Nos dias difíceis, lembre…

Os dias difíceis podem amanhecer cheios ou vazios. Tem gente que mal abre os olhos e é lembrado da lista de pendências que os perseguem. Outros acordam e sentem o vazio do amado que deveria estar deitado ao lado, de acordar com os gritos histéricos da mãe — muito mais úteis e calorosos do que um despertador qualquer — ou da presença do irmão na cama de cima do beliche. Há quem sofra com o excesso de coisas, com as muitas vozes, as centenas de cobranças, as obrigações diárias. E tem aqueles que sofrem com o espectro de solidão que rondam suas vidas.

Nos dias difíceis, nós não ouvimos o canto dos pássaros às 6 da manhã, não sorrimos ao  ver um bebezinho dando uma gargalhada nem apreciamos uma xícara bem cheia de café. Não percebemos que os campos estão mais verdes com as chuvas que saudaram a chegada do mês de dezembro nem notamos as flores que crescem aos montes nos terrenos baldios ao lado das grandes avenidas de nossa cidade. Pelo contrário, nossos olhos enxergam tudo o que há de ruim por aí.

O sinal vermelho que não muda para o verde nunca. O passarinho sem graça que resolveu “se aliviar” justamente quando você estava passando. O professor que resolveu trollar todo mundo e não deu nada de útil na aula, ou aquele que resolveu passar todos os trabalhos possíveis de uma vez. De repente, aqueles jornais sensacionalistas, que adoram  sugar cada centímetro de uma tragédia parecem muito interessantes. É mais fácil iniciar conversas reclamando do tempo, do calor e dos altos preços no supermercado do que comentar sobre o que de bom aconteceu no seu dia. E será que aconteceu algo bom? Mas é claro, meu bem!

Esta manhã você pôde abrir os olhos mais uma vez. Conseguiu levantar da cama sem a ajuda de ninguém e pôde escovar os dentes enquanto penteava os cabelos. No bule a água do café ferveu, as moedinhas para o pão estavam na bolsa e havia energia para passar o seu uniforme para o trabalho. Você deu um beijinho nas crianças, pediu bença aos pais, fez com que seu pai mudasse o percurso só para te deixar no ponto de ônibus.

Quando este dia agitado acabar você terá uma casa para ir, né? Seus pais, irmãos ou cônjuges estarão lá. Mesmo que não estejam há sempre alguém para ligar, para abraçar, para correr quando tudo desabar.

Tem certeza de que não há nada de bom na sua vida? Hein?

Nos dias difíceis é muito mais fácil lembrar de tudo o que há de ruim do que trazer a memória tudo de bom que já aconteceu na vida e que ainda há. A chave para os dias dolorosos não é murmurar do que está dando certo e colocar Deus contra a parede, não há necessidade disso. Tudo o que você precisa é fechar os olhos por um instante e pedir a Deus que te ajude a lembrar, a lembrar de tudo o que há de bom, de tudo o que Ele já fez por você!

Lembra daquela oração sussurrada no meio da noite? Ele ouviu. Sabe aquele dia que não havia nada para comer? Deus providenciou um presente, não foi? Bateram na porta e te entregaram uma cesta básica. E aquela vez que você passou um ano inteirinho orando e estudando para o Enem? Quem diria que o resultado ia ser tão bom e você estaria na faculdade dos seus sonhos? São tantas coisas para lembrar, não é mesmo? São muitos milagres, muitas histórias para contar. Você podia ficar aí dias lembrando dos milagres que Deus fez em sua vida, fora aqueles tantos que aconteceram sem que você percebesse.

É meu bem, os dias difíceis são tão cruéis quanto uma tempestade. Seus ventos fortes passam por nós fazendo bagunça, tirando as coisas do lugar, destruindo portas e janelas. A água gelada e o vento frio entram por nossos poros tentando tornar o nosso coração gelado. As folhas e as flores, que a primavera abriu com tanto carinho são arrancados das árvores e com elas se vão parte da beleza da vida. Todavia, não esqueça que independente do tamanho da tempestade as nuvens carregadas, negras como a noite, sempre vão embora, deixando que o céu azul e o sol brilhem outra vez.

Nos dias difíceis deixe de reclamar tanto e perder tamanho tempo fitando as nuvens carregadas que sobrevoam a sua vida. Peça a Deus que te ajude a trazer a memória aquilo que te dá esperança e se isso não bastar, pode ter certeza que Deus estará disposto a te acolher nos braços dele, te abraçando bem apertado a medida que a tempestade traiçoeira cai lá fora.

“Todavia, lembro-mo também do que pode dar-me esperança.”                         — Lamentações 3:21

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