7 de Janeiro de 2019
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Querido 07 de janeiro,
Hoje uma certa moça acordou diferente. A luz do sol adentrou a cortina logo cedo e aos primeiros raios, ela pulou da cama. Não tinha necessidade alguma de acordar cedo hoje, mas ela quis mesmo assim. Foi para a cozinha preparar o café e enquanto a água fervia na velha chaleira da avó, a moça sentou na varanda com um livro no colo. Não conseguia parar de ler. Ficara a maior parte da noite acordada sobre aquele romance, devorando cada página, jurando que aquela seria a última e ficando cada vez mais feliz consigo mesma ao quebrar cada promessa. Leu até que seus olhos ficaram pesados demais e ela caiu no sono.Enquanto percorria as páginas, concluindo mais um capítulo e chegando ao fim de mais uma aventura, a moça se sentiu grata por aquele momento. Grata por um dia ter sido apresentada ao mundo da literatura.

Foi na infância, nas tardes chuvosas em que não podia correr pela rua com as outras crianças do bairro que a mãe a apresentou ao universo literário. Aquelas páginas coloridas, com pequenos textos nos cantinhos da página, tomavam toda a sua atenção, e enquanto a chuva caía lá fora e os galhos batiam na janela, ela se tornava uma princesa, uma ladra de ricos que ajudava os pobres, uma heroína ou até uma vilã.

À medida em que crescia os livros foram ficando maiores e as figuras bem menores. Ela leu romances, suspenses, ficções científicas, livros espirituais e religiosos, biografias, livros acadêmicos. E quanto mais ela lia, mais se apaixonava por aquele universo!

Ela não se lembrou que aquele era o seu dia! Um dia inteirinho dedicado a ela. Dedicado a essa moça que já acorda procurando um livro. Dedicado a essa moça que cresceu em uma casa cheia de dificuldades, mas que a mãe lutou para nunca faltar um daqueles relicários cheios de páginas amareladas e aventuras. Desde pequena ela encontrou conforto nas páginas amarelas, mergulhando em cada história como se ela mesma fosse um dos personagens e, muitas das vezes encontrando inspiração e força para lidar com seus próprios problemas. 
Hoje é o dia dessa moça que escolheu os livros, ou que talvez tenha sido escolhida por eles. Hoje é dia de todos aqueles que sempre carregam páginas amarelas na bolsa, que lutam todas as manhãs para decidir qual dos muitos livros que tem na estante carregar na mochila. Hoje é um dia dedicado aqueles seres humanos que ao entrar em um shopping vão correndo para uma livraria. É dia dos ratinhos de sebo, que sabem encontrar pérolas em meio a poeira e pechinchar como ninguém. Que sorte a deles!Dia sete, queria te confidenciar que apesar de você ser dedicado a eles, eles são gratos mesmo aos livros. São gratos pela companhia nas noites solitárias e por entretê-los em festas tediosas. São gratos pelo tempo compartilhado à espera do ônibus ou trem! Eles são gratos por todas as vezes em que os livros o ajudaram a fugir da realidade dura da vida, ao embarcá-los em aventuras de fazer a barriga doer de nervoso, de fazê-los chorar com seus dramas e sorrir com os finais felizes. São gratos por todo conhecimento que essas páginas amareladas comportam e por compartilhá-los com eles.  

O dia é dos leitores, mas a gratidão é dedicada a eles: obrigada, livros!
Escrito por: Thaís

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