Um coração à procura de consertos

“Afinal, de quantas maneiras um coração pode ser
destroçado e ainda continuar batendo? Nos últimos dias, eu tinha passado por
muitas experiências que poderiam ter acabado comigo, mas isso não me deixou
mais forte. Ao contrário, eu me sentia horrivelmente frágil, como se uma única
palavra pudesse me despedaçar.”
— Isabella Swan.
O meu velho exemplar de Lua Nova caiu ao meu lado
na cama, sinceramente não tenho noção alguma do porque voltei a ler este livro,
é o que menos gosto, mas ainda sim… Acho que estou tão angustiada e
depressiva quanto a Bella neste volume, talvez esta seja a explicação, e essa
frase, justo essa, descreve com perfeição o que o meu coração está passando
neste momento. 
Deixo o livro de lado e me levanto da cama, sei que
livro algum vai mudar o que estou sentindo e mesmo que leia minha estante
inteira e ouça todos os meus discos favoritos, o meu coração permanecerá aflito
no final, porque enquanto não encarar os monstros que estão crescendo aqui
dentro não serei capaz de vencê-los. E também sei que não posso fazê-lo
sozinha. 
Vou até a cozinha e coloco um pouco mais de uma
xícara de água para ferver, talvez um café seja capaz de aquecer as coisas aqui
dentro e me acordar pra vida. Enquanto o fogão ganha vida, me encosto na pia e
viajo na cena que vejo pela janela. Há uma velha mangueira no quintal do
vizinho, grande o suficiente par impedir que os raios solares das primeiras
horas da manhã cheguem a minha minúscula cozinha. Neste momento, as folhas
balançam com uma brisa suave e alguns raios de sol conseguem espaço entre os
galhos para chegarem até mim. 
Essa mesma visão me faz lembrar de céus escuros,
nuvens pesadas cobrindo o sol, e que mesmo assim não impedem que alguns raios
escapem aqui ou ali, fazendo com que holofotes iluminem alguns lugares do
mundo. Talvez se eu conseguisse estar em um desses holofotes, sentindo o calor
do sol mesmo quando as nuvens prometem uma chuva daquelas, eu conseguisse
sentir a presença de Deus e Ele pudesse curar as feridas de um velho coração
dolorido… 
Raios penetram a minha cozinha com mais força, um
deles alcança o meu coração e sinto, mesmo que de forma amena um calor emanar
daquela luz. Talvez não precise ir tão longe para encontrar a Deus. 
Às vezes me esqueço do quanto esse mundo pode ser
cruel, e que algumas lutas não são tão nobres quanto os livros demonstram
ser… Não quero culpar ninguém nem me culpar por talvez ser sensível demais
para a vida, mas sei que preciso de ajuda agora e assumo esta verdade, porque
não posso mais conviver com um coração que possuí mais lacunas vazias que
espaços preenchidos. 
Deixo a luz aquecer meu coração enquanto me recordo
do meu avô falando sobre um Deus olheiro, um Deus que tinha prazer em
reconstruir vasos quebrados. 
– Deus não é Senhor de separação Anna, Ele é Deus
de reconstrução! – a voz doce do meu avô me ensinava lições preciosas aos
domingos de manhã enquanto caminhávamos devagar pelas ruas do bairro dele para
a velha igreja da região.
Um Deus de reconstrução que não via limites na
reconstrução de uma obra Sua. Um Deus que não se cansava de voltar a se sentar
com o mesmo vaso e tentar mais uma vez. 
– Sou um vaso quebrado agora, Senhor. Podes me
reconstruir? – fecho meus olhos enquanto sinto um calor ir além, no meu coração,
um calor que não pertence aos frágeis raios solares. Algumas lágrimas correm
por minhas bochechas enquanto me lembro do quanto sou amada. 
– Independente do que o mundo ofereça a você, seja
uma cesta cheia de cores ou apenas limões, lembre-se que há uma realidade que
ninguém pode roubar: você é filha de um Rei que muito a ama. – a voz do meu avô
soou em meu coração. 
Abri os olhos quando ouvi o barulhinho abafado da
água fervendo. Desliguei o fogo e passei o café. Apressada, enchi minha velha
xícara vermelha, que tinha uma lasca na borda e me sentei na mesa de
madeira da cozinha. Abri um certo livro que não abria há muito tempo e caí
aleatoriamente numa das partes que mais precisava naquele momento. 
“Venham a mim, todos os que estão cansados e
sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e
aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão
descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é
leve.”
(Mateus 11:28-29)
Como aqueles pequenos rastros de raios solares, a presença
do Senhor em meu coração era leve e suave, mas a sua sutileza não a impedia de
agir. Senti que as lacunas que antes estavam vazias começaram a ser
preenchidas, preenchidas pelo amor de um Deus que me amava e que estava disposto a pegar as minhas dores e em troca me dar Tua paz e alegria. 
Com Jesus eu podia me sentir frágil, diante dEle
podia rasgar meu coração e deixar que todo choro suprimido viesse à tona,
porque antes de me julgar ou me ensinar qualquer coisa, Ele me abraçaria e
limparia minhas lágrimas. Jesus é o caminho para a vida e mesmo que não possa
vê-Lo ao meu lado todos os dias, sei que Ele está lá. Sua paz é capaz de curar
a minha alma aflita.  

Desculpa Lua Nova, mas a Bella vai ficar depressiva
sozinha. Não preciso de um Edward para me salvar, quando já tenho um Príncipe
de Armadura Brilhante à postos!

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