonasse nem mandasse mensagens para ela? Como vocês continuariam gostando
uma da outra se não se vissem nem procurassem estar juntas de forma alguma?
Você sente necessidade de mandar mensagens, de chamá-la pra sair, de ir dormir
na casa dela ou ela aqui, porque essas pequenas coisas mantêm a amizade de
vocês viva, da mesma forma deve ser o nosso relacionamento com Deus, para nos
mantermos próximas a Ele precisamos conversar com Ele, precisamos ler a bíblia,
cantar louvores, ir a sua casa, falar dEle. Se não fizermos nada disso nos
sentiremos cada vez mais longe, como alguém que deixa-se ser levado pelas ondas
na praia, haverá uma hora que estará tão distante da areia que não conseguirá
voltar com facilidade ou na pior das hipóteses não voltará.   
Richard
assentia concordando com tudo que a esposa dizia, e Ariel permitia que aquelas
palavras alcançassem seu coração.
– Depois
que o seu pai me contou da conversa de vocês passei em uma livraria e procurei
alguns livros que poderiam nos ajudar. – Clarisse abriu a sacola. – Você
precisa ler este primeiro, acho que tem tudo haver com esse momento, vai te
ajudar.
Clarice
entregou um livro pequeno para Ariel, era um livro do Max Lucado titulado de
“Na jornada com Cristo”, Ariel já gostou do livro apenas pelo título.
– Você
pode ler sozinha ou podemos ler juntas. São passagens curtinhas, trechos de
outros livros do Max, podemos ler uma mensagem por dia, o que você acha?
– Seria
ótimo. – Ariel estava entusiasmada.
– Sabe o
que seria bom também? – o pai perguntou do outro lado da bancada. – Acho que
está na hora de você trocar o conteúdo das suas playlists, ouvir músicas
cristãs farão com que você se sinta mais perto de Deus, enquanto as músicas
seculares te fazem querer realizar os desejos da carne.
– É,
estava pensando nisso hoje. – Ariel disse. Bebericou o seu chá. – Vou no grupo
de teatro amanha, vai ser bom também.
– Vai
ser maravilho! – Richard disse todo animado. – Toda noite nós podemos nos
sentar aqui na cozinha e estudar a bíblia juntos, precisamos criar este
costume, fará bem a todos nós.
– E também
precisamos de parar de faltar aos cultos de domingo. Ir mais vezes a EBD será
bom também, as meninas precisam freqüentar mais às salinhas.
Ariel e
Richard assentiram.

Querida? – Richard segurou a mão de Ariel e olhou nos olhos da filha. – Tudo que
nós queremos que você saiba é que estamos aqui para tudo. Nós somos seus pais,
e queremos ser seus amigos.
Clarice
pegou a outra mão de Ariel.
– Você
não precisa ter medo de contar as coisas pra gente. Estamos aqui para isso,
para te ajudar a caminhar. – Clarice afagou a mão da filha. – Sabemos que
ficamos distantes nos últimos anos por causa das gêmeas e nos arrependemos por
isso, nós falhamos com você e não queremos que isso aconteça novamente. –
lágrimas corriam pelas bochechas de Clarice fazendo com que Ariel começasse a
chorar também. Ariel se jogou nos braços da mãe e logo sentiu os braços do pai
envolta delas.

– Não
vai acontecer de novo. – Richard disse sorrindo.

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