20 de Março de 2015
“Tenha bom ânimo!”
 
Estas eram as palavras escritas em um post-it rosa no espelho de Anna, mas ela não estava nenhum pouco animada e a sensação de tristeza aliada a desistência durava semanas, como ter bom ânimo quando tudo dá errado?
O pedacinho de João 16:33 havia sido escrito há quase dois messes, quando a garota descobriu que os pais decidiram se separar, desde então sua vida se transformara numa montanha-russa, cheia de sobe e desce. Ela não aguentava mais as brigas, as incertezas, a falta de paz e a desconstrução da sua crença em “felizes para sempre”. Tudo estava bem confuso na verdade e ela não estava muito afim de ânimo.
Ficar trancada mo quarto vendo episódios mais episódios no Netflix parecia mais agradável, sua cama era bem macia  e o travesseiro perfeito. Deixar o quarto seria ter um contato físico com seus problemas e com as consequências deles, como por exemplo, sua reprovação em 3 matérias do 3º período de seu curso de Pedagogia.
Anna estava em pé diante do espelho, vendo uma garota cheia de olheiras com um vestido bege rendado e uma trança presa bem relaxada, finalizada com uma tiara e pérolas. Ela havia recebido uma mensagem do namorado esta manha convidando-a para ir á um parque de diversões fixo que havia sido reinaugurado nas últimas semanas, ela estava relutante, não queria ir, mas andava afastando Guilherme demais e não queria destruir o seu próprio “final feliz”. Então ela iria, tentaria ter o bom ânimo, mesmo que só conseguisse isso hoje.
– Qual brinquedo vamos agora? – Anna perguntou depois de andarem na roda gigante e nos carrinhos de bate-bate.
– Que tal a montanha-russa? Dizem que está show! – Guilherme estava tão animado quanto os meninos de oito anos que passavam correndo entre eles.
– A minha vida parece uma… – a moça sussurrou para si quando estavam na fila, mas o namorado acabou ouvindo.
– Ei amor, sabe o que aprendi esses dias? – ele levantou o queixo de Anna com o dedo indicador. – A vida é uma só, e mesmo que a sua se apreça com uma roda gigante você não pode perder a vista! Aqui no parque nós pagamos o ingresso, mas na vida real quem pagou os ingressos da humanidade foi Jesus e nós não podemos esnobá-lo, certo?
Guilherme segurou as duas mãos de Anna e sorriu antes de voltar a falar.
– Sabe o que nos faz ter ânimo? Olhar para Cristo e não para o medo. A tempestade tá aí, mas o Marinheiro também está, você pode confiar nEle. Não deixe que as dificuldades te impeçam de contemplar o pôr do sol, ele foi feito para você. – ele apertou a bochecha da namorada enquanto ela deixava que cada palavra dele fizesse morada em seu coração. – Ouça o cantar das aves, se encante com o formato das nuvens e preste atenção no simples, é lá que Deus está!
– Pode deixar. – Anna soltou as mãos do namorado e levou-as até o pescoço dele, enlaçando-o. – Eu amo você, sabia?
– Eu sei, afinal você deixou suas séries por mim! – ele beijou a testa dela, orgulhoso. – Você vai usar bem o seu ingresso a partir de agora? – eles se aproximaram do guichê de entrada do brinquedo.
– Com certeza! Quando você me deixar em casa me lembra que tenho que escrever um novo recado no post-it?
– Claro! O que você vai escrever?
– Que tenho um único ingresso e que cabe a mim fazer a montanha-russa valer a pena.
Escrito por: Thaís Oliveira

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