16 de Abril de 2015
Em uma tarde ensolarada no jardim de infância lembro de estar brincando com uma amiguinha na gangorra, toda vez que ela ficava no chão enquanto minhas pernas magricelas ficavam suspensas, eu fechava os olhos e me imaginava voando… O meu segredo sempre foi este: mesmo cercada de gente sempre dei um jeitinho de ficar sozinha, perdida dentro da minha imaginação. Mas este não foi o único acontecimento daquela tarde, como toda criança nós cansamos da gangorra e decidimos ir para outro brinquedo, o combinado foi que eu descesse primeiro e a Bia depois.
Só que a Bia não soube esperar, não dá pra exigir isso de uma garotinha de 5 anos que está louca para ir para o balanço! Antes que eu estivesse longe o suficiente da gangorra, a Bia desceu e o que aconteceu? A minha parte da gangorra subiu e a madeira onde estivera sentada instantes atrás bateu com tudo na minha garganta. Depois disso lembro de estar no banheiro da nossa sala com a professora, ela tentava limpar o sangue da minha boca e do meu uniforme, e ao mesmo tempo cochichava palavras de carinho para que eu ficasse tranquila. É a este ponto que queria chegar, quando se é criança um carinho basta, um abraço de mãe é suficiente para acalentar toda dor, um algodão doce tem o poder de curar machucados e um sorvete cessa lágrimas! Mas quando a gente cresce o que acontece?
Não sei você, mas nunca soube lidar com os meus problemas, sempre fui uma ótima psicóloga para os amigos, mas péssima comigo mesma. Se alguém brigasse comigo, eu não gritava nem me estressava com a pessoa, apenas revia minhas atitudes, pedia perdão se tivesse errado e seguia em frente. Acostumei a engolir sapos e a fingir que não ouvia uma porção de coisas. Ignorei sentimentos e sensações, e busquei ao máximo ficar bem comigo mesma… Mas tem uma hora que não dá mais, não dá pra ficar guardando, não dá pra fingir que não ouviu, nem pra deixar de dizer o que seu coração precisa tanto dizer, talvez você me ache medrosa, não sei, mas a única solução para acalmar a tempestade que acontecia aqui dentro foi escrevendo.
Comecei a escrever tudo aquilo que deveria ter dito, mas não disse, e veja só, ninguém se machucou, e acabei descobrindo que quando o lápis parava eu já estava bem melhor! Contei ao papel todos aqueles sonhos e desejos que não tinha coragem de contar a ninguém, desabafei sobre situações que me faziam chorar como uma menininha e voltei a ter esperanças a cada novo parágrafo. Escrevi verdades e mentiras, visitei lugares, criei personagens, contei histórias. Fui eu no meu mundo.
E quanto mais escrevo mais percebo as poesias que andam espalhadas por aí: uma flor que brotou entre pisos de concreto, um pôr do sol entre as árvores, uma chuva ao fim da tarde… A escrita me tornou alguém sensível e sonhadora, alguém que anda com bloquinhos na bolsa e que anota a doçura de um idoso ao ver que um jovem lhe cedeu um lugar para sentar no ônibus lotado. Gosto de ter um olhar diferente sobre a vida, gosto de analisar e poetizar as pequenas coisas. Amo contar o que vi, ouvi e principalmente senti. Escrevo porque sinto necessidade de viver além do que a realidade me oferece. Porque encontro poesia nos pequenos detalhes da vida. E porque quero eternizar tudo o que encontrei de bom. 
***
Este texto faz parte do Projeto Literário 16 on 16, onde 16 blogueiros, todo dia 16 produzem um texto sobre um tema selecionado. O tema deste mês foi: “Eu escrevo porque…” Confira os textos dos demais participantes!
Escrito por: Thaís Oliveira

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