20 de Fevereiro de 2013

 

 

Capítulo 2

Após passar quase metade da noite em claro,
pensando no que Júlia disse, Sophia chegou à conclusão que deveria contar aos
pais sobre o namoro, eles teriam que aceitar, pois ela não podia simplesmente
da noite para dia deixar de gostar do Pedro.
Ela meditou sobre ele não ter a mesma base
religiosa que a dela, e sobre terem alguns pontos diferentes, mas concluiu que
isso não importava, e que se os pais confiavam mesmo nela, iriam deixar que ela
namorasse. No seu coração ela criou até a esperança de que poderia ajudar Pedro a se converter.
 
 
Na manha seguinte Sophia mandou um sms para
Pedro, dizendo que precisava se encontrar com ele. Marcaram às 16:00 na casa da
Carol.
Sophia foi à escola, mas não prestou atenção em
nada, nem mesmo nas amigas e nas fofocas que rolavam naquela manhã, apenas
pensava em como iniciar a conversa com a mãe, como iria dizer, como deveria se
comportar, e até o que faria se a mãe não deixasse.
Só que o que mais perturbava Sophia, não era a mãe, mas sim o pai. Ana, mãe do
Sophia, sempre fora aquele tipo de mãe que é melhor amiga, sempre ajudava,
estava sempre do lado da filha, nunca dava as costas e, sempre ensinou Sophia
com amor. O pai, Gustavo, também era um bom pai, tinha uma amizade linda com a
filha, atencioso, sempre prestativo, comunicativo, mas como Sophia era filha
única ele ainda a via como uma menininha, e não seria fácil para ele permitir
que a filha namorasse um cara que ele não conhecesse.
Sophia olhava para o relógio de 5 em 5 minutos,
mas o tempo não passava. Chegar em casa foi uma luta, o trânsito estava
horrível, havia acontecido um acidente, e tudo parecia influenciar para que a
moça desistisse de conversar com a mãe.
 
Finalmente Sophia cruzou o portão de casa, e ao
entrar encontrou a mãe na sala, assistindo ao jornal. Naquele momento ela
queria voltar correndo para escola, queria não ter que conversar com a mãe,
queria não ter conversado com Júlia e ainda ouvir a vozinha da ex melhor amiga
dizendo: “basta conversar com a sua mãe”.
Como começar? De que forma falar? Sophia estava presa em turbilhão
de pensamentos, que deixou ela extremamente confusa.
A mãe de Sophia desviou os olhos da TV, quando viu que a filha não
se mexia nem falava nada, achou aquela reação totalmente estranha, sabia que a
filha era a pessoa mais faladeira que conhecia, completamente bagunceira já era
para ter deixado cair a mochila e ter se jogado no sofá, mas ali, naquele
momento nada aconteceu.
 – Que cara estranha é essa,
mocinha? Está acontecendo alguma coisa? – perguntou Ana, percebendo a confusão
que tomava conta de Sophia.
– Nada, não é nada. – Sophia simplesmente deixou a palavras
rolarem, numa velocidade inusitada.
– Hun… Sei. A Luciana ligou, dizendo que a Júlia está super
feliz por vocês terem conversado no ensaio ontem.
– Nós sempre conversamos. – disse Sophia, como se nada tivesse
acontecido.
– Bom, acho que vocês foram mais amigas do que de costume. Vocês
devem ter trocado alguma confidência. Júlia ficou feliz mesmo por vocês terem
conversado. Eu sinto saudade da época em que vocês eram melhores amigas, ela
sempre vinha dormir aqui, vocês estavam sempre grudadas, e ela, eu sabia que
gostava de você de verdade…
– Mãe, eu também sinto saudade, mas você não perde uma
oportunidade pra falar mal das minhas amigas né? – Sophia falou com um tom de
voz que não agradou Ana. E já foi esquecendo da conversa que deveria ter sobre
Pedro, enquanto defendia as melhores amigas da mãe.
– Sophia, pode abaixar essa voz. E eu não falei nada sobre as
meninas, apenas falei que sabia como funcionava a amizade entre Júlia e você.
Agora, você vê que eu não posso pensar nas suas amigas novas que você já se
estressa? Por que eu não posso ter uma opinião sobre elas? Por que eu não posso
falar nada? Eu sou a sua mãe e tenho o direito de falar o que penso.
– Da mesma forma que eu tenho de defendê-las, mãe. – Com toda
indignidade Sophia, não perdeu tempo para responder a mãe. Essa era uma das
desobediências que foram surgindo em Sophia.
 
 
Depois de um tempo em silêncio, Sophia decidiu que estava na hora,
embora ela não tivesse tanta certeza, pois já tinha estressado a mãe, mas ela
tinha que defender as amigas, certo? A mãe estava sempre arrumando um jeito de
ofendê-las, Sophia não conseguia mais ficar quieta, fingindo que não tinha
ouvido. Mas, será mesmo que Sophia estava certa?
– Mãe? – Apreensivamente essa foi a única palavra que o cérebro de
Sophia encontrou.
– Sim? – Ana respondeu seriamente, sem retirar os olhos da TV.
– Você disse que eu poderia contar tudo a você, né? – Sophia disse
essas palavras da mesma forma que uma criança tenta conseguir um doce da mãe,
após aprontar, com os olhinhos pequenos e cautelosos, e a vozinha mais mansa
que existe.
As palavras foram suficientes para chamarem a atenção da mãe, não
foi a vozinha doce, ou os olhinhos quase lacrimejados, mas sim, a imensa
vontade e saudade que Ana tinha de ter conversas com a filha, em que ambas não
brigassem.
– Claro que sim. Está acontecendo alguma coisa?
– É que… Mãe, eu estou gostando de um garoto e ele também está
interessado em mim. – As palavras pareciam ter fugido de Sophia, ela
contou isso a mãe, sem arquitetar nada, todo o tempo que ela gastou pensando
foi em você, pois como é típico dela, as ficar nervosa, ela perde total
controle do que diz.
– Interessante. – Ana não sabia o que dizer, pois foi pega de
repente pela notícia e Sophia nem conseguiu explicar direito. – Você pode me
contar com mais calma? Tranquilamente?
– O nome dele é Pedro, ele é o melhor amigo do namorado da Carol,
nós nos conhecemos na praia, e começamos a conversar, ele disse que gosta de mim,
e eu também gosto dele… –Sophia sussurrou as informações.
– E ele quer namorar você em casa?
– Acho que sim, nós ainda não conversamos a respeito disso. – Sophia
tentou ser mais calma.
– Fico feliz por você vir me contar, antes de sair decidindo as
coisas. Nós somos amigas e você não precisa ter medo de me contar nada, ok?
Sophia sorriu, sabendo o quanto a mãe tinha ficado feliz por
ela ter se aberto, mas sabendo que deveria contar o resto, sabendo que deveria
falar que eles já estavam ficando, que ele não era evangélico, e que ela não
era a primeira a saber.
– Que tal você trazer ele aqui para um jantar? Vou conversar com
seu pai e acredito que não haverá problemas em conhecer o rapaz. – Ana
animada deu essa proposta a Sophia, que não pensou em contar mais, iria
combinar com a mãe e chamar Pedro.
Sophia tinha certeza que se Pedro viesse para um jantar, ele
iria se comportar e acabar conquistando a confiança dos seus pais, sabendo que
ele era um bom rapaz, não ser religioso seria o de menos.
Ana marcou que iria preparar o jantar para a noite de sexta,
e iria conversar com Gustavo ainda naquela noite.
 
Sophia cancelou o encontro com Pedro, e falou com ele por
telefone mesmo. Dizendo que os pais queriam conhecê-lo, iriam preparar um
jantar na sexta-feira a noite, Pedro assentiu e disse que iria estar presente.
Ela estava em plena quarta-feira, e a semana não quis passar
de jeito nenhum.
 
Depois que o Gustavo soube que um rapaz estava interessado
em sua filha, ele não parou de implicar com ela.
– Meu bebê vai namorar! Meu bebê vai namorar! Pode isso? – Dizia
o pai da garota, sempre muito brincalhão, ela simplesmente não dizia nada,
esperando que aquela alegria toda continuasse depois de conhecê-lo.
A sexta-feira chegou, demoradamente, mas chegou. Às 19:30 daquela
noite, Pedro tocou a companhia da casa de Sophia, e quem veio recebê-lo foi o
pai, Gustavo.
 – Boa noite rapaz. –
Disse Gustavo, tentando passar um ar sério.
– Boa noite, senhor. – Pedro era o tipo de garoto que não namorava
em casa, e nunca tinha ido a um jantar para ser conhecido pelos pais da garota.
Elas geralmente não ligavam pra isso, e acabavam o apresentando como um amigo,
em um dia qualquer.
– Pode entrar. Sophia já vai descer.
– Tá bom. Licença.
Alguns minutos em silêncio se passaram, até que finalmente Sophia
desceu as escadas.
Ela estava usando um vestidinho florido, que moldava muito bem a
cintura. Seus belos cabelos cacheados pendiam pelos ombros e costas, combinado
com os olhos cor de mel. Ela estava sorrindo, e de longe dava para perceber que
ela corava. Assim como ele, Sophia estava um pouco envergonhada.
– Boa noite, Pedro! – Sophia exclamou, sendo um pouquinho
receosa.
– Ei, Sophia. Boa Noite. – Enquanto dizia, Pedro se
aproximou e beijou a moça na bochecha, controlando a vontade de beijá-la nos
lábios. Entregou a ela um lindo buquê de rosas vermelhas e ganhando assim, mais
espaço no coração da moça.
– Obrigada. – Ela disse e imediatamente corou ainda mais, deixando
suas covinhas a mostra.
Pedro sorriu, enquanto via Sophia sumir da sala levando as rosas
consigo.
– E então, Pedro, o que você faz? – Perguntou Gustavo.
– Eu faço faculdade de educação física, e dou uma ajuda a meu pai
na empresa dele. – Pedro disse todo apreensivo.
– Sei, sei. Você é evangélico, católico? Segue alguma igreja?
– Eu não vou muito a igreja, os meus pais não são muito
religiosos, então meus irmãos e eu, acabamos não frequentando.
– Ah, sim. E você não tem vontade de ir? Conhecer?
– Eu já fui em algumas, mas não gostei de nenhuma. Acho que
eu ainda não encontrei um lugar que consiga prender minha atenção.
– Entendo, mas você foi só em algumas ou em várias? Tem muitas
opções por ai, mas se você não se esforçar um pouquinho não vai gostar de
nenhuma… – Gustavo, falou totalmente sério, naquele momento sentiu que
aquele não era o garoto para Sophia, não só por ele não ter uma vida espiritual,
mas ele sentiu lá no seu coração, uma voz dizendo NÃO.
O resto da noite passou assim, Gustavo continuou
interrogando Pedro, sem criticar o rapaz, apenas perguntou tudo que queria
saber, tirou todas as suas dúvidas, e disse a si mesmo, que assim que o rapaz
se fosse, ele teria uma conversa definitiva com a filha.
 
 
A hora de Pedro chegou e ele se despediu de Gustavo e Ana,
Sophia o acompanhou até a porta.
– Você acha que seus pais gostaram de mim? – Perguntou
Pedro todo preocupado.
– Claro que sim, não há motivos para não gostar. –Sophia
disse, enquanto segurava a mão do rapaz. – Você se saiu muito bem.
Pedro se aproximou e delicadamente beijou Sophia, depois se
despediu e ela continuou na varando de casa, contemplando o lindo manto de
estrelas que cobria o céu. Ao entrar em casa, a paz que sentia pela noite foi
se esvaindo, ao olhar para o pai, já sabia o decreto.
– Ele não, Sophia. – O pai disse, e se sentou de braços cruzados.
– Por quê? – Sophia perguntou já indignada, mas sem
levantar a voz.
– Primeiro, o Pedro não é cristão, não tem a mesma base religiosa
que você, na verdade ele não tem nenhuma. Como você vai viver um relacionamento
com alguém que não pensa nem um pouquinho parecido com você?
– Mas pai… – Sophia tentou dizer, mas o pai logo continuou.
– Eu ainda não terminei de falar, querida. Segundo, já percebi que
ele não é rapaz pra você. É só olhar pra ele. Pelo que pude perceber, a
faculdade é apenas para ocupar tempo, não tem visão de futuro nenhum. Quando perguntei
a ele sobre o maior sonho dele, você sabe o que ele me disse? Que o que ele
mais tem vontade de fazer é viajar pelo mundo, viver uma vida sem script,
vivendo um dia de cada vez. É uma linda ideia para um livro, mas muito
diferente na vida real.   
“Não é isso que você quer, é? Você sempre sonhou em cursar
uma faculdade, em ser uma mulher prospera, uma mulher sábia. Como você vai ficar
aqui, fazendo a sua vida, fazendo as vontades do seu Deus, enquanto seu
namorado roda o mundo? Filha, eu acredito que será um sofrimento e não quero
ver você sofrendo.”
– Pai, não é assim, agora ele sonha com isso, mas as pessoas
mudam, ele é apenas um jovem, jovens mudam de ideia o tempo todo. Eu mesma mudo
de ideia toda hora, você mudou de ideia toda hora… E ele pode muito bem
aceitar a Cristo, se ele for comigo para igreja posso ajudar a mudar a vida
dele. – Sophia disse mantendo a calma, mas sua vontade era de chorar.
– Filha, você não irá converter ninguém, não somos nós que
convertemos, mas sim o Espírito Santo. Se envolver com um julgo desigual é
sofrimento, é perda de tempo, é abrir mão das bênçãos do Senhor. – Ana
tentou explicar a filha, calmamente.
– Sophia, você não tem nosso consentimento. Aproveita agora, que
vocês ainda não se envolveram emocionalmente, e corta esse mal. Sejam amigos, e
se ele realmente quiser conhecer o seu Deus, o chame para caminhar com você
para a igreja. A vida dele pode mudar, a mente dele pode mudar… Mas agora é
buscar sofrimento.
Sophia ouviu o que o pai e a mãe disseram, depois subiu para o
quarto. Ao fechar a porta, se jogou na cama e deixou que as lágrimas rolassem
sem fim.
No silêncio daquela noite, Sophia olhou
novamente para o céu e pediu.
– Senhor, por favor, se podes me ouvir, permita que os meus pais
aceitem o meu namoro com o Pedro, por favor, por favor… – Entre as
lágrimas ela sussurrou.
 
 
Sophia chorou até pegar no sono na noite passada e até então não tinha pensado na ideia de desrespeitar a ordem dos pais, até conversar com as amigas no dia seguinte. Na tarde daquele sábado, as amigas se encontraram na casa de Bella. 
– O que está acontecendo, Sof? – Perguntou Bella, toda preocupada com a amiga.
– Meus pais não me deixaram namorar com o Pedro. – Sophia disse toda tristinha.   
– Você não precisa ficar triste amiga, tudo tem sempre um jeito. – Carol, sempre conseguia o que desejava, e não foi dessa vez que ela se calou. 
– Dar um jeitinho? Como, Carol? – Sophia ouvia atentamente, com os olhinhos cor de mel brilhando.
– Você não precisa da permissão dos seus pais, fala sério. Todo mundo namora escondido, é muito melhor, foi tudo muito divertido até agora né? Eu nem entendo por que você foi contar pra eles agora, estava tudo indo muito bem…
– Mas, eu tinha que contar… – Carol foi logo continuando a conversa, interrompendo Sophia. 
– O Lucas e eu namoramos escondido por muito tempo, foi bem mais divertido que agora. Não era nada monótono, tinha sempre uma novidade. 
– Eu não posso fazer isso… Vou estar mentindo pra eles, não vou conseguir. 
– Larga de ser careta e chata. Você vai conseguir sim. Agindo desse jeito você vai finalmente ser uma adolescente normal. – Carol disse, enquanto Paula e Bella concordavam. 
– Nós podemos ser suas cúpidas. Estaremos aqui com você, para te ajudar no que for preciso. – Disse Paula toda sorridente. 
– Não sei, não… – Sophia pensou, pensou, pensou. A maior parte dela ansiava por fazer algo diferente. Ela queria viver, conhecer coisas novas, e não iria mentir por muito tempo, logo com certeza os pais entenderiam que ela precisava namorar o Pedro e ela não precisaria mentir mais. Porém, outra parte dela dizia que não, a mesma parte que levou ela a dormir na noite passada.
Essa parte sou eu, alguém que vem tentando cuidar de Sophia. 
 
Por: Thaís Oliveira / Princesas Adoradoras.
# Oi Princesas, espero que vocês tenham curtido o segundo capítulo. Espero pela opinião de vocês *-*
Deus as abençoe! E uma excelente tarde 😀
Beijos da Thaís ;**
Escrito por: Thaís

Você também vai gostar

    Além da tempestade, há um céu azul
    O que fazer enquanto você espera?

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

4 Comments

receba as novidades


Inscreva-se no formulário ao lado e receba conteúdos exclusivos em seu e-mail.
 
 

Acompanhe os vídeos no youtube


desenvolvido por QRNO