27 de Fevereiro de 2013

Capítulo 3



Há muito tempo venho observando Sophia, antes mesmo de ela ser
concebida por Ana. Fui ordenada para estar presente na vida dela, protegendo,
evitando o mal. Até os sete anos de idade o meu trabalho era fácil, mesmo que
uma criança tenha lá suas teimosias, é muito mais fácil de cuidar do que uma
adolescente.
Pense comigo. Imagina um ser humano que muda de decisões a cada
cinco minutos, se olha no espelho e nunca está com o cabelo do jeito que quer,
um guarda-roupa inteiro muito bem recheado nunca tem o que ela quer, a
maquiagem sempre tem um erro, e quando surge uma espinha parece que o mundo vai
acabar.
Por isso os anjos sempre preferem quando eles ainda são crianças.
Nós nunca estamos preparados para as crises de TPM, para as decepções vividas e
pela constante mudança de humor.
No fim é até engraçado, mas o que mais chama a atenção e nos marca
é quando eles decidem viver para o Mestre, quando eles decidem mudar a
história, deixando o lápis nas mãos do Criador da Vida.
Eu sou a Ester, a anjinha que cuida de Sophia, ela é a minha
primeira missão e tem me dado mais trabalho do que imaginei que poderia dar…
Ela era tão obediente, sempre fazia suas orações, dobrava os
joelhos ao amanhecer e anoitecer, conversava com o Mestre durante todo o dia,
estava sempre estudando a palavra. Até ela começar a fazer escolhas erradas,
confiar nas pessoas erradas.
Fiquei aqui me apresentando a você e estou esquecendo que preciso fazê-la
desistir daquela ideia maluca.
– Sophia, você precisa começar a viver, você vai ver, se
continuar assim daqui a uns 10 anos vai se arrepender por não ter se divertido.
Tem que beijar mesmo, sair, se divertir! Depois você vai pra igreja, garota!! –
Carol exclamou, sendo como sempre a errada. Coitado do anjo daquela garota está
sempre com os cachinhos em pé.
– É mesmo, amiga, você tem que viver. Não é nada demais
você ficar com o Pedro. Feio seria se você estivesse com um a cada dia. Não
vejo nada demais nisso. – Bella falou calmamente, como se realmente não
houvesse problemas.
Chegou a minha vez de argumentar. Me aproximo de Sophia, e
sussurro em seu ouvido.
“Não, Estrela, está errado. Você não pode mentir para os
seus pais, você não pode namorar escondido, ele não é o escolhido de Deus para
você.”
Sinto minhas palavras chegando ao coração de Sophia, vejo
sua reação, sei que ela entendeu o meu recado. Infelizmente ela o ignorou,
optando por escutar as “amigas”.
– Talvez não seja uma ideia tão ruim. Mas não quero
namorar escondido, será apenas provisório até meus pais aceitarem.
 Sophia realmente
acreditou que esse é um bom argumento? Sério, Sophia? Você quer que eu perca
meus cachinhos? Viu, é por isso que não entendo um adolescente humano, ela sabe
que não é essa decisão que deve tomar, mas mesmo assim a escolhe.
Tento mais uma vez.
“Sophia, não, essa escolha não. Lembra de Moisés, ele
esperou no Senhor e alcançou as promessas. Lembra que você não pode namorar
qualquer um? Lembra que ele é julgo desigual?”
Sophia balançou a cabeça negativamente, ignorando os
efeitos de tudo o que eu disse e decidindo que aceitaria a ideia das amigas.
– É, preciso conversar com o Pedro.
    Antes de Sophia ir para casa, ela combinou de
encontrar Pedro em um café que tinha próximo a casa de Carol. Observei ela
andando pelas ruas daquele bairro, metade dela estava feliz, fazendo com que
ela acreditasse que a decisão que tinha tomado era a melhor do mundo. A metade
da garota de fé que nela existia estava triste, pois ela não havia ouvido o que
eu tinha dito, não havia questionado com a sua própria consciência, não havia
olhado para a situação com os olhos da fé.
Eu estou muito triste, se pudesse chorar, lágrimas
estariam rolando pelos meus olhos agora, mas não posso e nem devo ficar triste,
tenho que continuar tentando, preciso tirar essa ideia da mente dela, com amor,
delicadeza e sabedoria, do jeitinho que o Mestre  diz.
“Sophia, você tem certeza dessa decisão? É isso mesmo que você
quer? Vai dar um passo tão importante da sua vida, sem nem ao menos ter
consultado o seu Deus?”
Sophia ignorou o peso que ela sentiu no coração naquele instante e
entrou na cafeteria. Ao cruzar a porta do estabelecimento, viu Pedro sentado
numa mesinha bem lá no fundo, ela apressou o passo e chegou em frente a mesa.
Ela se sentou e ele imediatamente segurou as mãos da moça.
– E então, o que você tem a me dizer? – Pedro disse,
enquanto sorria. Naquele momento, olhando para aquele sorriso na sua frente,
Sophia esqueceu todas as duvidas, tinha certeza da sua decisão.  
– Bom… Nós não podemos namorar em casa, na verdade de
nenhuma forma que meus pais venham a saber. – Sophia disse, tentado não
gaguejar e encontrar as palavras certas, reconheci de imediato o quanto a
dificuldade de dizer aquilo era grande para ela, não havia sido daquela forma
que ela imaginara começar seu namoro.
– Você está dizendo que nós vamos ter que namorar
escondido? – Pedro perguntou, sem encontrar dificuldade alguma para dizer
aquilo. Ele nunca precisou de consentimento algum pra começar um namoro.
Sophia apenas consentiu, enquanto um sorriso enorme surgia
nos lábios de Pedro.
– Por mim, tudo bem. – Ele apertou a mão dela e sorriu,
ela assentiu com um aceno e eles começaram uma conversa mais tranquila.
Sophia chorou na noite passada, chorou até pegar no sono.
Eu vi ela juntar as mãos e pedir ao Senhor que ajudasse o relacionamento  dela com Pedro, mas em momento algum ela
perguntou para Ele se o namoro seria algo bom. Sophia simplesmente O entregou o
problema, sem cogitar se o Mestre estaria feliz com esse plano.
Todo humano já fez isso uma vez, já arquitetou um plano e fez
uma breve oração, imaginando que assim Deus estaria participando daquele
projeto, mas não é dessa forma que deve acontecer, o Mestre tem que estar no
plano muito antes de você sonhar com ele, muito antes de você deseja-lo.
Deus entregou a cada um de vocês um plano de vida
abençoado, onde sempre haverá bênçãos os esperando. Ele não disse que a
caminhada seria fácil, mas que a recompensa seria maravilhosa.
Quando Sophia decidiu namorar Pedro, ela foi contraditória
com tudo aquilo que preenchia o coração dela. Ela não se importou em estar
abrindo mão dos seus valores, daquilo que ela acreditava. O mundo sussurrava que
ela tinha que embarcar naquele barco da diversão, enquanto o Mestre me mandava
dizer que ela não podia entrar nele, pois de diversão o barco só tinha a cara.
Contudo, mesmo sabendo da verdade, mesmo ouvindo tudo o
que eu dizia, o mundo conseguiu corromper o conhecimento de Sophia, e naquele
momento que ela aceitou namorar Pedro escondido, para ela podia não parecer
nada, mas uma imensa porta de infrações foi aberta na vida dela.
Durante as semanas seguintes, Sophia dizia todos os
dias a si mesma.
“Eu não vou mudar. Eu serei a mesma Sophia de sempre.
Diferente dessas meninas que mudam só porque estão namorando eu não vou mudar. Não,
não vou.”
Porém, rapidamente as coisas começaram a ficar
diferentes, ela começou a querer ir pelo menos umas 4 vezes por semana na casa
das amigas, sempre no finzinho da tarde, assim ela e Pedro poderiam se encontrar.
Disse para a mãe que ela e as amigas estavam fazendo grupo de estudo para
ajudar na escola, e com isso ela acabou faltando demais os ensaios do grupo de
teatro da Igreja.
Logo agora que ela iria interpretar Ester, era uma
grande oportunidade para aprender mais sobre a história da minha chará, poderia
desenvolver mais o talento que o Mestre deu para ela…
É triste vê-la abrindo mão das coisas do Senhor, Ele fez tanto por ela, e na
primeira oportunidade ela começa a esquecê-Lo.
E na grande maioria das vezes é assim que acontece,
pelo menos foi isso que eu vi muitos humanos fazerem, abrindo mãos das
promessas do Mestre pelas ilusões deste mundo. Infelizmente esses só aprendem
na dor. 
# Boa Noite Princesas *-*
Este capítulo ficou pequenininho, tive uma semana muito corrida e acabou não dando para escrever muito. Para compensar, vou tentar postar mais um capítulo neste fim de semana. 
Espero que vocês gostem desta parte da história.
Comentem, adoro saber a opinião de vocês, ajuda a história ficar boa :))
Deus as abençoe !       
Escrito por: Thaís

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