16 de Junho de 2015
Maria sempre foi uma garotinha muito curiosa, dessas que não gostava de ficar apenas sentada brincando com as bonecas, ela queria explorar o que tinha lá fora, queria andar na mata que tinha perto da casa da vó, perguntar o tempo todo “o que é isso? E o que é aquilo, mamãe?” e compreender o mundo a sua volta. Mesmo depois de crescer e descobrir muita coisa que deixava o mundo mais preto e branco do que colorido, Maria continuou curiosa e cada vez mais corajosa.
Um dia, depois do jantar, uma borboleta passou pela mesa e pousou na luz da varanda. Maria, curiosa como sempre, se encantou pela borboletinha de asas amarelas e quis porque quis ter a mesma em mãos. Ela levantou da cadeira, subiu na mesa e ficou parada próxima a lâmpada, esperando que a borboleta descobrisse que o braço branquelo daquela moça sorridente era um bom lugar para pousar. Depois de voar pra cá e pra lá, enquanto Maria ria e pedia baixinho que a borboleta viesse pra ela, as perninhas finas tocaram o braço da moça e se ajeitaram após um pouso delicado.
Não se contentando Maria pegou a borboleta com a outra mão, e enquanto a borboleta se debatia, com todas as forças, a moça descobriu que era muito parecida com aquele serzinho da natureza. Maria estava no mesmo hall de pessoas que não gostavam de ser presas, que não suportam ter suas asas sendo impedidas de voar. Maria soltou a borboleta em sua mão e deixou que a mesma fizesse o que quisesse por ali, e ela ficou quietinha por um bom tempo, dando tempo ao tempo para que Maria tirasse suas próprias conclusões.
No dia seguinte, Maria foi embora, deixando para traz todo o universo de pessoas e coisas que a mantinham presa. Com seu par de All Star preto, seu jeans surrado favorito e uma grossa blusa de moletom, Maria saiu com uma
malinha cheia de coisas que amava e com o coração aberto para receber tudo aquilo que o mundo ainda tinha de bom.
Deixou na mesa da cozinha um bilhete, talvez a dona borboleta soubesse ler e ficasse feliz com a decisão da moça:
 
“Estou indo embora, resolvi deixar tudo que me impede de
voar para traz. Fui ser feliz!” 
 
***
Este texto faz parte do Projeto Literário 16 on 16, onde 16 blogueiros, todo dia 16 produzem um texto sobre um tema selecionado. O tema deste mês foi: “Antes de ir embora eu preciso dizer que…” Confira os textos dos demais participantes!
Escrito por: Thaís Oliveira

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