Você me deu a mão

Você me deu a mão naquela noite
escura em que lágrimas quentes escorriam por minhas bochechas. Meu coração
adolescente sofria com problemas típicos da idade: amizades mal acabadas,
autoestima na altura dos pés, sonhos impossíveis e alguns dilemas aqui e outros
ali. Tua mão não alcançou apenas o meu lado físico, mas a minha alma também e
foi mais calmante do que um rio de chá de camomila seria.
Aos 16 anos voltei a ter cinco e
aprendi a ser uma garotinha de novo, aquela menina do sorriso livre e coração
aberto que não tinha receio algum de confiar em seu Pai. Pai, foi isso o que o
Senhor me ensinou naquela noite, Seu amor era tão imenso que escolheu ser meu
Pai. Enquanto estava embrulhada no meu edredom de flores, imaginei que Você
estava afagando meus cabelos e sussurrando uma canção de ninar para mim. Quando
acordei na manhã seguinte percebi que um sorriso bobo e apaixonado não saía dos
meus lábios, e enquanto tomava um café quentinho algo em meu coração me lembrou
que seria bom ler a Bíblia naquela manhã.
Voltei para o meu quarto e tirei
a Bíblia rosa do seu lugar privilegiado na estante. Abri aleatoriamente e sorri
quando percebi que estava em I Coríntios 13. O meu capítulo preferido! Aquele
que me fazia suspirar com uma história de amor segundo os planos de Deus. Só
que naquela manhã, enquanto relia sobre o amor, não foi em um rapaz que eu
pensei, foi naquele Pai que me visitara e sacara minhas lágrimas na noite
passada.
Aquele amor que é paciente e
bondoso, que não inveja nem se vangloria, que não se orgulha, não maltrata e nem procura seus próprios
interessantes… Aquele amor é Deus, Ele é o próprio amor! Sem esse amor não
adianta falar as línguas dos homens e dos anjos, não há porque ter dons e ser
conhecedor de todas as coisas, sem amor somos N-A-D-A! O que nos faz ser é o
A-M-O-R e este amor é D-E-U-S.

Você me deu a mão e me conduziu
por um caminho em que a base era o amor, enquanto eu confiasse nele e
depositasse minha fé, barreiras por maiores que fossem surgiriam a minha
frente, mas seriam destruídas por sua mão poderosa. O seu amor me fez
compreender que a arte tem grande valor para o artista e que ele não está
disposto a abandonar sua obra.   
Havia uma mão segurando a minha, mesmo que eu não sentisse uma mão na minha de verdade, mesmo que só parecesse uma grande metáfora… E com o passar dos dias constatei aquela verdade, porque mesmo não estando fisicamente ali, sua presença era sentida no meu coração, fosse em dias de flores ou de vendavais. 
Alguns anos depois continuo sentindo o meu Pai aqui, ele me guia por uma longa estrada, em alguns pontos encontramos desertos e climas áridos, outras vezes passamos um tempo em jardins floridos ou montanhas que me permitem admirar a lua e as estrelas. E o mais legal de tudo é que aquele amor que é vida, que é fôlego continua batendo aqui dentro e me levando por caminhos que jamais ousei sonhar. 
“Assim, permanecem agora estes três: a fé, a esperança e o amor. O mais deles, porém, é o amor.”
– I Co. 13:13.

***

Este texto faz parte do Projeto Literário 16 on 16, onde 16 blogueiros, todo dia 16 produzem um texto sobre um tema selecionado. O tema deste mês foi: “E quando chega a noite…” Confira os textos dos demais participantes!

7 comentários sobre “Você me deu a mão”

  1. Olá.
    Eu estou procurando alguém com espírito de liderança, para criar um projeto, onde uni os escritores de ficção cristã. Vejo que estão espalhados e escondidos, enquanto muitos leitores anseiam por livros.
    Pode contar com a minha ajuda, caso faça.

    1. Olá! Que convite maravilhoso *-*
      Escrever é uma paixão, mas não vejo razão se não for pra Jesus! Adoraria participar de um projeto sim, pode me contar mais detalhes da sua ideia?

    2. O projeto não é meu, mas sim a ideia.
      A ideia era que uma pessoa que tivesse um meio de comunicação, como twitter, site, blog, fizesse um projeto para unir os escritores cristãos. Há muitos evangélicos por ai, querendo ler e também muitos tentando ser lidos.
      Você podia fazer essa união;

  2. Que texto maravilhoso ♥ Apesar de não ser muito religiosa, sempre tenho essa sensação de ter sido pega pela mão e conduzida pelos caminhos da vida. É tão bom saber que temos com que contar, para quem dar uma prece.

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