18 de Julho de 2019

É menina, lá estava você de novo ouvindo aquela palavra que, geralmente, faz seu estômago doer e seus pelos dos braços arrepiarem.

“você ERROU de novo”.

Às vezes ela é dita com todas as letras. Às vezes ela está nas entrelinhas. E também acontece de ninguém dizer, mas no seu interior você sabe que errou e uma voz lá dentro não para de dizer a mesma coisa…

Errado.

Errou.

Errei.

De. Novo.

O engraçado é que você é daquele tipo de pessoa que está sempre disposta a dar segundas chances. Você não se importa em ajudar aqueles que erraram e sempre procura perdoar aqueles que erraram com você, mas quando a errada é você mesma, aí a coisa muda de figura.

Você não é tão generosa consigo mesma quanto é com as pessoas a sua volta. Você não é tão compreensiva, nem tão bondosa. Você pega pesado consigo mesma. Você se põe contra a parede e se interroga diversas vezes, até doer. No seu interrogatório particular, você não cansa de se perguntar como pôde errar, como não foi capaz de ser mais atenta, meticulosa, esperta.

“Como assim errei de novo?”

Ah, e eu não estou falando de erros graves. Você ainda não fez nenhum trem descarrilhar. Não fez cair uma árvore nem mudou a realidade da sua comunidade. Na verdade, um dia desses você só errou um número em uma planilha, mas foi o suficiente para roubar a sua paz interior.

Sabe, você deveria se cobrar menos, minha menina. Você não percebe, mas ao se cobrar tanto você mesma se boicota. Você é sua própria vilã, exigindo de si mesma uma perfeição absurda, ao mesmo tempo em que se sujeita aos erros de todos aqueles que estão a sua volta.

Respira fundo e reconheça que você é humana. Tão suscetível ao erro quanto qualquer outro ser humano. Seja mais compreensível com você mesma. Você não precisa ser perfeita todos os dias, todas as horas, minutos e segundos. É normal falhar. É normal não acordar bem um dia e digitar um número errado no Excel. É normal não ler com a entonação correta e até esquecer de passar uma marcha no carro. É natural.

Compreender que você é humana e que vai acabar errando em algum momento, não é o mesmo que viver e apreciar uma cultura que reverencia o erro.

O perfeccionismo é tão perigoso quanto um trem descarrilhado. Ele te faz acreditar que você precisa ser perfeita sempre, que precisa ter controle sobre tudo. Mas a realidade da vida é outra. Nós não temos controle sobre tudo. E às vezes, por mais que tenhamos atenção, agilidade e cuidado, as coisas escapam das nossas mãos, como um número digitado errado no teclado, como uma olhada rápida no cruzamento ou uma palavra mal expressa.

Você não precisa ser perfeita. Você pode ser uma garota imperfeita que escolheu ser quem o Perfeito criou para ser. E tudo bem.

Escrito por: Thaís

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