25 de Janeiro de 2015

Oi moçada linda! Como combinado no domingo passado, a fanfic Uma aventura à dois, será atualizada todo domingo (pulos de alegria pra quem ainda não sabia haha). Como uma garota eficiente que está aproveitando as férias para colocar suas responsabilidades em dia, aqui vai mais um capítulo (sem atrasos!). Espero que vocês gostem e não deixem de me contar o que estão pensando da história, viu? É muito importante receber um retorno de vocês! E muito obrigada a todas aquelas que tem deixado palavras incentivadoras, de cobrança rs e de amor, dá um gás maior pra trabalhar e conforta o meu coração. Dedico à vocês meninas! 

“Ariel tem 17 anos, está terminando o 3º do ensino médio, é cristã, cresceu dentro da igreja, mas jamais deixou que Deus crescesse dentro do coração, ela passa a maior parte do tempo sentada em frente ao mar sonhando com o dia que começará a viver aventuras de verdade. Hospitais, escritórios, salas de aula, tudo parece muito pequeno para esta menina que sonha em conhecer o mundo, mas tudo a sua volta pode mudar mais cedo do que ela imagina. Com a chegada de dois vizinhos, Felipe e Mateus, Ariel descobrirá dois mundos totalmente diferentes e ambos mudarão sua vida para sempre.” 

Capítulo 6

Os pais
demoraram chegar, já estava tão tarde e as gêmeas tão cansadas que não foram à
igreja, apenas prepararam um jantar e assistiram mais um filme infantil
enquanto as meninas ainda estavam acordadas. Os pais se orgulharam de terem
encontrado a filha mais velha estudando na escrivaninha, ela era uma moça muito
exemplar e eles tinham sorte. Foi o que disseram pra ela, enquanto ela mentia
dizendo que não conseguiu sair do quarto o dia todo, porque estava focada
demais nos estudos.

Os pais
insistiram para que ela saísse do quarto, mas ela apenas jantou e subiu
correndo de novo. Eles disseram que ela precisava deixar os cadernos um pouco,
talvez assistir um daqueles seriados que tanto gosta ou apenas ver TV por
alguns minutos, apenas para distrair. Ariel disse que preferia ver o mar e
desceu para a praia com o consentimento dos pais:

– Não
demore, querida. – disse a mãe.

– E nem
vá muito longe. Fique em frente a nossa casa. – o pai disse enquanto se
preparava para subir as escadas.

– Leve o
celular. Nós vamos nos deitar, mas qualquer coisa você pode nos ligar. – a mãe
que estava na frente do pai já estava subindo os degraus da velha escada de
madeira.

– Calma
gente! Tô indo pra frente da nossa casa. – Ariel disse rindo.

– Nunca
se sabe. – disse o pai.

Assim
que Ariel saiu pela porta da cozinha, as luzes da casa foram apagadas e ela
mandou uma mensagem pra Felipe dizendo que estava livre. Como o quarto dos pais
era de frente para a rua e não para a praia, eles provavelmente não os veriam,
mas em todo caso Ariel arrastou a velha cadeira de madeira para a areia, que
impediria os pais de vê-la, mas assim eles saberiam que ela estaria nela, caso
a procurassem. Já era um costume da garota.

O jardim
da casa de Ariel era todo fechado por uma cerca de madeira e foi logo atrás dela
que Felipe e a namorada se sentaram. Ali não seriam vistos nem incomodados. Enquanto
estava nos braços de Felipe sendo beijada e ouvindo palavras de carinho
sussurradas, Ariel não se lembrou do que Mateus dissera mais cedo, a sensação
de estar fazendo algo errado parecia muito mais saborosa do que ficar em casa
fazendo a coisa certa ou esperando pela oportunidade de fazê-la.

A hora
passou voando e Ariel só teve noção disso quando sentiu o celular vibrar ao seu
lado. Era uma mensagem do pai pedindo que ela subisse porque já estava tarde.
Foi só ai que ela percebeu o que estava quase fazendo, eles começaram a se
beijar sentados, mas agora Ariel já estava deitada e Felipe por cima dela.
Durante minutos ou segundos, Ariel não tinha certeza, as mãos dele correram
pela cintura dela como um namorado não poderia fazer, ele estava agindo como um
homem que deseja uma mulher. Ela acabava de ser salva pelo pai, se ele não
tivesse mandado mensagem justamente agora, algo que ela se arrependeria depois,
provavelmente estaria acontecendo neste momento.      

Ela
começou a se levantar, mas Felipe a pressionou para continuar deitada.

– Tenho
que ir, Felipe! Meu pai já mandou mensagem, se demorar a entrar ele vai vir
aqui fora ver o que está acontecendo. – Ariel sussurrou.

– Vai
nada. Só mais cinco minutinhos, vai. – ele fez carinha de triste e quase
convenceu Ariel. Ele se aproximou rapidamente e a beijou mais uma vez.

– Mais
nenhum minuto, senhor Felipe. Se meu pai pega a gente aqui, acaba tudo! – ela o
empurrou e se levantou. Viu que o pai não estava na varanda e correu para casa.

Antes de
deitar viu uma mensagem de Felipe que acabara de chegar:

“Você
estava ainda mais linda hoje. Que tal termos o mesmo encontro amanha? Não
consigo parar de pensar em você!”

Naquela
noite Ariel foi dormir decidida a não ter mais nenhum encontro semelhante ao
desta noite. Ela não queria cometer o erro de se entregar totalmente para ele.
Sabia que isso não teria mais volta. E o que poderia acontecer se o pai
descobrisse? E no fundo ainda era uma menininha, ainda.

***

Ariel
não acordou tão decidida como estava quando fora dormir, talvez ela pudesse se
controlar e controlar a Felipe, ou talvez fosse melhor não se verem novamente
tão a sós assim… A melhor maneira de ignorar o assunto era sair logo para a
escola e fingir que não estava acontecendo nada, e na arte de fingir Ariel
estava ficando muito boa.

Eram
apenas 6:10 da manhã e Ariel já estava no centro de Valadares, sentada na van
que a levaria para a escola. Ariel estudava numa cidade vizinha que ficava
aproximadamente a uns 45 minutos de casa, era uma cidade bem maior que a sua,
talvez dez vezes maior, mas não tão grande como São Pedro. Em Esperança havia
uma grande escola particular, tradicional e muito bem equipada, que Richard fez
questão de avaliar e ver se realmente educaria a filha.

Ariel
estava lá desde o jardim de infância e estava bem acostumada com todos os
colegas de turma, eram mais como amigos de infância, embora ela não conseguisse
se abrir inteiramente com eles. Conversava, se divertia, marcava encontros no
cinema com algumas colegas, mas não podia chamá-los de amigos, não conseguia
confiar inteiramente em nenhum deles.

Camila e
Gabriel eram seus amigos mais chegados, mas eles não estudavam na mesma escola
que ela, eles estudavam em uma escola pública de Valadares e só se conheciam
porque frequentavam a mesma igreja. E Pedro, Ariel sempre confiou demais nele,
mas ele foi embora e nunca mais dera sinal de vida. Ariel não queria mais
perder nenhum melhor amigo, e para manter-se assim o único remédio era não
fazer mais nenhum amigo.

Aquele
foi mais um dia cansativo na escola, ela estudou, estudou e estudou. Durante o
recreio tentou ignorar as mensagens de Felipe, ele continuava perguntando se ela
queria encontrá-lo essa noite, e embora tivesse acordado indecisa, agora já
voltava a pensar que não era uma boa ideia. A
Ariel de antes não faria isso.
Talvez Mateus tivesse razão, ela estava
mudando. Mas como ele sabia disso?
Ele não a conhecera antes.

Durante
todo o percurso para casa Ariel foi pensando em uma resposta para dar a Felipe.

“Tinha que ter estudado mais neste fim de semana. Fiquei atrasada
com alguns conteúdos, preciso aproveitar essa noite pra estudar.” Ele iria rir disso.

“Meus pais vão sair esta noite e vou ter que cuidar das gêmeas.
Eles não tem hora pra voltar. Não vou poder sair de casa.” Ele provavelmente veria nisso
uma ótima oportunidade pra ir escondido até a casa dela.

“Por que não posso apenas dizer
não? Nunca tive medo de dizer não antes…”
Mas no fundo ela também queria vê-lo, seu coração
procurava por ele e já tinha se acostumado com a companhia dele.
Antes
que percebesse já estava de volta ao centro de Valadares e desceu da van. Assim
que pisou na calçada da cidadezinha notou que Camila estava sentada no ponto de
ônibus, com dois copos de isopor nas mãos.

Café. E um pedido. Ariel concluiu.

– Oi
amiga! – Camila disse se levantando e entregando um copo a Ariel.

– Oi,
Camila. Em que posso ajudá-la, hoje? – Ariel bebericou o café. Estava quente.

– Nossa!
Sou tão interesseira assim? – Camila fez biquinho, o dela tremia como de uma
criança de 5 anos que está prestes a chorar.

– Não,
você é transparente. – Ariel começou a caminhar em direção a praça, queria se
sentar no  gazebo que ficava bem no
centro da cidadezinha.

– Ok.
Vou fingir que isso não foi mais uma crítica. Minha mãe quer porque quer que eu
vá na igreja hoje à noite. Anunciaram no culto de ontem que hoje teria um culto
de jovens, e imagina!? justamente ontem minha mãe resolveu aparecer na igreja!
Ela acha que Deus vai estalar os dedos e resolver todos os problemas dela e do
meu pai. Assim ó! – Camila apertou os dedos, como se Ariel já não conhecesse a
mãe dela.

– E o
que tenho haver com isso tudo? Meus pais não foram na igreja ontem, eles não
sabem desse culto. Não tenho que ir, aliás tenho que estudar um montão de
coisa! – Ariel bebeu mais um pouco do café enquanto se sentava.

– Ei!
Nada disso. Você passou o dia todo na praia beijando seu homem porque quis! –
Camila falou um pouco alto demais.

– Cala
essa boca, Camila! – Ariel puxou a amiga para que se sentasse também.

– Quando
se começa a namorar alguém, não pode mudar nem um pouquinho, lembra? Essa é a
regra número 8 que compõe o nosso pacto de amigas. E você está descumprindo!
Você tem que me ajudar, poxa!


Caramba! Não mudei nada, continuo a mesma. – Ariel se estressou. Lembrou de
Mateus, foi suficiente. Depois de uns 20 segundos de silêncio voltou a falar. –
Você não podia pedir alguma coisa mais fácil?

– Você
sempre foi a igreja. Não é tão difícil assim ir até lá e colocar esse traseiro
no banco. Basta ficar sentada, 1 hora e meia no máximo e pronto você está
livre! Por favor?

– Ok.
Mas você vai ficar me devendo uma! E das grandes!

– Pago
sem problemas! Às 19:30 na frente da igreja, fechado? – Camila sorria, feliz.


Fechado. – Ariel estava chateada. Pelo menos tinha uma desculpa para Felipe.

Caminhou
até em casa e subiu os degraus da frente correndo. As meninas estavam vendo
Frozen, este ainda era novo e Ariel gostava dele, ela se jogou no sofá e largou
a mochila no chão. Ana do filme e a Ana sua irmã estavam cantando a canção
enquanto saiam do castelo, Anas encontrando o mundo pela primeira vez. Ariel
encontrando o mundo pela primeira vez…

Ela se
levantou do sofá pegou sua réplica de Ana e a tirou do chão, começou a cantar e
dançar com as irmãs, rodando a imensa sala. Assim que a música acabou elas se
jogaram no chão e começaram a rir, amo
essas pequenas
, Ariel pensou. Foi só ai que viu a mãe encostada no batente
da porta, ela ria das meninas, como se ver as três juntas e se divertindo não
fosse uma cena tão comum, e na verdade não era mesmo.

Assim
que Ariel se recuperou se levantou do chão quando a mãe a chamou com o dedo. A
mãe foi caminhando na frente e logo estavam na cozinha.

– Vai
ter culto jovem hoje na igreja, sabia? – a mãe perguntou enquanto arrumava o
almoço das gêmeas.

– É, a
Camila acabou de me falar. – Ariel lavou as mãos na pia e secou no pano de
prato que estava em cima da mesa. A mãe detestava isso.

– A
pastora Fernanda ligou pra cá, perguntou por que você está tão sumida e te
convocou para ir hoje. – a mãe passou um prato para ela. – E estava pensando
aqui comigo, seu pai e eu temos faltado demais aos cultos, consequentemente
você também. Precisamos trocar os passeios dos domingos para os sábados, para
que possamos ir todos juntos.

Ariel
não queria isso. Estava bom demais ir aos cultos durante as terças-feiras, não
queria ter que parar de sair aos domingos.

– Mas,
mãe… As meninas gostam tanto de ir para o sítio! – Ariel deixou o prato em
cima do balcão da cozinha e cruzou os braços olhando diretamente para a mãe.

– Sim,
elas gostam, mas todos nós precisamos ir à igreja. E não ir para ficar
passeando por aí não parece muito justo. Nós não gostaríamos que Deus se
esquecesse de nós, certo? E temos coisas demais para agradecer.


Certo… – Ariel sussurrou.

– Ei. –
a mãe deixou os pratos no balcão e olhou gentilmente para Ariel. – Por que seus
olhos me dizem que essa ideia é tão ruim? Até uns 3 anos atrás precisava te
arrancar na marra da cama nos domingos de manhã, mas você ia. agora parece não
fazer diferença se você vai ou não na igreja. O que está acontecendo, filha? –
a mãe prendeu uma mecha de cabelo que cobria um dos olhos de Ariel.

– Nada
mãe. – Ariel olhou nos olhos dela, para parecer que estava dizendo a verdade.

– Isso
tudo está longe de ser nada. Você cresceu lá, deveria amar ir aquele lugar,
primeiro porque é casa de Deus, segundo porque lá nós temos uma família também.
Você deveria ter outras amigas além da Camila, amigas que poderiam te
incentivar a participar dos grupos de teatro, coreografia ou louvor…

– Mãe,
nem vem! Você sabe que estou muito bem com os amigos que tenho. E além do mais,
o que adianta começar a participar desses grupos agora se vou embora ano que
vem? Não vou conseguir pegar nada e acabar atrapalhando os demais integrantes.

– Muitas
coisas podem acontecer dentro de 9 meses, filha. Muitas coisas. – Clarice
voltou a arrumar os pratos das gêmeas. – Você pode não querer participar dos
grupos hoje, mas vai ao culto jovem. Esteja pronta as 19:00. Vou te levar a
igreja e sem desculpas.

A mãe
saiu da cozinha levando os pratos, deixando Ariel sozinha enquanto arrumava o
seu. Sem clima para se sentar na sala, ela subiu as escadas e colocou um
episódio de Castle para rodar, assim
que terminou de assistir mandou uma mensagem para Felipe dizendo que teria que
ir a igreja e que não poderia se encontrar com ele. Jogou o celular debaixo do
travesseiro e desceu as escadas para levar o prato para a cozinha. Subiu
instantes depois e enfiou a cara nos livros mais uma vez, estava atrasada de
verdade e ficou tão absorta nos estudos que ignorou as mensagens de Felipe que
chegavam no celular.

***

Ariel só
se levantou da escrivaninha às 18:00 hrs, tomou um longo banho e foi até o
closet para escolher uma roupa. Pegou uma calça jeans, uma blusa com o rosto da
Minnie Mouse e uma sapatilha preta. Penteou os cabelos e os deixou solto, passou
uma maquiagem muito leve, apenas com rímel, pó e gloss.

Pegou a
bíblia que estava guardada dentro de uma das gavetas da escrivaninha e sentiu
falta do tempo que se sentava com a mãe toda tarde para ler algum trecho, às
vezes o pai chegava cedo do trabalho e participava também. Mandando as
lembranças embora, se olhou no espelho mais uma vez e desceu as escadas. Nem se
lembrou de pegar o celular, ele permaneceu debaixo do travesseiro. Segundo o
relógio da cozinha eram 18:40 e a mãe preparava mistos quentes para as meninas.

– Sem
atrasos, que gracinha! – a mãe disse enquanto colocava um prato e um copo cheio
de suco de laranja no balcão. – Lanche e deixe para jantar quando chegar em
casa, ta bom?

– Só pra
constar estou adiantada. – Ariel se sentou.

– Só se
não fosse comer nada. – a mãe sorriu.

– Mamãe!
Quero uma blusa igual da Riel! – Mel
disse apontando o dedo para a irmã mais velha. 

– Eu
também! – Ana gritou na cozinha.


Quantas blusas da Miney vocês tem mesmo? – Ariel perguntou e depois mordeu o
misto.

– 1
milhão! – disse Ana.

– Bem
grande, ó! – Mel abriu os braços.

– Então
vocês querem uma igual a da irmã por que? – perguntou Clarice tentando não rir
do milhão grandão.

– Porque
a gente que ficar bunita que nem a Riel. – a Mel disse.

– Uhun!!
– Ana concordou com a irmã.

A mãe e
Ariel riram e as meninas ficaram perguntando qual era a graça. Os 20 minutos
que Ariel tinha sobrando passaram voando e logo a mãe estava pegando a chave do
carro e colocando as três meninas para fora de casa.

Mel e
Ana estavam sentadas em suas cadeirinhas no banco de trás, cantando um cd
infantil da Aline Barros e a mãe acompanhava a cantoria das pequenas. Ariel
tampava os ouvidos quando elas desafinavam demais e quando a mãe a deixou em
frente a igreja, menos de 10 minutos depois, Ariel desejou que a igreja fosse
um pouquinho mais longe, para que elas passassem pelo menos alguns minutos a
mais juntas.

Quando
desceu do carro viu no painel que eram apenas 19:15 e Camila ainda não tinha
chegado.  Ariel ficou aos pés da escada
que levava à porta da igreja, viu alguns jovens na porta recepcionando outros
jovens que chegavam e ela não quis entrar lá sozinha. Era cedo demais e
provavelmente eles iriam ficar perguntando por que ela andava faltando tanto.
Ficou bem quietinha ali, torcendo para que a amiga chegasse logo.

Os
minutos pareciam não passar ou estavam passando rápido demais e isso
significava que Camila estava atrasada. Levou à mão ao bolso da calça para ver
que horas eram, mas o celular não estava ali. Sentiu um certo pânico. Ele
estava sempre ali. Será que tinha caído quando saíra de casa? Ou quando desceu
do carro? Saiu de onde estava e começou a procurar pelo caminho onde havia
passado. Nada dele ali. Talvez tenha deixado ele em casa. Se alguém o achasse e
visse sua conversa com Felipe! Estava perdida.

Foi
então que sentiu uma mão tocar seu ombro.

– Oi,
Ariel! – era a voz da pastora Fernanda. Ariel se virou e sorriu.

– Oi,
pastora.

– O
culto já vai começar, vamos entrar?

– Posso
ficar aqui fora mais um pouco? A Camila pediu pra esperar por ela.

– Já são
19:40, a Camila está atrasada. Entre, quando ela chegar ela te procura lá
dentro. – ela estendeu uma mão para a Ariel convidando-a para subir as escadas.
Ariel foi e ao chegar a porta foi abraçada por duas garotas que conhecia desde
sempre, mas só agora percebeu que não sabia  ser quer os nomes delas.

Ela foi
muito bem recebida, ninguém ficou perguntando o por que dela estar faltando,
apenas disseram que ela fazia muita falta e que ela podia tentar vir mais aos
cultos, e quem sabe poderia participar de algum dos grupos da igreja? Até que
Ariel se sentiu acolhida com tudo isso. Ela disse que tentaria sim vir mais
vezes, não prometia participar dos grupos, porque estava estudando muito, mas
tentaria.

A igreja
não ficava tão cheia em cultos de jovens, Ariel sabia que não havia mais que
uns 30 jovens na igreja, que realmente frequentavam, mas esta noite a igreja
estava muito cheia, deveria ter uns 150 jovens, mais ou menos.

Ariel
não se sentou lá na frente, ficou na última fila, na cadeira do corredor e
deixou a bíblia ao lado, para guardar um lugar para Camila.

Desde
que entrara não tinha mais visto a pastora Fernanda, mas agora ela já estava no
púlpito convidando a todos para se colocarem de pé e fazerem uma oração para
agradeceram a oportunidade de estar ali. Ariel não se sentiu muito confortável
durante a oração, se lembrou do quanto estava mentindo para os pais e do que
isso significava para Deus, embora não mentisse diretamente para Ele, e Ele
soubesse de tudo o que estava acontecendo, ela sentia que estava O enganando
também.
Ariel se
sentiu distante. Mais ainda quando a pastora perguntou se os jovens já estavam
sentindo a presença de Deus ali no templo, muitos jovens gritaram em adoração,
outros começaram a chorar, enquanto Ariel cruzou os braços e não sentiu
absolutamente nada.

O
ministério de louvor começou a cantar e de repente Ariel se sentiu atraída,
pela música, ou por Deus, ela não sabia ao certo, mas começou a sentir um
conforto. Cantou do fundo do seu coração a canção Sobrenatural, da Fernanda
Brum, e se lembrou de tudo o que Deus fez durante a gravidez da mãe.

Médicos
os desenganaram, disseram que a mãe deveria se preparar para uma escolha, ela
ou os bebês. Ariel não sabia ao certo qual era a doença que caíra sobre a mãe,
nem os médicos pareciam compreender de verdade, só se lembrava da mãe dizendo
que ou Deus fazia um milagre ou ela morreria para que as filhas ficassem
vivas… Foram dias escuros, exaustivos e demasiadamente tristes. O pai chamara
os pastores da igreja para irem até a casa deles e oraram durante dias. A fé
não parecia algo distante e invisível, Ariel sentia ela andando pela casa
naquela época.

O parto
foi ainda mais difícil do que os 8 meses de gravidez, ninguém sabia quem sairia
vivo daquela sala de cirurgia, mas o pai tinha fé e durante toda a espera
segurou a mão da filha e disse que a história deles estava nas mãos de Deus. Ariel
acreditou e algumas horas mais tarde estava vendo as irmãs na incubadora e a
mãe, cansada mas bem, no quarto. Os meses seguintes foram delicados e
complicados, mas vencidos. As meninas são preciosas demais e talvez seja por
isso que os pais passem tanto tempo com elas.

Assim
que a canção acabou e Ariel abriu os olhos ela viu um garoto parado ao seu
lado, no corredor. Ela estava com a cabeça abaixada, então a primeira coisa que
viu foi um par de All Star vermelhos, levantou a cabeça rapidamente e preparou
o melhor sorriso, na expectativa de que fosse Felipe, mas não era, era apenas o
Mateus.

Ele não
tinha vergonha na cara? Com tanto lugar, por que tinha que ficar logo perto
dela? E onde estava Camila? Ela disse que viria!      

– Oi. –
Mateus disse.

Ariel
ignorou, continuou olhando para frente, para o púlpito, na espera que o
ministério de louvor cantasse mais uma canção.

– Eu
disse oi. – Mateus repetiu.

– Não
sou surda, só não quero falar com você. – Ariel se quer olhou para ele.

– Ei,
irmã! Estamos na igreja nada de raiva aqui, lembra? – ele sussurrou.

Ariel
apontou o dedo para o peito dele e disse:


Ninguém mandou você se meter na minha vida. – Ariel sussurrou com raiva.

– Já
disse que não era a minha intenção, mas não é por isso que estou aqui. A
pastora Fernanda pediu pra que eu te chamasse pra você sentar lá na frente com
a gente. Só isso. – Mateus disse levantando as mãos em redenção.

– Estou
bem aqui. Não preciso ir lá pra frente. – Ariel segurou firme na cadeira a sua
frente, queria se manter ali, como queria.

– Tem
certeza que quer que eu diga isso a ela? Ela me disse pra não aceitar um não
como resposta. Disse que se chegasse lá com um não, ela mesma viria te buscar.

Fernanda
era mesmo desse tipo, principalmente quando achava que alguém precisava ser
ajudado. Para evitar uma cena, Ariel pegou a bíblia e deixou que Mateus
caminhasse na frente.
Não
esperava vê-lo ali. Ele não era o grande estudioso dos Medeiros? O que estava
fazendo ali? Em plena segunda-feira?

– Ah,
que bom que você disse sim. – a pastora Fernanda disse. Ela havia guardado um
lugar bem do lado dela para Ariel e Mateus se sentaria do lado esquerdo. O que você me arruma, Camila? Ariel
pensou furiosa.

Mais
duas canções foram cantadas que colocaram todos os jovens para dançar em
adoração, no início Ariel ficou retraída, não gostava de dançar, não sabia
dançar, mas a pastora Fernanda segurou a mão dela e a incentivou a pular junto,
e logo Mateus segurava a outra mão dela. Naqueles minutos Ariel sentiu algo
diferente, ela se esqueceu de todos os problemas, de Felipe, do seu sonho de ir
para os Estados Unidos, da raiva por Mateus, tudo… E foi envolvida por uma
alegria e uma euforia gostosa. Ela queria rir e chorar também. Sentia como se
estivesse em casa fazendo o que sempre fora chamada para fazer.

Logo
depois do ministério de louvor, o grupo de teatro apresentou uma peça e as
meninas da coreografia uma dança, um grupo visitante de louvor também cantou
mais duas canções e só depois a pastora Fernanda entregou a oportunidade para
um pastor, o Gabriel, que também viera de outra igreja para pregar. 

Um novo
slide apareceu no datashow, não era mais sobre as canções ou avisos da igreja,
era uma montagem com o título da pregação. Na imagem estava um rapaz em pé em
uma longa estrada, em sua mão havia uma mala e a frase dizia: “Qual viagem você
quer fazer, jovem?”

O pastor
começou a apresentar várias opções de viagens, pedindo que os jovens
levantassem a mão naquelas que realmente queriam fazer. Perguntou quantos
queriam ir a Disney, à Nova York – Ariel levantou dessa vez -, à Amsterdã,
Berlim, Japão e por ai foi, não teve um na igreja que não levantasse a mão pelo
menos duas vezes.

– E o
que vocês desejam ver nessas viagens? – o pastor perguntou e deixou que os
jovens pensassem por alguns instantes. Tudo
, Ariel pensou. – Lugares históricos? Pôr do sol incríveis? Neve? Parques
de diversão? Pessoas novas e talvez torná-las intimas? – ele piscou, brincando.
– Não estou aqui para dizer que vocês não podem viajar. É claro que podem.
Cruzar o oceano é maravilhoso! Eu mesmo sonhava com isso antes mesmo de saber
que Estados Unidos e França não ficavam no mesmo continente! – a igreja inteira
riu e Ariel começou a gostar daquele pastor, ele parecia ser um pouquinho como
ela.

– Volto
a dizer: o problema não está em ir viajar, mas no que vocês vão fazer por lá.
Uma viagem a Terra Santa pode os aproximar do Senhor, ou não. Uma viagem à
África do Sul pode fazer com que vocês conheçam várias espécies diferentes de
animais e lugares extraordinários, e embora cresçam nessa viagem de alguma
forma, podem não amadurecer espiritualmente nadinha por lá. Mas não estou aqui
para os impedir de viajar nem melar os passeios de vocês. Na verdade, estou
aqui para convidá-los para uma viagem, vocês topam? – todos falaram sim e o
pastor os convidou para abrir a bíblia em Mateus.

– Gosto
demais do Novo Testamento, quando lemos o Velho Testamento encontramos as
profecias sobre aquele Filho que mudaria a história da humanidade, já no Novo
encontramos o Próprio Filho! A partir daqui podemos nos aventurar pelos dias de
Jesus, sobre quem Ele é, o que fez e o que ainda pode fazer por nós. Quando
leio Mateus, Marcos, Lucas e João, viajo no tempo. Ao ler todos aqueles
ensinamentos e milagres me imagino entre a multidão, ali pertinho de Jesus
ouvindo cada uma das suas palavras e guardando cada uma delas em meu coração. A
viagem que tenho a oferecer pra vocês hoje é esta: que tal imaginarmos que
estamos passando um dia com Jesus? Voltamos no tempo. Há mais de dois mil anos
atrás. Sem celular, sem TV, sem computador, sem se quer a bíblia. Fechem os
olhos e imaginem comigo.

“Estamos
descendo um alto monte. Jesus caminha à frente e todos os seus discípulos estão
ao Seu lado. Ele acabou de nos ensinar sobre o homem sensato e o insensato,
aquele que segue os mandamentos de Seu pai é como um homem que constrói uma
casa sobre a rocha. Ela será balançada, haverá tempestades, mas nada a
derrubará, porque sua fundação é sólida. Já o homem que anda de acordo com os
dizeres do mundo, aquele que ouve a palavra do Mestre, mas escolhe caminhar
longe delas, esse constrói sua casa na areia, e como não tem nenhuma fundação
será levada na primeira tempestade… Isso não é maravilhoso? – Ariel abriu os
olhos, assim como todos a sua volta, e todos sorriam, todos podiam sentir como
aquilo realmente era maravilhoso. Ariel queria construir sua casa na rocha. –
Fechem os olhos mais um pouco, vamos voltar ao passado…

“Nós
acabamos de descer o monte, todos estão sorrindo, felizes por poderem caminhar
tão pertinho do Filho de Deus, e não há como Aquele não ser quem diz ser, Ele
foi profetizado e está ali, com você! Com a gente! Todos estamos tão felizes!
De repente um leproso se aproxima de Jesus, por um momento acreditamos que os
discípulos vão tirar aquele homem impuro de perto de Jesus, mas ninguém faz
nada. Jesus apenas olha para ele com amor. O homem se põe de joelhos e começa a
adorar dizendo: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me!”

Jesus
sorri e estende a mão, Ele não tem medo, porque Ele é Filho de Deus, Jesus toca
no rosto daquele pobre homem e diz: “Quero. Seja purificado!” Imediatamente a
lepra daquele homem some, seu rosto que antes era tomado por machucados e
verrugas, está limpo e o homem tem força para se erguer novamente. Ele começa a
adorar a Jesus como nunca! E toda a multidão o acompanha! O Filho de Deus
curou, o amor dEle tudo pode!

Você
começa a se perguntar como seria estar ao lado de Jesus todos os dias, quem
sabe não poderia 
ser um discípulo dEle? Imagina, ver milagres assim acontecerem
todos os dias! Olhar para aqueles olhos santos e ver todo aquele amor, bem de
pertinho, dia após dia! Seu coração queima, você deseja mais, mais de Jesus,
mais do Senhor, mais daquela presença gostosa que invade todos aos pés daquele
monte…”

O pastor
para de falar e a igreja toda está em silêncio. Ariel quer ouvir mais, quer
viajar assim mais vezes, quer conhecer mais esse Jesus, embora saiba de tudo o
que Ele fez, ela nunca se sentiu tão perto dEle!

– Essa é
uma viagem que vale a pena, né pastora Fernanda? – o pastor perguntou e
Fernanda aos choros disse que sim, todos estavam amando aquela viagem. – Vocês
não precisam de dinheiro, passaporte, assinatura dos pais, não precisam falar
inglês, espanhol ou alemão… Tudo o que precisam para esta viagem é a bíblia e
ter um coração puro! Garanto que vocês não vão se arrepender.

“O mundo
tem uma cesta cheia de pratos para oferecer a vocês. Pratos que aparentemente
são maravilhosos! Qual o problema de beber apenas um copo de cerveja? Você não vai
ficar doidão com isso. Qual o problema de vestir um short curtinho, hein
meninas? O corpo é de vocês, não é mesmo? E todo mundo vive dizendo que o que é
bonito, deve ser muito bem mostrado! Dançar na festinha na casa daquela amiga
não tem nada de errado, né? Sua mãe não está vendo, ninguém vai contar para os
seus pais, para o seu pastor… É como se nada tivesse acontecido. Mas se você
anda fazendo coisas assim dentro de casa, imagina o que vai fazer lá em Las
Vegas? Imagina quantas cervejas seriam mostradas pra você em Amsterdã e quantas
boates, hein? Já pensou em dançar em uma moça?” – ele parou de falar por alguns
instantes e Ariel se perdeu em pensamentos.

Se ela
estava mentindo para os pais em casa, imagina o que faria quando chegasse ao
Estados Unidos? Longe de todos aqueles que poderiam realmente opinar em sua
vida…


Cuidado, jovem! Você está construindo sua casa na rocha ou na areia? Quem tem
sido seu alicerce? Jesus ou o mundo? E se você fosse fazer uma viagem de
verdade imediatamente? Sem os seus pais, sem a sua bíblia, do jeito que você
está hoje. Será que você veria a Jesus na sua viagem? Será que nos lugares onde
você tem desejo de entrar, Jesus poderia entrar com você? Espero
desesperadamente que sim! Espero que nas viagens que você for fazer encontre ao
Senhor. Na verdade, que você encontre o Senhor todos os dias.

O pastor
falou mais um pouco e depois fez o apelo para quem gostaria de aceitar Jesus
naquela noite. Alguns jovens foram lá na frente e aceitaram fazer aquela viagem
com Jesus todos os dias. Por alguns instantes as pernas de Ariel tremeram e o
seu coração ficou lhe perguntando se ela não queria ir lá na frente, mas ai ela
ficou se lembrando que já aceitara Jesus, desde sempre na verdade, já era
batizada e tudo mais… Sentou para que as pernas parassem de tremer e só se
levantou para a oração de encerramento. Logo que o culto terminou os jovens
começaram a se cumprimentar e Mateus não perdeu a oportunidade, ele sorriu para
ela e estendeu a mão.

Ariel
não estava mais com raiva, ela sorriu para ele também e o cumprimentou. Ele era
chato, mas não merecia que ela tivesse raiva dele, e nem ela merecia carregar
algo ruim de uma pessoa assim no peito, principalmente por ter se originado por
algo tão bobo. Ariel foi abraçada por mais alguns jovens da igreja e quando
estava pronta para ir ao corredor e caminhar para fora da igreja, sentiu aquela
mesma mão tocar o seu ombro.

– Ariel,
posso falar com você um instante? – a pastora Fernanda perguntou.

– Sim. –
Ariel disse sorrindo.

– Vem cá.
– enquanto os jovens iam saindo da igreja e outros ainda cantavam no altar, a
pastora Fernanda voltou a sentá-la na cadeira onde estava poucos minutos atrás.
– Sua mãe me disse que você anda estudando muito, que está se dedicando a
escola, porque este é o seu último ano, e entendo isso muito bem… – ela parou
de falar alguns instantes e segurou uma das mãos de Ariel entre as suas. – Mas
algo aqui dentro do meu coração insiste dizendo: Chama ela, Fernanda. Chama, ela. Sei que isso não é de mim,
princesa. Sei que não é coisa da minha cabeça. Há algum tempo venho escutando
isso, quando estou com o grupo de teatro ou de coreografia, ou com o ministério
de louvor, sempre me lembro de você e vejo que tem um lugar pra você ali, mas
cadê você? Está distante.

Ariel
olhou bem nos olhos de Fernanda, será que era Deus que estava falando com ela?
Será que Ele queria que Ariel fizesse parte de algum daqueles grupos? Mesmo
quando ela não queria?

– Não
sei se você vai acreditar em mim, talvez pense que isso é coisa da minha
cabeça, mas não é Ariel. Sinto que seu lugar é dentro da casa do Senhor e não
posso estar errada quanto a isso.
Ariel
percebeu o mesmo brilho dos olhos de Mateus, nos olhos de Fernanda, era como se
pudesse ver Deus através deles, ou como se Deus disse: “Ei, Estou aqui. Habito
nessa casa.” Ariel queria ter aquele brilho também, mas não sabia se era forte
o suficiente para pagar o preço para recebê-lo.

– E se
você escolhesse pelo menos um dos grupos e viesse pelo menos uma vez? Só pra
ver como funciona e como sua cabeça reage a tudo isso? – Fernanda tinha um
jeitinho de mãe, além do brilho nos olhos, ela transmitia amor através deles.
Ariel se lembrou de Jesus.

– Está
bem.Venho em um deles esta semana. – Fernanda sorriu, satisfeita. E tirou da
bíblia uma folha com o horário de todos os grupos e os dias da semana em que
eram os ensaios.

– Ah,
tenho certeza que Deus vai ficar muito feliz! E nós também, com a sua linda
presença! – Ariel sorriu enquanto colocava o papel dentro da bíblia, ela se
levantou e antes que pudesse fazer qualquer coisa foi abraçada por Fernanda. –
Vá com Deus, querida. E qualquer coisa pode me ligar, está bem?

– Uhun.
Fica com Deus também. – Ariel saiu pelo corredor e quando chegou do lado de
fora se deparou com vários círculos de jovens rindo e brincando. Aqueles que
tinham acabado de aceitar Jesus estavam sendo parabenizados pelos outros jovens
da igreja e ouvindo centenas de frases carinhosas.

Ariel
viu que a mãe já tinha chegado, ela estava do lado de fora do carro,
conversando com outras mães que também vieram buscar suas filhas. Ariel desceu
as escadas e se aproximou da mãe cumprimentou as outras mães.

– Vamos
mãe? – perguntou.

– Vamos
sim. Antes chame o Mateus? A Paula pediu para darmos uma carona pra ele. – a
mãe disse rindo e logo começou a se despedir das outras mães.

Ariel
subiu as escadas de novo e começou a procurar por Mateus, haviam tantos
círculos que ficou meio confusa, ficou lá, no meio de todo mundo girando que
nem barata tonta até que viu ele conversando num cantinho com uma garota. Ele
prestava tanta atenção no que a garota dizia que nem notou quando ela chegou.


Mateus? – Ariel chamou sua atenção.

– Oi. –
ele se virou pra ela enquanto a garota olhava pra Ariel. Ela não se lembrava de
já a vira antes.
– Minha
mãe mandou te chamar, porque a sua mãe pediu pra você ir embora com a gente. –
a garota desconhecida sorriu pra Ariel e ela sorriu de volta.

– Ah,
sim. Okay. Peraí, não sou mal educado. – ele disse rindo. – Ariel essa é a
Ester. Ester essa é Ariel. – Ester era simpática e cumprimentou Ariel com um
aperto de mão.

Ester
era um dez centímetros mais baixa que Mateus, era mal do Medeiros serem altos
demais. Ela tinha cabelos castanhos que mais pareciam chocolate e seus olhos
eram azuis. Tinha apenas uma covinha e seu sorriso era gentil, como se o seu
dom fosse a gentileza.

– Tenho
que ir Ester, mas nos falamos logo, né? – ele olhou pra ela e se esqueceu de
Ariel mais uma vez.

– Claro.
– Ester sorriu pra ele, apenas para ele e deu um tchau muito fofo. Ariel ficou
um pouco sem graça de estar ali quebrando o romantismo dos dois, como se fosse
uma irmã chata. Mateus retribui o tchau e disse para ela ficar com Deus. Ariel
deu um tchau para Ester e se afastou.

Quando
estavam descendo as escadas e longe o suficiente para Ester ouvir, Ariel
perguntou:

– Você
engana direitinho! – Ariel disse rindo. – Não parecia estar esperando em Deus
quando estava conversando com Ester. – Ariel deu um empurrão no braço dele.

– Ei! –
Mateus corou e já ia dar uma resposta a Ariel, mas ela foi mais rápida.

– Tenho
o direito de meter na sua vida pelo menos uma vez, você se meteu na minha
primeiro! – Ariel pontou o dedão pra ela e Mateus sorriu, se entregando.

– Okay,
você está certa. Pode se meter um pouquinho dessa vez! Só pra constar, não
estou enganando ninguém, não tem nada entre mim e a Ester, nós só temos muito
em comum. Ela acabou de chegar a cidade, também não conhecia ninguém na igreja
e está no último ano do ensino médio, coisa que nós três temos em comum. –
parecia que ele tinha que provar a Ariel que não tinha nada acontecendo entre
ele e Ester.

– Tá
bom, Mateus. Não precisa fazer listinha, eu vi o jeito que você olha pra ela e
como ela olha pra você.

– E como
é, hein? Dona sabe tudo! – eles já estavam chegando no carro de Clarice, antes
de abrir a porta da frente Ariel sussurrou:

– Como
se vocês fossem as únicas pessoas que estivessem no mundo, como se não
precisassem mais de ninguém. – Ariel abriu a porta do carro sorrindo, como se
realmente entendesse das coisas. Mateus entrou e cumprimentou Clarice
gentilmente

Durante
o percurso de 10 minutos de volta para casa, Mateus e Ariel contaram animados
como havia sido o culto, e Clarice estava tão empolgada em saber cada detalhe
que Ariel se sentiu como uma criança de novo, uma criança que tem necessidade
de contar cada detalhe do seu dia para a mãe.  
Escrito por: Thaís Oliveira

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